"Estas imagens retratam exatamente o que ele era: tranquilo, calmo e alegre. Acho que a intenção dele era deixar este legado para mim", refletiu, emocionada, Maria Magdalena Ribeiro Matos, viúva do repórter fotográfico da Tribuna Antônio Olavo Cerezo, falecido em abril de 2011, ao visitar, no início da tarde de ontem, a montagem da exposição "Cores do parque por Cerezo". Composta por 21 quadros, com 30cm x 40cm de dimensão, a mostra, que fica à disposição do público, a partir de hoje, das 8h às 18h, conta com imagens feitas pelo fotógrafo durante idas, com amigos e familiares, ao Parque do Museu Mariano Procópio, em seus momentos de lazer. "Não saberia eleger uma foto em especial. Tentar dar nome aos quadros então, seria impossível. Faríamos inúmeras tentativas que, para ele, não seriam suficientes", diz Magdalena.
Por meio do olhar atento do profissional acostumado a cobrir, em primeira mão, fatos da política à economia, flores secas que formam um tapete nas alamedas do parque, troncos de árvores retorcidos, a vila envolta pelas sapucaias, aranhas passeando por suas teias e o lago com suas ilhas, ganharam mais brilho e cor. "A foto do cisne foi tirada no dia em que ele me ensinou a fotografar. Eu tinha uns 10 anos de idade, e não sabia muito bem o que estava acontecendo, mas são histórias que ficam na minha memória", destaca o filho Thiago Alves Ribeiro Matos, de 21 anos. "Vejo o meu pai nas fotos. Ele tinha um ponto de vista único. Era uma facilidade de captar algo que nós não enxergamos. Ele sempre achava que a imagem não estava boa e pedia para voltarmos. Parece que ele imaginava a foto antes de ela existir."
Segundo o diretor do Museu Mariano Procópio, Douglas Fasolato, que dividiu a redação do jornal "Correio da Mata", na década de 80, com Cerezo, a exposição, que integra a programação da Primavera nos Museus, não só se destaca pelas belas imagens eternizadas, mas também por promover o diálogo do público com o acervo da instituição, que hoje possui 35 mil obras, sendo um dos mais importantes do país. "O parque ganha mais beleza e cor, e nada melhor do que estas fotos para inspirar as pessoas que passam por aqui a fotografar. O Cerezo esperava pacientemente o momento certo para registrar cada detalhe. São momentos que, talvez, a gente nunca mais veja."
O sonho pode ganhar forma
"Meu desejo era finalizar um sonho de Cerezo", diz Roberto Fulgêncio, editor de fotografia da Tribuna, que assina a curadoria da exposição. Além de estar presente em ocasiões em que o homenageado saía para registrar os diversos ângulos da cidade, Roberto guarda consigo o desejo do amigo de imortalizar as imagens em um livro. Idealizador da exposição, ele fez questão de, ele mesmo, clicar a mostra das imagens captadas pelo homenageado."O Cerezo queria publicar as fotos, e o Mello Reis, então superintendente do museu, tentou viabilizar o projeto, mas, por questões administrativas, não conseguiu. Este trabalho é uma maneira de dar oportunidade às pessoas de conferir, por meio do olhar de um repórter fotográfico que não está mais entre nós, a beleza da natureza existente ali", conta Roberto.
Atento à vontade de Cerezo, Fasolato ressalta que o próximo passo da instituição é captar recursos para a publicação da obra. "Vamos apresentar este trabalho em leis de incentivo, mas o retorno deve ser para o ano que vem. O museu é um catalisador, tem visibilidade nacional, e isso ajuda nos projetos. Sem contar que o trabalho do Cerezo ajudará a divulgar ainda mais a instituição", assevera o diretor. "Se o Douglas não conseguir realizar o sonho dele, vou tentar de outras formas. O Cerezo ainda está muito presente e merece nosso esforço", conclui Maria Magdalena.
AS CORES DO PARQUE POR CEREZO
De terça a domingo, das 8 às 18h. Até 25 de novembro
Parque do Museu Mariano Procópio
(Rua Mariano Procópio 1.100)
