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Quarteto carioca apresenta ‘Desengaiola’ em JF

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Desengaiola
Quarteto apresenta disco extenso, contando com 18 músicas, que mesclam parcerias entre eles e outros, como Cristóvão Bastos e Chico César (Foto: André Rola/ Divulgação)
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No álbum “Rio de Janeiro”, de 2012, Joyce Moreno propõe uma crônica em cada música a partir dos detalhes cariocas. Estão ali mar, praia, sol e samba. É um olhar atento às transformações do que era a cidade quando começou na música e como ela estava naquele momento. Depois de honrar Paulinho da Viola, cantando sua “Vela no breu”, Joyce descreve um movimento que teve a Lapa como casa: a revitalização daquele espaço precisamente junto com o samba, “o tesouro da juventude morena”. Esses jovens trouxeram de volta o tão brasileiro samba ao centro da roda, olhando para o futuro, sem perder os pés da tradição. Essa música foi dedicada, como havia de ser, a esses meninos que continuaram a tirar o mofo do salão e mostraram o dom carioca. Entre eles, estava o quarteto formado por Alfredo Del-Penho, João Cavalcanti, Moyseis Marques e Pedro Miranda: irmãos de música fortemente presentes, ainda hoje, no cenário do samba brasileiro.

Eles dividiram diversos palcos. As parcerias musicais entre eles é inesgotável. Mas só agora, em 2022, que um disco celebrando esse encontro foi lançado. “Desengaiola” mostra, de maneira nítida, o que une Alfredo, João, Moyseis e Pedro em um encontro profundo que ganhou ainda registro audiovisual disponível no YouTube. Uma amostra desse encontro pode ser vista em Juiz de Fora, neste sábado (26), a partir das 21h, no show que eles fazem no Sensorial.

Foi preciso que o mundo parasse e as agendas coincidissem para que, finalmente, o encontro dos quatro virasse álbum. “Unir nossas agendas era como um eclipse: raríssimo”, brinca Pedro. Mas aconteceu em umas das tréguas da Covid-19. Pedro foi morar em Paty do Alferes, na Região Serrana do Rio. Em seu aniversário, em julho, chamou seus amigos para passar um feriado lá e, finalmente, se reencontrarem para um respiro. Isso aconteceu, e foi, para o aniversariante, emocionante. Tanto que lá surgiu um estalo de compartilhar esse encontro com o público. “Voltamos depois para o Rio de Janeiro com essa ideia. Não tinha nada pronto ainda, mas a gente ia comentando com outros amigos e todo mundo foi entrando na onda”, relata Pedro.

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A oito mãos

Com tudo mais ou menos ajeitado, músicos e equipe de filmagem e áudio, além da família do quarteto, eles partiram para a gravação, no mesmo lugar onde se reencontraram. Música para o álbum tinha de sobra. Mas claro que esse encontro iria aumentar as parcerias. A primeira música feita a oito mãos foi “Luz do meu terreiro”. Era, de primeira, uma música feita por três. Mas já no final, Pedro entrou para dar um arremate, como a moral da história. Ela já fala da potência dessa amizade e, naquele momento, fez sucesso nas redes sociais. Foi um sentimento tão bom ver a parceria voar que, logo em seguida, eles quiserem fazer outra.

A primeira foi feita a distância. “A gente é da geração WhastApp, faz uma parte, manda para o parceiro, e ele completa e assim vai”, justifica Pedro. Mas “Alameda Palmares” nasceu a partir desse encontro na serra, daquele sentimento que era estar junto os quatro de novo. “Foi a primeira comunhão de verdade. A gente sugeria partes e ia escrevendo. E, para isso, é preciso confiança e coragem para mostrar o que acabou de aparecer para transformar em música. E a nossa amizade tem isso”, completa. Essa também fala sobre a amizade e esse encontro. Ela ainda anuncia a que vieram: “Aqui estou, pra dizer de peito cheio que o passeio começou”. É ela que abre o “Desengaiola”.

Reverência e encontro

Trata-se de um disco extenso, com 18 músicas. Além dessas duas músicas feitas em conjunto pelos quatro, outras 16 são autorais, mesclando as parceiras entre eles, além de outros, como Cristóvão Bastos e Chico César. “Montar esse repertório foi um quebra-cabeça. A gente queria que todo mundo aparecesse e que as músicas falassem sobre a gente, contassem nossa história.” Eles, nas letras, seguem reverenciando o passado e inaugurando o novo. “A gente tem que reverenciar os mestres dessa cultura oral que é o samba. Isso é o nosso país. A gente só vive do samba hoje porque eles vieram antes abrindo as portas. Toda construção precisa de base”, enfatiza.

Isso se reflete nas outras duas músicas escolhidas para completar o “Desengaiola”. Claro que “Puro ouro” está ali. Mas eles deram uma cara nova para “Alagados”, dos Paralamas do Sucesso. A canção sempre esteve no repertório graças a uma feliz coincidência de percebê-la dessa maneira. Quando ouviram ela sendo tocada como samba, perceberam a potência da letra junto com a memória afetiva de quem canta em alto e bom som: “Alagados, Trenchtown, Favela da Maré/ A esperança não vem do mar/ Nem das antenas de TV/ A arte de viver da fé/ Só não se sabe fé em quê”. “O pagode explode quando toca ela”, brinca Pedro.

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Todo o disco mostra o que há de comum entre os quatro, mas também as individualidades que acabam por se completar. É um retrato do que é o samba hoje: uma mistura carinhosa do que foi com o que essa nova geração trouxe. Não à toa, “Desengaiola” foi indicado ao Grammy Latino, na categoria “melhor álbum de samba/pagode”. No show, esse encontro acompanhado de entrega é visto. Só os quatro garantem a força do samba, dividindo vozes, instrumentos e compartilhando as tantas letras. Pedro nunca tocou em Juiz de Fora e está ansioso para sentir o que João Cavalcanti, que já esteve na cidade diversas vezes, relata: “é uma das plateias mais quentes do país”.

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