
“Por que, se o amor é a natureza dos homens, há tanto desamor”? Esta é a pergunta que percorre praticamente todas as páginas de “Amando sem censura”, livro que a psicoterapeuta analítica e filósofa clínica Rosângela Rossi lança neste sábado, às 16h, na Biblioteca Redentorista, no Morro da Glória. É a 12ª obra da escritora, que transita entre as vertentes da literatura e filosofia em seus livros.
Conhecida também por sua atuação nos meios radiofônicos (ela apresentou por vários anos o programa que leva o nome do livro na Rádio Solar AM e atualmente apresenta o quadro “Razões e emoções” na CBN/JF, além de participar do “Elas por elas” na mesma emissora), a mais nova publicação da escritora surgiu por acaso. Segundo Rosângela, ela estava trabalhando em um novo livro (“Não dá para fazer o que não quero”), que deve ser lançado em 2017, quando teve um daqueles momentos em que o estalo gera uma vontade maior que tudo. “Olha para o pôr do sol da janela da minha casa quando resolvi sair para fazer uma foto desse momento. Ao vê-la, notei que havia minha sombra, um gato e um bueiro. Dali iniciei um ‘diálogo’ com Charles Chaplin, o Pequeno Príncipe e Flora, personagem de um dos meus livros”, conta Rosângela, que utilizou a imagem para ilustrar a capa do livro – acrescida da “sombra” de Chaplin.
O resultado desse momento foi um livro escrito em 15 dias que voaram rápido, há cerca de dois meses, precisando apenas da posterior revisão e impressão pela sua própria editora, a Ser Livre. Rosângela diz que o tema a ser refletido nas páginas é o amor – ou, talvez, a falta dele. “O objetivo é fazer as pessoas refletirem sobre a falta de amor nos dias atuais, em que somos engolidos pela sombra de todo esse desamor. O mundo não vai sair dessa situação se não notarmos o quanto o amor é importante”, diz a escritora, considerando o momento atual “pertinente” para essa discussão.
“Há um excesso de consumismo, ambição pelo poder, vaidade, egoísmo, orgulho, atualmente, sombras que tornam o mundo tão cheio de desamor. Eu proponho que reflitamos do que nos leva a não usarmos aquilo que é de nossa natureza, que é o amor sem limites, sem censura, puramente livre para ser o que é”, filosofa a escritora, que vê nessa insensibilidade que permeia a alma humana atualmente muito da sociedade insensível do clássico “Tempos Modernos”. “Chaplin foi meu primeiro mestre, ainda na infância. Ele questionava a sociedade e ao mesmo tempo era tão amoroso, capaz de oferecer uma flor. E hoje vemos muito disso, há pessoas que não têm tempo para amar, sendo que o amor é a expressão da vida.”
