A Queima do Alho é uma manifestação cultural de tropeiros e boiadeiros presente no Brasil desde o século 18. O ato é caracterizado pela confecção de pratos típicos que atravessam a história nacional e pode até mesmo incluir competições. Para manter essa cultura viva, comitivas de tropeiros Brasil afora integram festivais e festas temáticas. Em Juiz de Fora não é diferente: a Comitiva Tropeiros da Geraes integra a programação da Violada, evento realizado neste fim de semana no Shopping Jardim Norte, com entrada gratuita.
“A queima do alho é o momento que existiu nos tempos do tropeirismo, pelos anos de 1800 até meados da década de 1850. O Brasil se movia através de tropas de mulas, em sua maioria oriunda da região do sul do país, chegando até a nossa região para o transporte de alimentos e riqueza para a coroa portuguesa”, explica Arthur Neto, integrante da Comitiva Tropeiros da Geraes.
A Queima do Alho era o momento que o cozinheiro da tropa preparava o rancho, ou seja, o almoço, para os peões da comitiva. Como não dispunham de muitas facilidades e recursos, o cozinheiro levava no lombo de mulas algumas bruacas com tudo que precisava para uma cozinha campeira: panelas, talheres, carnes na lata na gordura de porco e alguns alimentos. Os pratos mais comuns eram o arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne e carnes na trempe – pratos esses elaborados até hoje na Queima do Alho.
A tradição atualmente é quase inexistente: apenas poucos tropeiros e comitivas que ainda atuam no transporte de gado, mais comum no Centro-Oeste do país, a mantêm viva. Por isso, comitivas de muladeiros e cavaleiros de todo o Brasil buscam levar essa cultura em festivais e iniciativas temáticas, com destaque para cidades que estavam nas rotas dos tropeiros.
“Juiz de Fora está inclusa diretamente nessa era pelos marcos que temos da passagem do Caminho Novo, caminho esse que ligava os portos da (então) capital Rio de Janeiro às cidades de Ouro Preto e Mariana”, explica Arthur. Para ele, a proposta da Violada no Jardim Norte se encaixa nesse resgate do homem do campo, a partir das músicas, dos costumes, da essência e do jeito simples e verdadeiro.
A comitiva já está na sua quarta Queima do Alho: duas em Juiz de Fora e as outras em Chácara. “Para aproximar de Juiz de Fora precisamos de um local apropriado onde os participantes possam vir com os seus animais, ficarem melhor instalados e ter mais apoio do poder público”, destaca o tropeiro.
A Queima do Alho pode também ocorrer de forma competitiva, em que um grupo de jurados analisa não apenas o sabor da comida do estradão, mas também a habilidade do cozinheiro no espaço delimitado e a autenticidade dos equipamentos da comitiva. “São mais para premiar quem preserva com mais identidade possível. Orientamos que ao menos os pratos e a forma de preparo sigam da forma que eram feitas nos tempos antigos, ou seja, no fogo de chão.”
A Comitiva Tropeiros da Geraes foi criada na década passada, com o propósito de resgatar a história e valorizar o homem do campo. “O intuito é conhecer culturas, absorver o que ainda há de histórias por esses caminhos”, explica o integrante. A necessidade de organizar o grupo de viajantes vem do fato de que a lei regulamenta uma série de documentos e atestados sanitários para os animais que integram a viagem.
A comitiva já passou pela Rota do Cacau, o Caminho das Tropas, pela divisa de Santa Catarina até a cidade de São Borja, no Rio Grande do Sul, passando por cidades como Passo Fundo e Carazinho, além da Estrada Real.
“Ainda temos o projeto de concluir a Estrada Real indo de Ouro Preto a Diamantina.” Em 2027, a Comitiva Tropeiros da Geraes irá para o litoral capixaba, e em 2028 viverá novamente o Caminho das Tropas.
Queima do Alho na Violada
A Violada reúne gastronomia, feira de adoção pet, programação musical e shows especiais, com sertanejos de toda a região. Na sexta-feira (25), o destaque é Renato Teixeira, com a turnê que celebra seus 80 anos. No domingo (27), Padre Pierre encerra o evento com a missa especial do “Último dia do Cerco de Jericó”.
O objetivo da Violada é fazer o público cantar do início ao fim, com clássicos que marcaram época e novidades que movimentam o sertanejo atual. A festa ainda promete momentos de forró raiz e arrasta-pé.
A programação musical conta com Rodrigo Guerra e Gabriel Laguardia; Dj Kalango e aula de forró com Paulo Vidal; Wanderson Pires; Hugo & Alex; Monique Gonçalves; Leonardo de Freitas e Fabiano; Roda de Viola com Roger e Concurso Berrante; Leo de Freitas e Ligeirinho Sanfoneiro. No sábado (26), também está marcado um concurso de Rei e Rainha da Violada para as 13h.
Já a Queima do Alho acontecerá no sábado e domingo, das 13h às 15h.
Serviço
Violada
Estacionamento lateral do Shopping Jardim Norte (Avenida Brasil, 6345 – Mariano Procópio)
De sexta-feira (25) a domingo (27)
Entrada gratuita com portões abertos, sem necessidade de retirada antecipada de ingresso
Classificação: Livre
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy

