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Soma de talentos

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Em muitos países, a maioridade, quando os cidadãos passam a responder legalmente por seus atos, é atingida aos 21 anos. Ingressando na idade neste ano, a Orquestra de Jazz Pró-Música/UFJF, fundada em 1992, está exatamente assim: maior, responsável por cada passo que deu e dá em direção a um trabalho crescentemente sólido, e colhendo os frutos destes esforços. "Cada momento neste tempo foi único. É sempre muito satisfatório poder proporcionar instantes de alegria e felicidade ao público, que nos retribui com tanto carinho por isso. É esse o combustível que nos mantém", diz o fundador, arranjador e regente da orquestra, Sylvio Gomes.

Para brindar a data, o grupo faz hoje um concerto especial, homenageando uma importante figura em sua história: o pianista, arranjador e compositor Cristovão Bastos, que assumirá o piano na apresentação. No piano em um dos dois CDs da orquestra, ele já fez parcerias de grandes nomes da música brasileira, como Chico Buarque, Aldir Blanc e Paulinho da Viola, além de assinar o arranjo de shows e discos de estrelas como Nana Caymmi, Gal Costa e Edu Lobo. "Para mim, ele é ainda maior que eles, que sempre o procuram para seus trabalhos", orgulha-se Sylvio, amigo de Cristovão há décadas.

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No repertório da comemoração, estarão composições de Cristovão selecionadas e arranjadas por Sylvio. "É uma grande responsabilidade fazer o arranjo para músicas que o melhor arranjador do Brasil compôs, mas fiz tudo conversando com ele, e faremos grandes sucessos seus", adianta o maestro, destacando que Cristovão foi o compositor de temas aclamados como "Resposta ao tempo", parceria com Aldir Blanc imortalizada como abertura da minissérie "Hilda Furacão", da Rede Globo, na voz de Nana Caymmi.

Para Sylvio, o concerto consolida os fins para que a orquestra foram criados: a possibilidade de uma experiência de formação em orquestra para os músicos e a aproximação deste com o público. "Temos um formato de big band, com metais, percussão, piano e voz, que é muito mais familiar às plateias do que a formação de orquestras eruditas. Além disso, ela é historicamente formada por músicos atuantes na cena de Juiz de Fora, então contribui e acompanha a evolução musical da cidade."

Segundo o maestro, apesar do sucesso da trajetória, manter a orquestra durante 21 anos só é possível com esforço contínuo. "É uma luta, é difícil ficar motivado e manter todos os músicos motivados com remunerações injustas. Além disso, a orquestra não é um formato muito comercial, não tem tantos espaços para apresentações." Ele destaca, entretanto que a parceria do Pró-Música com a UFJF fortaleceu o grupo. "O Pró-Música não está mais sozinho, a UFJF abre mais possibilidades de inserção da orquestra. Tocamos em todas as colações de grau, por exemplo, além de muitos outros eventos. Essa rotina de concertos nos dá muita alegria e gás para continuar", pondera o maestro, adiantando que está em negociação com o pró-reitor de Cultura Gerson Guedes para o resgate do festival Pró-jazz com o apoio da universidade e para a realização de concertos em outras instituições federais representando a UFJF.

 

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Mais que jazz

Segundo o Sylvio Gomes, apesar do nome, a orquestra não se dedica ao jazz, mas incorpora alguns de seus elementos mesmo quando executa outros gêneros musicais. "A influência está nos arranjos de muitas músicas brasileiras e internacionais, que ganham ares mais modernos. E uso principalmente o improviso jazzístico."

Tradicionalmente, o grupo formado por 19 integrantes (dos quais duas cantoras) que tocam sax, trompetes, trombones, guitarra, baixo, bateria, percussão e teclado executa composições de seu maestro e faz releituras de clássicos de MPB, bossa nova e música internacional. "Procuro imprimir uma identidade musical da orquestra, uma miscigenação de referências musicais, algo que se confunde muito com a minha própria visão, já que sou regente e arranjador", explica Sylvio, que atualmente prepara o repertório de um terceiro CD, para o qual está compondo algumas novas peças.

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Para Pedro Crivellari, baterista da orquestra há cerca de quatro anos, a experiência no grupo ampliou seu campo de atuação como instrumentista. "Na big band, a bateria faz um intermédio entre a bancada de metais e os instrumentos de percussão, e não apenas o ritmo, como ela normalmente faz, é uma atuação diferente. Além disso, em uma orquestra, aprende-se a tocar em conjunto, pois o resultado final é a soma de cada instrumento específico, não há destaques individuais."

Já uma das vozes da orquestra, a cantora Alzira Bianco, destaca que o grupo a aproximou de arranjos mais sofisticados e diversificados, além de ter proporcionado conhecimento técnico. "Minha formação foi mais informal, ouvindo música e aprendendo. E na orquestra tive contato com técnicas musicais e fui orientada a tomar aulas de canto, algo que acrescentou muito a minha carreira. Além disso, há o grande prazer de estar ao lado de músicos muito competentes. Quando não estou cantando, fico ouvindo encantada."

 

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ORQUESTRA DE JAZZ

PRÓ-MÚSICA/UFJF

 

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Hoje, às 21h

 

Pró-Música

(Avenida Rio Branco 2329)

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