A tradição da pintura nunca se desvinculou por completo da arte de Amaury Battisti. Minha geração valorizou e resgatou a pintura, que estava um tanto esquecida, sufocada pelas fortes tendências do desenho e da gravura dos anos 70, explica o artista, integrante de uma geração de pintores que surgiu em meados da década de 80. Battisti assina a exposição Pinturas,.., em cartaz até este domingo na Galeria Renato de Almeida, do Centro Cultural Pró-Música. A retratação de paisagens, marca do artista, também permeia as obras, que assumem, contudo, vertentes mais abstratas e até conceituais.
Nos trabalhos, os traços lineares de Battisti ganham gamas de cores peculiares. As tintas e seus pigmentos dividem as telas com as inúmeras possibilidades proporcionadas por um elemento singular, que, segundo o autor, se encaixa perfeitamente no conceito de sua obra. Utilizo terra diretamente nas telas, explica. Não poderia encontrar tons com mais vida, pois eles demoraram milhares de anos para se formar. São cores que vão perdurar eternamente.
Composta por mais de 20 trabalhos de estruturas diversificadas – que alcançam de 25cm x 30cm a 1m x 1,80m -, a mostra é um reencontro do artista com o público. Sua última exposição aconteceu em 2009, quando Battisti lançava o livro Paisagem decorrente. Não vejo sentido em expor algo que não apresente nada de novo. Acredito que se deva compartilhar um trabalho quando há uma evolução, uma nova série, algo novo a se propor, defende.
Trajetória em movimento
Aprendiz de Renato Stehling, o artista obteve licenciatura plena em artes plásticas pela UFJF e fez pós-graduação em pesquisa e ensino de artes plásticas na Escola Guignard, em Belo Horizonte. Na carreira, contabiliza diversas mostras realizadas em Juiz de Fora, outras cidades mineiras, como Viçosa, Tiradentes e Belo Horizonte, além de Rio de Janeiro, entre individuais e coletivas. Quando se é muito novo, o objetivo é expor a todo momento. Depois de uma história de mais de 20 anos, o artista tem o tempo dele, reflete Battisti, destacando como legítima a apropriação de novas vertentes ao longo da trajetória do autor. Os novos recursos estão aí para serem utilizados, de acordo com as conotações estéticas das obras. Contudo, as raízes sempre permanecem.
Para o artista plástico, embora exista uma boa produção a ser destacada na atualidade, muitas vezes a nova geração peca na improvisação em excesso. Hoje em dia, muita gente quer apresentar uma arte descartável, critica. Na falta do amadurecimento necessário, chega ao público de forma muito precipitada. A permanência da obra é importante. Tão importante quanto a permanência do próprio artista, conclui.
PINTURAS,…
De segunda a sexta, das 8h às 11h e das 13h às 18h, sábados, das 8h às 17h. Até 7 de julho
Galeria Renato de Almeida no Centro Cultural Pró-Música
(Av. Rio Branco 2.329 – Centro)
