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Rafael Aguiar lança o curta ‘O espelho de Joaquina’

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Quem se indaga é incompleto, constatou Clarice Lispector. São as indagações – inúmeras delas – que dão base ao curta-metragem O espelho de Joaquina, de Rafael Aguiar. Inspirada no poema Joaquina, de Carla Werneck, a produção gira em torno do que leva uma pessoa a se colocar frente ao espelho e fazer um desabafo. A personagem-título, vivida por Flávia Massena – que contracena com Alexandre Elmais e Joanna Marins -, se depara com um momento de epifania, conceituado por uma vontade arrebatadora de compreender a essência das coisas, bem como sua própria essência.

O lançamento aconteceu no último sábado, às 20h, na Casa de Cultura Simão, em Cataguases, cidade natal do diretor e da poeta, onde o filme foi rodado. Segundo Aguiar, que vive fora há 12 anos – 10 em Juiz de Fora e os últimos dois no Rio de Janeiro -, o pano de fundo foi escolhido não apenas pelo carinho à cidade, mas, sobretudo, por sua arquitetura modernista e seu cotidiano pacato. O grande centro já está associado a uma rotina enlouquecedora. Por isso, buscamos mostrar que, independentemente do lugar em que vive, você pode ser levado, em algum momento da sua vida, a algo que te faz refletir sobre essa rotina, pontua.

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A respiração ofegante agora embaça o espelho/A imagem refletida me parece familiar,/Mas não a reconheço. O contato do diretor com o poema de Carla aconteceu em 2007, quando foi esboçado por ele, ao lado de Fabrício Bigogno, um primeiro roteiro. A escrita da Carla tem um clima denso, depressivo, mas abre caminho para algo positivo, uma luz aponta que as coisas podem melhorar, avalia. Algumas cenas foram rodadas na época, mas o material não chegou a ser editado. Faltava maturidade, constata.

Agora, após cinco anos e algumas experiências produtivas, tais como os curtas Soluço e Kit terror – sendo este participante de vários festivais no país e em Berlim, premiado como melhor filme na mostra de Caiçaras, no Rio de Janeiro -, Aguiar se aventurou a finalizar o projeto. O roteiro foi reescrito em parceria com Maria Estela Modena, roteirista e mestre em língua portuguesa pela PUC, cujo trabalho A espera de ontem foi filmado por nove grupos da Academia Internacional de Cinema.

Parafraseando o consagrado diretor Tarantino, Aguiar acredita nas possibilidades da produção independente. Como ele bem disse: se você quer fazer um filme, pegue e faça, diz. O curta, com duração de 12 minutos, foi produzido sem qualquer incentivo. É totalmente possível realizar um trabalho bem feito mesmo contando com poucos recursos, diz. Nesse cenário, o diretor destaca a importância do trabalho em equipe. A trilha sonora original é assinada por Marcos Alves. E a banda juiz-forana RadioCafé nos presenteou com a música ‘Give me the road’, tema do filme.

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O curta está inscrito em festivais nacionais e do exterior, como os de Brasília, Manaus e Lisboa, além do local Primeiro Plano. Os participantes das mostras começam a ser divulgados em outubro.

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