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O palhaço não sabe fingir

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Típica canceriana e filha de gaúcho severo, a atriz Adriana Morales, do grupo mineiro Trampulim, intensificou e embaralhou suas facetas para dar vida à palhaça Benedita Jacarandá. "Ela vai da doçura à braveza em poucos segundos. É uma mulher de rompantes", conta a artista, referindo-se a si mesma de rosto pintado. Bem antes de ser batizada, em 2000, Benedita já mostrava seus traços nos estudos circenses aos quais Adriana se dedica desde 1988. "Aos poucos, fui tendo consciência dela." Ao lado do atrapalhado Sabonete (Tiago Mafra), a palhaça comanda, hoje, o espetáculo "Manotas musicais", pelo projeto "Diversão em cena ArcelorMittal". A apresentação acontece às 16h no Teatro Solar.

Há algum tempo, a trupe da capital, criada em 1994, vem reformulando sua linha estética e fincando raízes na palhaçaria. Segundo Adriana, atualmente, as principais marcas da companhia são o clown, a música e o improviso. "É claro que as acrobacias e os movimentos aéreos continuam no nosso DNA, traduzido por nós como ‘desenvolvimento de núcleo artístico’."

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Mas engana-se quem vê no nariz vermelho apenas o poder de fazer rir. Conforme ressalta a artista, por trás da graça, há a força para apontar crises, criticar e transformar. Por conta disso, as tradicionais gags circenses (cenas que trabalham com o elemento surpresa) costumam tocar a plateia de maneira intensa. "O palhaço não finge sentimentos e, por isso, as pessoas se reconhecem nele", analisa Adriana, completando que Benedita explicita seus aspectos positivos e negativos e os utiliza para contar histórias. "Ela sou eu nas minhas mais diversas direções."

 

Mancadas e piadas

Em "Manotas musicais", a dupla protagonista – com a ajuda de Socorro, Conselhos e Alfinete (Poliana Tuchia, Maria Milagros Vazquez e Rafael Protzner) – decide formar uma orquestra, mas sem utilizar instrumentos convencionais. Canetas, panelas, apitos e escovas de dente promovem passeios que vão do tango às canções populares e da valsa às cantigas infantis. No repertório, estão clássicos como "O trenzinho do caipira", de Heitor Villa Lobos, além de músicas inventadas pelo próprio elenco. As manotas – ou mancadas – são inevitáveis no concerto, recheado de piadas que agradam crianças e adultos, como assegura Adriana. "Em nosso site, sempre recebemos retorno dos espectadores. O espetáculo faz a família inteira rir", garante.

No grupo desde 1998, a artista afirma usar as técnicas de improvisação como complemento da sua formação circense. "Um bom palhaço precisa saber improvisar", comenta, concluindo que, para isso, basta quebrar a lógica, substituir a realidade pela imaginação e carregar o público. O dom, conforme acrescenta ela, não é algo imprescindível quando alguém se propõe a lidar com o inesperado, já que existem treinamentos específicos. O trabalho, portanto, apresenta-se como a melhor trilha para a conquista da habilidade de surpreender.

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"Manotas musicais" já esteve em Juiz de Fora, em 2010, para encerrar o Festival Nacional de Teatro. Ainda assim, como promete Adriana, muitas cenas são inéditas para a plateia local. "Um espetáculo de palhaço é vivo, está em constante transformação. Depois de um ano, já descobrimos e incorporamos muitas pérolas."

Hoje, às 16h

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Teatro Solar

(Av. Independência 2.104)

3214-3912

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