Para quem passa em frente ao Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) e pelo Forum da Cultura, a mensagem é clara: Estamos em greve, estampada em dezenas de cartazes espalhados na fachada dos dois prédios. Na sexta-feira passada, o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino no Município de Juiz de Fora (Sintufejuf) fechou as instituições após decisão tomada em assembleia, afetando a realização de eventos que já estavam programados. No caso do Mamm, há um agravante: este ano marca o début da parceria entre a UFJF e o Pró-Música na realização do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, cuja programação incluía duas exposições e X Encontro de Musicologia Histórica, que aconteceriam no museu.
Em 2011, o Pró-Música doou todo o seu patrimônio à universidade, tornando-se órgão suplementar da instituição, da mesma forma que o próprio Mamm. Para o pró-reitor de Cultura da UFJF, José Alberto Pinho Neves, o impedimento em usar o museu, como estava previsto, causa constrangimento e mal-estar. Estamos fazendo o primeiro evento em conjunto, e esses contratempos não são um bom cartão de visitas para o Pró-Música nesta parceria. Foi uma decisão radical.
Com o museu de portas cerradas, as exposições Il Guarany, de Carlos Scliar, e Santos todos nós, de Helio Siqueira, foram adiadas indefinidamente. Mas elas serão realizadas – e como parte integrante do festival – mesmo que a data não coincida com ele, garante José Alberto. Também foi assegurada a realização do encontro de musicologia na data prevista, entre os dias 20 e 22 de julho, apesar de um novo lugar para o evento ainda não ter sido definido. Estamos trabalhando para que o encontro seja transferido para outro ambiente, sem que haja perda de qualidade na programação, disse o vice-presidente do Pró-Música, Júlio César Santos.
O encerramento das atividades no Fórum da Cultura também causou transtornos. Na noite de ontem, o livro Rádio x TV: o jogo da narração. A imaginação entra em campo e seduz o leitor, do professor da UFJF Márcio Guerra, seria lançado às 19h30. Com a decisão do Sintufejuf, a utilização do imóvel foi impossibilitada. Não deram tempo para que a gente se reorganizasse. Estávamos com todos os convites impressos e sem possibilidade de transferir o evento para outro lugar. O movimento grevista é, sim, legítimo, mas é preciso haver coerência e diálogo, destacou Márcia Falabella, diretora do Fórum da Cultura.
Até o fechamento desta edição, o lançamento da obra aconteceria na área externa do imóvel, onde há um jardim, e toldos seriam instalados. Não houve prejuízo, o espaço é muito bonito, afirmou o autor.
Outras instituições
Até o momento, nenhum outro órgão suplementar ligado à cultura foi interditado. Segundo a assessora da Casa de Cultura da UFJF, a programação do local permanece inalterada. Não tivemos sinalização de fechamento por enquanto. Com isso, ficam mantidos eventos como o encontro de artes cênicas, que acontece hoje, às 19h30, e a temporada da peça Como fracassar na vida e ser infeliz no amor, de Gueminho Bernardes, de 21 a 29 de julho, aos sábados e domingos . Para Gueminho, o fechamento de locais que prestam serviços à comunidade durante a greve é sempre prejudicial. Só prejudica a população, sem atingir quem deveria atender as reivindicações dos trabalhadores.
Outra preocupação é com relação ao Cine-Theatro Central, também vinculado à UFJF, e que será palco dos principais concertos do festival de música antiga. Segundo José Alberto Pinho Neves, se houver intenção de que o teatro seja fechado, a pró-reitoria entrará com ação judicial para impedir a medida. A justiça garante que o Central fique aberto por força contratual entre a UFJF e o Pró-Música. O reitor da universidade, Henrique Duque, destaca que o pró-reitor tem autonomia para tomar tal decisão e lembra que os grevistas estão exercendo um direito. Apesar disso, a legalidade do movimento ainda não foi julgada pelo Judiciário. O que posso garantir é que eles sempre respeitaram o mínimo de funcionamento exigido por lei e que o que eles querem é chamar atenção por meio da mídia.
De fato, atrair os holofotes para a greve é o principal objetivo do Sintufejuf no momento. Não vamos fazer nada que traga danos irreparáveis para a UFJF, mas não adianta fazermos ações que não causem transtorno algum. Com o fechamento do Mamm e do Forum da Cultura, conseguimos visibilidade na imprensa, e é essa a orientação do comando nacional por agora, explicou Lucas da Silva Simeão, coordenador geral do Sintufejuf.
