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Homenagens marcam centenário de Mário Lago

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"Papai foi uma pessoa aberta para o mundo. Viveu intensamente todos os movimentos do século XX." É assim que Mário Lago Filho resume os 90 anos de vida do pai, o artista Mário Lago, cujo centenário é comemorado hoje. Ator, produtor, diretor, compositor, radialista, escritor, poeta, autor de teatro, cinema, rádio e TV, militante sindical, ativista político, torcedor fanático do Fluminense e boêmio, Mário Lago foi muitos.

Para manter viva a memória do artista, sua família criou o projeto "100 anos de Mário Lago – Homem do século XX". Conforme Mário Filho, o grande estímulo para as iniciativas está em aproximar Mário Lago das novas gerações. "Há uma turma inteira que não conhece o trabalho do meu pai, nem mesmo das novelas. Ele se afastou bastante do trabalho na TV por conta da saúde na segunda metade dos anos 90. A música, mesmo nunca tendo se distanciando dela, deixou de ser seu foco depois dos anos 60. O lado compositor dele era muito bom, e queremos resgatar isso", enfatiza.

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Como parte das ações, está sendo preparado um CD com canções e poemas ainda inéditos. As obras estão sendo recitadas e musicadas por artistas como Caetano Veloso, Frejat, Lenine, Arnaldo Antunes e Pedro Luiz. Outro álbum, o "Folias do Lago", com marchinhas de carnaval cantadas pelo grupo carioca Cordão do Boitatá e participações de Ney Matogrosso, Roberta Sá, Eduardo Dusek, Áurea Martins, Marcos Sacramento e Pedro Miranda, foi lançado ontem, em baile na sede do Cordão da Bola Preta, no Rio. Em São Paulo, as comemorações começam no próximo dia 2, com o projeto "O autor na praça", na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, que terá exibição de vídeos, leituras de textos, poemas e música.

 

Na TV o legado de Mário também não passará em branco. O "Musicograma", exibido na TV Brasil, hoje, às 21h30, prepara uma viagem musical pela obra de Lago. A edição mostra um depoimento do artista, gravado em 1987, além de diversos nomes da música brasileira que interpretam seus principais sucessos. Raridades, como Orlando Silva interpretando "Atire a primeira pedra", e clássicos, como "Nada além" na voz de Cauby Peixoto, integram o especial.

 

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Entusiasta do carnaval

Nascido no reduto boêmio da Lapa, no Rio de Janeiro, Lago, mesmo formado em direito, não chegou a exercer a profissão por mais do que alguns meses. As artes falaram mais alto. "Papai era de conversar. Nossas conversas em família duravam horas. Ele sempre foi cabeça aberta, pedia a opinião dos filhos e nunca dava lição de moral. Acho que duas coisas contribuíram para o desenvolvimento desta personalidade. O fato de ter nascido em meio à boemia e à efervescência artística da Lapa e o convívio com o avô dele. Anarquista e flautista, o vô Giuseppe Croccia lutou pela unificação da Itália ao lado de Giuseppe Garibaldi e colocou no espírito do garoto o sentimento libertário."

Entusiasta do carnaval até o final da vida, deixou em sua obra canções que marcaram época como "Ai, que saudades da Amélia", composta em parceria com Ataulfo Alves, e "Aurora", com Roberto Roberti. "Com certeza a festa seria um pouco menos colorida sem estas duas fantásticas mulheres. São marchinhas que sempre embalaram nossos carnavais e nunca saíram de moda", observa o compositor e pesquisador musical Carlos Fernando, vencedor do 1º Concurso de Marchinhas de Juiz de Fora.

Para o músico Fernando César, integrante o Clube do Choro, além de marcar a história com marchinhas clássicas, Lago também foi um dos responsáveis pelo formato de carnaval que conhecemos hoje. "Ele e o Braguinha fizeram a mudança no estilo da festa, colocaram o bloco na rua. As músicas foram feitas para as pessoas pularem fora dos salões."

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