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Morte de Ozzy comove fãs de diferentes gerações em Juiz de Fora

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Morte de Ozzy Osbourne, na última terça-feira (22), comoveu fãs em Juiz de Fora (Foto: Reprodução/Instagram)
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“Não quero desaparecer silenciosamente”, declarou a lenda do heavy metal, Ozzy Osbourne, em entrevista para a revista Rolling Stones UK, em 2023. Na última terça-feira (22), o ex-cantor do Black Sabbath faleceu aos 76 anos, vítima de Parkinson – doença que lidava desde 2020. A notícia da morte veio apenas 17 dias depois de seu último encontro com os fãs, no show de despedida da banda em Birmingham, na Inglaterra, no início deste mês.

“Ozzy sempre foi a personificação do que é um rockstar”, argumenta o cantor juiz-forano de heavy metal, Rhee Charles Santos. Para muitos, ele foi a idealização do que o Rock n’ Roll significa. Nos seus últimos momentos, o astro inglês fez história ao subir no palco do estádio Villa Park diante de 40 mil espectadores, mesmo vivendo com um quadro de saúde preocupante. Para o guia turístico e fã do cantor, Rodrigo Paranhos, ele foi um “roqueiro autêntico” e sempre se manteve fiel ao que acreditava.

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Ao longo dos 57 anos de carreira, Ozzy influenciou várias gerações em diversos lugares do mundo, e em Juiz de Fora não é diferente. “Ele é atemporal porque sua história se resume à luta e à esperança de quem não teve privilégio, mas venceu com talento, sorte e coragem”, aponta Rhee Charles. Trabalhando com música na cidade desde 1998, o roqueiro conta que o artista britânico é uma das maiores referências de sua vida. Para ele, a relevância de Ozzy se dá pela sua humanidade: “Virou símbolo de resiliência, mesmo tropeçando, e talvez seja justamente isso que humaniza o personagem para públicos tão amplos”.

Diferentes gerações, um artista

São vários os motivos que conectam diferentes gerações em Juiz de Fora a um único artista mundial. Para Rodrigo Paranhos, de 58 anos, e Francisco Bara, de 19, os shows de 1985 e 2016, respectivamente, são parte fundamental do processo de admiração da figura emblemática e polêmica de Ozzy Osbourne.

“No Rock In Rio I, em 1985, tive a oportunidade de ver de perto como ele manteve as características, mesmo fora do Black Sabbath à época. Naquela noite – a do Heavy Metal -, existia um papo de que Nostradamus tinha feito uma profecia que em um encontro de jovens ia acontecer uma grande tragédia, e muito pelo contrário (risos)… foi uma noite de muita paz e harmonia. Inesquecível”, relembra. Rodrigo começou a ouvir as músicas de Ozzy ainda criança, com 11 anos.

Nesta mesma idade, Francisco ia ao show da banda pela primeira vez, em 2016. Em dezembro daquele ano, ele acompanhou o pai – e também fã do Ozzy -, Sérgio Bara, até a Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, para assistir ao seu primeiro show do Black Sabbath, na turnê The End. “Foi muito marcante. Nenhum outro show chegou perto da importância e das memórias que vivi naquele dia. Conheci o Ozzy por causa do meu pai e, lá, entendi porque ele era tão fã”, revela.

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Francisco Bara e o pai, Sérgio Bara, no show do Black Sabbath em 2016, no Rio de Janeiro (Foto: Arquivo pessoal)

Sérgio faleceu há pouco mais de um ano, mas o legado de amor ao rock se manteve vivo com o filho. “Tudo que você imaginar relacionado ao Ozzy tem aqui em casa. O Sérgio era muito fã, e o Francisco também”, revela a mãe de Francisco e companheira de Sérgio, Isabel Pequeno. O jovem juiz-forano acredita que o legado do cantor só deve aumentar com o passar do tempo, já que, para ele, “não existe nenhum artista parecido”.

Quem também estava no mesmo show do Black Sabbath no Rio, em 2016, é o cirurgião dentista e cantor de rock, Ian Sad, de 25 anos. Ele conta que, muito antes de pensar em ser músico, ver a banda de perto foi algo “surreal” e pontua que nada é igual ao Ozzy: “Ele sempre foi muito mais que um cantor. Foi uma força da natureza, a essência do heavy metal. Mesmo sua despedida foi inspiradora: ele se foi fazendo o que mais amava”. Conforme Ian, o roqueiro inglês mostrou para diversos artistas que todos podem ser aquilo que querem até o fim.

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Um personagem verdadeiro

“Essa autenticidade crua – quase ingênua -, mas sem ser mascarada conecta pessoas. Mais do que musicalmente inovador, ele ajudou a legitimar temas sociais e existenciais nas letras, coisas que ligam diretamente ao cotidiano da juventude operária, negra e periférica. Uma influência evidente das raízes sociais e políticas desse rock inicial”, aponta Rhee Charles. Segundo o músico, Ozzy Osbourne também escancarou a teatralidade no rock, a importância do personagem, mas sem perder a verdade.

Mesmo em meio a polêmicas, como a mordida em um morcego, em 1982, o abuso de bebida e outras drogas, as internações em clínicas de reabilitação e outras controvérsias, a fidelidade dos fãs ao humano John Michael – nome de batismo de Ozzy Osbourne – sempre foi notória.

“Nos anos 1970 e 1980, eram muitas drogas, muita loucura, mas ele soube mudar sem perder a essência do rock”, afirma Rodrigo Paranhos. Já Ian Sad exalta que “ele nunca quis agradar, só ser ele mesmo”, o que, segundo o cantor de 25 anos, por si só, atravessa gerações. Francisco Bara destaca que é difícil olhar alguma música do catálogo de Ozzy e “falar que é ruim”.

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As músicas marcantes, a autenticidade de Ozzy e os seus ensinamentos formam a combinação perfeita para que tantos Rodrigos, Ians e Franciscos de diferentes idades e realidades admirem cada reviravolta da vida do astro do heavy metal que, agora, se eterniza ainda mais nos corações e ouvidos dos fãs em Juiz de Fora e no mundo todo.

*Estagiário sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

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