Se muitos questionaram a escolha pelo Cultural Bar numa quinta, a resposta positiva veio logo no início da gravação de A outra margem ao vivo, primeiro DVD de Fernamda Ca, na última semana. É que tão logo a cantora e compositora apareceu no palco, por volta de meia-noite, o público, que encheu a pista, não esperou a primeira canção para demonstrar o carinho que a cidade guarda pela musicista, há mais de três anos residindo no Rio. Com certeza, a data e o local foram ideais para a cara do trabalho que venho desenvolvendo, ressaltou a cantora, após a primeira leva de aplausos, anunciando a previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2012.
Com o material nas mãos, Fernamda pretende projetar sua carreira nacionalmente. Totalmente focada na pós-produção, ela conta que sua agenda de apresentações na Cidade Maravilhosa será reduzida. Um próxima performance, no entanto, já está marcada. Será no dia 19 de novembro, no Circo Voador, onde a cantora e sua banda, ao lado do grupo Nova Lapa Jazz, abrirão o show de Stanley Jordan e Dudu Lima Trio.
Enquanto isso, Fernamda, que atualmente vem sendo empresariada por Ligia Alcantarino, faz questão de acompanhar – mesmo que de longe – o processo de mixagem, masterização e edição, executado por aqui, no Estúdio Nave. Começamos a entrar de cabeça no projeto a partir de maio desse ano. Intensa preparação, pois DVD, diferentemente de CD, exige muito mais, disse, sobre a realização assinada pela Gravatás Arte & Cultura.
Ao lado dos guitarristas Marcos Falcão, compositor e parceiro de vida, e o Infernal Walter Villaça (Nando Reis/Cássia Eller), Fernamda Ca comprovou seu frescor como compositora, sem deixar de reunir pérolas do cancioneiro nacional no DVD. Há três anos, estamos em contato com Walter Villaça. Desde o lançamento do meu primeiro CD já venho pensando nessa parceria, e o diálogo se fortaleceu. Ele é uma das referências no rock com suingue, o que tem tudo a ver com a identidade do DVD.
Também acompanhada por Lula Ricardo no baixo, Dudu Viana nos teclados e Zé Mário na bateria, Fernamda abusou do discurso da MPB para mostrar o quanto tem transitado também pelo pop e pelo rock. O resultado, possivelmente, será uma explosão de sons, definiu a psicóloga Marília Xavier, logo após ouvir sucessos da música brasileira, como Flores astrais (Secos & Molhados) e Balada do louco (Mutantes). Além dessas, a cantora trouxe Take it easy my brother Charles e 5 minutos, de Jorge Ben Jor, junto ao instrumentista Joãozinho da Percussão, com quem andou prestando tributo ao rei do samba rock recentemente.
Do baú de lembranças autorais, Fernamda reuniu Copo d’água, A outra margem e Feliz, reinventando, ainda que com pegada mais rock and roll, a aclamada Cais, de Milton Nascimento, e o poema Igual-desigual, de Carlos Drummond de Andrade.
De todas as novidades, a começar pelo nome (que substitui Nanda Cavalcante), Fernamda Ca ainda sente uma resistência do público, mas está disposta a encarar a nova cara escolhida para o futuro. Não faço questão que me chamem de Fernamda, é lógico que quem me conheceu como Nanda vai continuar chamando assim, o que traduz uma certa intimidade, mas é claro que a mudança veio para servir de link com a nova fase da minha carreira, mesmo que eu tenha inserido um ‘m’ antes do ‘d’ para lembrar meu sobrenome Maria e o ‘Ca’ de Cavalcante.
