Qualquer pessoa que não inclui carne em sua dieta já passou algum aperto para comer na rua. Seja na hora do almoço, no jantar ou no lanche, muitas vezes não há opções vegetarianas – ou há pouca variedade delas. “Em Juiz de Fora, há alguns restaurantes para este público, mas pouca oferta de lanches e salgadinhos, e é aí que nós entramos”, diz Nicolle Bello, que fundou, com Daniel Medeiros, o Verdes e Fritos, que busca livrar os vegetarianos da ditadura das bolinhas e empadinhas de queijo, oferecendo opções de lanches e salgadinhos sem carne.
Segundo Daniel, a iniciativa partiu da própria experiência dos dois, amigos e vegetarianos há anos. “Muitas vezes, precisamos nos virar para comer direitinho, já que os amigos e família são, em sua maioria, ‘carnívoros’. Assim começamos a ter de colocar a mão na massa, a pesquisar e desenvolver receitas próprias”, explica ele, acrescentando que nenhum dos pratos do Verdes e Fritos leva carne, e todos são baseados em receitas tradicionais. “Esta escolha tem relação com nossa admiração e respeito aos animais, além da ideia de explorarmos as riquezas da terra, redescobrindo os sabores brasileiros e buscando privilegiar uma dieta mais leve e colorida.”
Para Nicolle, o vegetarianismo vem sendo cada vez mais defendido e debatido, algo que se reflete na realidade de Juiz de Fora. “Um exemplo: quando entramos na faculdade, há alguns anos, o Restaurante Universitário não oferecia opção vegetariana. Muitas vezes almoçávamos e voltávamos para a aula com fome (risos)! Hoje os alunos vegetarianos contam com cardápio adaptado a sua opção alimentar.”
Um dos pontos altos do quibe é a combinação entre a crocância do trigo e o sabor característico da moranga. Para que o ponto saia certinho, Daniel dá dicas para o preparo da massa, que leva proteína de soja texturizada (encontrada facilmente em supermercados) em vez de carne. “O segredo é espremer bastante a soja e o trigo depois da hidratação deixando-os bem sequinhos. Caso a consistência ainda fique um pouco mole, pode-se juntar um pouco de farinha de rosca para encorpar, mas não muita, ou o quibe irá se desfazer no momento da fritura.”
Nicolle acrescenta que, com a base de soja e trigo, é possível usar a criatividade e inventar outros recheios. “Já testamos berinjela refogada com alho, e ficou delicioso. Também pode ser sem recheio.”
