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‘A literatura jovem pode ser engajada’

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Mineira de Ponte Nova, Marina lança
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Mineira de Ponte Nova, Marina lança “O amor nos tempos do ouro”

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Dizem que meus alunos adolescentes têm influenciado as minhas escolhas para o “Sala de leitura”. Não nego. É impossível não bisbilhotar o que eles andam lendo. Durante nossas aulas de língua portuguesa, volta e meia surgem nomes, como Carina Rissi, Thalita Rebouças, Paula Pimenta, Patrícia Barboza, Graciela Mayrink, Christian Figueiredo e, agora, Marina Carvalho. Esta última é a convidada de hoje do quadro que vai ao ar neste sábado, às 10h30, com reprise na segunda-feira, às 14h30, na Rádio CBN Juiz de Fora (AM 1010). Mineira de Ponte Nova, Marina é autora de seis livros já publicados e, agora, aposta no romance histórico com “O amor nos tempos do ouro” (Globo, 328 páginas), lançado aqui na cidade na Bienal do Livro, que terminou no último domingo, recebendo 50 mil pessoas e mais de 200 instituições de ensino de Juiz de Fora e região nos seis dias de evento.

A trama se passa no século XVIII, período colonial do Brasil. Cécile Lavigne é filha de uma portuguesa de Coimbra, pertencente à Casa de Bragança, e de Antoine Lavigne, aristocrata francês de mente liberal e dono de uma riqueza imensurável. A garota perde os pais e os dois irmãos após um acidente e, antes de completar 20 anos, é enviada ao Brasil pelo ambicioso tio Euzébio, único parente que lhe restou. A meta dele era vê-la casada com um latifundiário de Minas Gerais que tem idade para ser seu pai e é conhecido por praticar crueldades com seus escravos. Porém, o destino coloca o explorador Fernão em sua vida.

Por ser jornalista e professora de língua portuguesa, Marina afirma ter preocupação com a linguagem e não se incomoda mais quando ouve críticas à literatura adolescente. Quanto ao que a garotada deve ler? “De tudo”, enfatiza. “Hoje, a gente percebe que o garoto que lê um livro, seja o “Harry Potter”, por exemplo, ou um livro nacional voltado para a faixa etária dele, cresce leitor. Através dessa aptidão pela leitura, ele cria gosto por outras formas de textos, inclusive, clássicos, ou livros um pouco mais cult, de escritores que têm um perfil diferente. Até a literatura para jovem pode ser engajada de alguma forma, pode despertar interesses que vão além do puro e simples entretenimento”, observa ela, cujas atenções já se voltam para o próximo trabalho.

“Em setembro, na Bienal de São Paulo, lanço meu sétimo livro, que é uma versão masculina de “O azul da cor do mar”, meu segundo título publicado. Também estou escrevendo a continuação de “O amor nos tempos de ouro.” Agora, todos os meus livros são contratados pela editora Globo.”

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Tribuna – O que está acontecendo com o mercado adolescente?

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Marina Carvalho – A literatura jovem que vende muito está atrelada aos youtubers, que são meninos que se descobriram falando uma linguagem para esse público totalmente virtual. É a partir desse sucesso que eles fazem com que as editoras apostem neles como autores. A gente não sabe se chama de escritor, porque ele só muda, sai da internet e passa para o livro. O jovem leitor é mais antenado com as novidades. Eles engrossam mesmo as vendas nas livrarias, compram as ideias e divulgam muito nas redes.

– O que esses jovens querem ler?

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– Fantasia. As meninas, principalmente, querem ler muito romance, o tal chick lit, que é um gênero relativamente novo, em que as personagens são sempre femininas. Elas narram em primeira pessoa. São pessoas do cotidiano falando da vida delas. Também querem ler os sucessos da internet.

– E essa é uma boa literatura?

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– Não sei se chamo de literatura. É um lugar diferente, alternativo, dentro do contexto que eles criaram, de conversar com o jovem através do YouTube. Acho interessante e importante, porque, se o menino não lia nada, ele vai passar a ler, por mais que não seja uma leitura com uma história mesmo, que sejam textos sobre a vida do youtuber ou alguma dica que ele dá sobre um determinado jogo. Toda palavra escrita vai gerar algum crédito para quem lê, seja no vocabulário, seja na habilidade da leitura, na vontade de continuar lendo e procurando outros gêneros.

– Sua literatura não se limita

a entreter… – Para o meu novo livro, peguei elementos de pesquisas históricas que fiz sobre a escravidão, como o tratamento dado aos índios, falo dos bandeirantes e dos exploradores. Trouxe fatos da história para engordar a obra para que ela tivesse uma essência, uma substância para além do romance. Não fosse só um romance de época.

– Como concorrer com os sucessos do YouTube?

– Acho muito difícil o autor concorrer com esse tipo de literatura que, de repente, ficou bem de massa. Minha intenção é fazer com que o jovem busque cada vez mais, nos livros, entretenimento, diversão e prazer. Quero que, do prazer, ele passe para outros objetivos.

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