
Quando inaugurado, há cinco décadas, o Forum da Cultura abrigava o Teatro de Comédia Independente (Teci), a Associação de Cultura Luso-Brasileira, o Instituto Histórico e Geográfico, o Centro de Estudos Sociológicos, o Pró-Música, o Coral da UFJF e o Centro de Estudos Teatrais – Grupo Divulgação. Os dois últimos permanecem no local até hoje. E uma figura que acompanhou toda essa história é justamente o diretor, dramaturgo e ator José Luiz Ribeiro, um dos idealizadores do Divulgação na década de 1960 e que estará nas comemorações dos 50 anos do Forum, que acontecem esta semana.
José Luiz decidiu encenar novamente “A morta insepulta”, de Oswald de Andrade, justamente o espetáculo que inaugurou o Forum 50 anos atrás. A apresentação única acontece nesta quarta-feira (27), às 20h30. Nesta nova encarnação, a peça vai reunir no palco os três núcleos do grupo: o de adolescentes, o grupo universitário e o da terceira idade. Segundo o diretor, este será, ainda, o primeiro projeto apresentado pelo grupo desde o início da pandemia _ e que, para ele, tem muitos paralelos com os dias atuais.
“Ao reler o texto arregalamos os olhos, porque o Brasil mudou nada, acredito que será tão polêmico quanto há 50 anos. É uma releitura da peça apresentada em 1972, incluindo alguns personagens explicativos, porque a obra é de 1937 e muita coisa mudou em termos de cultura”, afirma José Luiz. “Mas o Oswald foi muito profético, pena que vamos apresentar somente uma vez, pois unimos os três grupos do Divulgação. Mas será uma honra muito grande participar das comemorações; é uma homenagem que queremos prestar ao Gilson Salomão, fundador do Forum, pois apenas o grupo e o Coral permaneceram desde a fundação do espaço.”
