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A moda que vem das ruas

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Em seu recente catálogo de outono/inverno, a grife francesa Chanel traz uma imagem da modelo dinamarquesa Freja Beha com a frase "não existe moda se ela não chega às ruas" no rosto. Nada mal para tempos em que blogs de street fashion não param de ganhar popularidade. Liderados por sites como Face Hunter e The Sartorialist, esses endereços são mantidos por autores sedentos por informações de moda que partem do ambiente urbano, em vez de estarem com os olhos voltados exclusivamente para as passarelas. Como defendem especialistas, em muitos casos, as imagens podem antecipar nada menos que uma tendência que aparecerá com força avassaladora no mercado fashion. Nas ruas de Juiz de Fora, ainda são raras as manifestações do tipo. Mesmo assim, a Tribuna garimpou alguns exemplos.

Professora especialista do curso de moda da Estácio de Sá, Selma Flutt explica que esses blogs refletem um contexto em que já não há mais a regra de as passarelas ditarem a moda. "Os criadores têm que estar de olho no que as pessoas estão usando de novo e pode traduzir o espírito da sociedade em alguns anos." Nesse sentido, ela pontua que os melhores sites de street fashion têm cobertura focada no Japão. "Geralmente, o que eles vestem estará nas passarelas poucos anos depois. São bem vanguardistas", afirma, comentando serem eles os autores de informações de moda como o uso de bolsa e calça dobrada pelos homens.

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De acordo com a especialista, a moda vinda das ruas ganhou bastante força na década de 1990, quando as "tribos" deixaram de ser definidas. "Na década de 1980, a pessoa era punk, gótica ou new wave. Mas, depois, misturou tudo. As pessoas passaram a transitar entre os estilos sem ter um compromisso engajado dentro deles." Em Juiz de Fora, na avaliação dela, ainda é difícil encontrar bons exemplos nas ruas. "Geralmente, as pessoas se vestem de marcas e tendências, ficando muito iguais. É raro encontrar quem tenha informações de estilo, conheça seu corpo e carregue uma roupa maravilhosamente bem."

 

Versão brasileira

Prestes a comemorar quatro anos de existência, o blog Rioetc é um dos mais bem-sucedidos entre os dedicados à moda de rua no Brasil. Em média, o endereço registra cem mil acessos por mês e já clicou mais de dez mil personagens em todo o território nacional e em outros nove países. O conteúdo já rendeu um livro, publicado no final do ano passado, em que as principais imagens tiradas ao longo desses anos tomam as páginas. O editor do blog, Tiago Petrik, conta que a história começou com sua mulher, a consultora de moda Renata Abranchs, que tem um escritório de consultoria há cerca de 14 anos. "Desde o início, ela viaja para o exterior em busca de referências. E boa parte do material que ela coletava eram fotos de moda de rua, feitas por ela."

No final de 2007, a dupla resolveu publicar parte desse material no blog. A ideia deu certo, e o trabalho, que antes ficava a cargo dos dois, hoje já conta com mais quatro pessoas na equipe. "Chegamos a lançar uma revista, mas recuamos, ao perceber que a demanda estava mesmo na web." Em relação à dinâmica em torno do blog, Petrik explica não haver uma rotina específica. "A gente costuma ir às ruas umas três vezes por semana e a alguns eventos onde sabemos que vai ter pessoas interessantes, como fizemos com o ArtRio."

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Com a experiência acumulada, Petrik afirma que já é possível compreender um pouco das particularidades que cercam a relação entre os brasileiros e a moda. "Outro dia, ouvi alguém falando que o paulista leva a moda mais a sério, enquanto o carioca se preocupa com o conforto. E a gente acha que é verdade. As posturas não são exatamente antagônicas, mas diferentes, e acho que essas duas influenciam o resto do país." 

 

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Alguns dos principais sites sobre o assunto na rede:

 

Brasil

– rioetc.com.br

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– vistasim.com.br

 

Mundo

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– facehunter.blogspot.com

– thesartorialist.com

– style-arena.jp

– streetpeeper.com

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