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‘Os fãs brasileiros nunca decepcionam’

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A lembrança mais nítida deles é a imagem de três irmãos loirinhos, cantando um refrão irresistivelmente chiclete ao qual qualquer adolescente dos anos 90 não passou ileso: Mmmbop. Quase 20 anos depois do lançamento de Middle of nowhere (1997), álbum que marcou o estouro do trio em escala mundial – e níveis elevados de histeria adolescente -, Isaac, Taylor e Zac Hanson passaram pelo Brasil no início da turnê do seu último disco, Anthem, no último fim de semana.

Em entrevista por telefone à Tribuna, o primogênito Isaac, após lamentar não falar português, relembrou a estreia da turnê mundial na Argentina na quinta-feira passada, escolha dos próprios músicos pensando nos fãs. Sabemos que muitas vezes os sul-americanos esperam um longo tempo para verem shows internacionais. Então é muito bom poder dizer: ‘Brasileiros e argentinos, dessa vez não vai ser preciso esperar. Vocês serão os primeiros a ouvir este show.

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Com 32 anos de idade e mais de 20 de show business, Isaac também falou sobre o difícil processo de produção de Anthem, que quase resultou na dissolução da banda. Quando se faz música durante tanto tempo com as mesmas pessoas, existem desafios que, ao contrário do que se possa intuir, vão ficando maiores com o tempo, avalia ele.

Do intervalo estratégico de alguns meses, surgiu o sólido Anthem, que traz composições assinadas pelos três irmãos – individualmente ou em parceria – e referências inéditas e variadas, sem abandonar traços característicos do som do Hanson, como vocais harmônicos e arranjos bem construídos. Esse disco é completamente diferente dos outros, uma busca de referências que nunca havíamos explorado. Sempre dizíamos que nosso som é influenciado por coisas que crescemos ouvindo, como rock’n’roll das antigas e R&B. Mas também escutávamos AC/DC e Queen, por exemplo, e aproveitamos estas outras referências em ‘Anthem’.

De volta aos Estados Unidos, os irmãos pegam a estrada para continuar divulgando o álbum em seu país de origem, em um roteiro que começa com show na próxima sexta, em Hershey, na Pensilvânia. Temos muita sorte de contarmos com uma banda que ainda pode fazer shows pelo mundo inteiro, para fãs animados, dedicados e que cantam cada verso com a gente, comemora Issac.

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Tribuna- Por que vocês decidiram estrear a turnê mundial de Anthem na América do Sul?

Isaac Hanson- Foi uma escolha nossa, que fez muito sentido porque alguns dos nossos maiores e mais dedicados fãs estão na América do Sul, sobretudo na Argentina e no Brasil. Em todas as vezes que passamos por estes países, eles estavam sempre muito animados, é o tipo de plateia para que gostamos de tocar, nos divertimos imensamente. São fãs que nunca decepcionam. Então tivemos a chance de começar ou terminar a turnê por aqui e pensamos ‘Vai ser ótimo dar aos brasileiros e argentinos a chance de serem os primeiros a ouvir esse som ao vivo’.

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-Em entrevistas anteriores, vocês relataram que a produção de Anthem foi um processo muito difícil. Por quê?

– Alguns problemas que no início da carreira de uma banda parecem irrelevantes podem se tornar sérios obstáculos depois de 20 anos de estrada. Eu, Taylor e Zac temos personalidades muito diferentes. Compartilhamos uma paixão pela música, mas temos opiniões divergentes em diversos outros aspectos. Passamos muito tempo em turnê com nosso disco anterior, Shout it out, viajando por todos os cantos do mundo. Então, tentávamos produzir algum material novo, mas não estávamos nos dando espaço para respirar e ‘resetar’ nosso processo criativo. Isso causou vários desentendimentos. Pela primeira vez na história da banda, precisamos dar uma pausa sem previsão de volta. E foram muitos meses até que nos juntássemos para compor novamente.

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– Anthem soa diferente dos outros discos de vocês. Que referências buscaram?

– Quando fazemos um novo disco, a ideia é sempre produzir algo diferente, mas manter a identidade do nosso som, para agradar tanto os fãs que nos acompanham há anos quanto quem está conhecendo nosso trabalho agora. Acho que Anthem já começa diferente de qualquer outro disco. Músicas como Fired up, You can’t stop us now e I’ve got soul são mais agressivas do que tudo que já fizemos e abrem o álbum, todo marcado por grooves de guitarra. De maneira geral, estamos sempre em busca do que constrói nossa singularidade como banda e, quando encontramos, queremos mostrar essa identidade na maior altura e frequência possível.

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– Vocês têm algo em torno de 20 anos de carreira. Para você, o que mudou em fazer música neste tempo, já que o consumo é bem diferente do de duas décadas atrás?

– Acho que estamos vivendo o período mais desafiador da história para a indústria musical. Como negócio, a música mudou muito, sobretudo nos últimos dez anos. A internet e a tecnologia digital transformaram completamente o acesso e o consumo de música. Hoje em dia é muito mais difícil os artistas viverem apenas da venda dos álbuns, algo que os Beatles fizeram, por exemplo. Pararam de fazer shows, somente gravavam discos. Hoje isso seria impossível, porque as vendas teriam que ser extraordinárias. Por isso, quando lançamos um disco, ainda há muito trabalho há fazer. No nosso caso, só fazemos lançamentos quando todas as datas e locais de turnê estão decididos. E fazemos questão de realizar eventos especiais para nossa rede de fã-clubes pelo mundo, o que é uma maneira de oferecer algo diferenciado.

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