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Desventuras de uma mulher lusitana

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Encenar adaptações de obras literárias não produzidas propriamente para o teatro compõe a identidade do grupo 6 Marias e Meia, nascido na cena carioca em 2007. Em um passeio pelos sebos do Rio, entre as tantas preciosidades acondicionadas no fundo de uma estante, esquecido em meio a outros livros, a diretora Luciana Barboza encontrou o que ela classificou como um achado: o romance "Cartas portuguesas", de autoria desconhecida, mas que imortalizou o nome de Sóror Mariana Alcoforado. A publicação é formada por cinco epístolas de amor, escritas por uma freira a um oficial francês. Em suas linhas, vão se revelando sentimentos de uma jovem que sofre pela dor da distância do amado, que não a correspondia com a mesma intensidade.

"A descoberta foi apaixonante. Não tive dúvidas de que queria levá-la para os palcos", conta ela, que teve o ímpeto de manuscrever a primeira correspondência num papel envelhecido e endereçá-la a suas atrizes. Ali estava começando o processo criativo da peça "Cartas portuguesas – Um romance malfadado", que faz a estreia nacional em Juiz de Fora, neste sábado, às 19h30, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, integrando o Corredor Cultural (veja a programação completa). A montagem faz parte da programação do Ano do Brasil em Portugal e Portugal no Brasil. Para assistir, basta retirar o ingresso no local com uma hora de antecedência.

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"Queria que elas tivessem a mesma sensação que eu e se reportassem para o instante de escrita das cartas. Não bastava enviar o texto datilografado", explica a friburguense, deixando transparecer em suas palavras a empolgação pelo intercâmbio com Minas Gerais. "Íamos estrear no Rio, mas o espaço estava fechado e precisamos adiar a sessão. Foi uma coincidência feliz apresentar aí, pois tenho muito carinho pelos artistas mineiros."

 

No lugar de uma, três Marianas. Duanny e Paloma Dantas e a portuguesa radicada no Rio, Joana de Carvalho, emprestam corpo e voz à religiosa. No caso da lusitana, a construção da personagem chegou a reboque de um modo de falar e dramaticidade próprios da terra de Camões, servindo de referência histórica na fase de pesquisa, iniciada há um ano. Três intérpretes denunciam diferentes personalidades de uma mesma mulher e sua forma de amar. Se na primeira e última cenas, propositalmente, as três Marianas dividem o mesmo texto, nas outras, cada uma, individualmente, estão no foco. O discurso em primeira pessoa ganha a terceira, sendo apresentado em distintas linguagens. O objetivo é afastar a monotonia e provocar uma dinâmica cênica.

"É possível perceber que aquela mulher tem um drástico emocional muito complexo, chegando a ser bipolar. Constantemente, ela muda de ideia. É uma personagem rica, com inúmeras possibilidades. Cada atriz fez sua própria leitura, deixando despertar sua feminilidade", comenta. "Desde o início, propus um trabalho colaborativo. Eu dava o estímulo, e elas me retornavam com a proposta. Dirijo como um maestro, criando unidade entre elas."

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O cenário é adaptável a qualquer espaço, conta Letícia. "É um espetáculo intimista. Por isso, precisamos estar num local não muito grande para ficar bem próximo do público e falar olho no olho. Podemos montar até numa praça." Para dar a ideia da turbulência vivida pela protagonista, cartas são espalhadas no chão de um quarto e suspensas no palco, como se fosse um congelamento daquele momento de padecimento. O figurino, sóbrio, é formado por vestidos preto/branco envelhecidos, revelando "um fundo de palavras." A trilha sonora é composta por canções inéditas, executadas ao vivo no acordeom pelo compositor e um dos autores do livro de partituras de Luiz Gonzaga, iniciativa contemplada pela Funarte. Com duração de 60 minutos, o espetáculo é indicado para maiores de 14 anos.

 

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Até mesmo a antiga rivalidade entre brasileiros e argentinos se renderá à cultura. Quem quiser tirar a prova, basta garantir presença no show que a banda Luz Buena, de Buenos Aires, faz hoje, às 22h, no Museu Ferroviário. No Myspace do grupo, os músicos já antecipam um pouco do que poderá ser ouvido. "Luz Buena é uma banda que faz música para bailar e desfrutar, cuidada e feita com o coração. Sua proposta: recuperar o espírito das velhas festas em clubes sociais e bailes com música ao vivo, onde todos podem participar e sentir-se incluídos", asseguram os integrantes, que tocam cumbia, um ritmo colombiano em versão portenha.

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É o momento de se entregar a releituras de clássicos de diferentes países latino-americanos, como "Guantanamera" (Cuba), "Capullito de Aleli" (Porto rico), "Cariñito" (Peru), "Orangutan" (Argentina) e "Marinheiro só" (Brasil) – um repertório que reflete o cruzamento de culturas presentes na composição do quinteto: os colombianos Beto Ojeda e Santiago Rudas, o brasileiro Francisco Pellegrini e os argentinos Andrés Drimer e Martín Quaglia.

Como a música não pode parar, cerca de 20 shows, dos mais variados estilos musicais, estão previstos para este segundo dia do Corredor Cultural. Logo pela manhã, às 10h, dez apresentações serão realizadas em várias pontos da cidade. As opções vão da MPB ao ritmo do berimbau e tambor. Os destaques musicais vão para o grupo Copo Americano, às 15h, na Praça Antônio Carlos, além de Samba Brasil Zil, com participação especial de Joãozinho da Percussão, às 16h30, e Ponto do Samba, com Roger Resende, Carlos Fernando Cunha, Juliana Stanzani e Coração, às 20h, ambos na Praça da Estação. Enquanto Copo Americano segue a cartilha do rock’n’roll, indo de Mutantes a Cartola, Samba Brasil Zil abusa do repertório 100% autoral, que vai compor o CD a ser lançado com apoio da Lei Murilo Mendes. Já o Ponto do Samba vai de clássicos do samba a um set list de compositores juiz-foranos. No CCBM, a partir das 22h, o rock vai virar a madrugada. Os primeiros a subirem no palco são os meninos do Urbana Legio, que sairão de cena para dar lugar à Banda Visco, seguida de Ferro Velho, Patrulha 66 e Café com Restos Humanos, às 4h.

 

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O sábado ainda traz atrações que prometem deixar a garotada encantada. Às 9h, um cortejo com a Caravana de Palhaços, comandada por Marcos Marinho, ao som de Amaury e Banda, sairá do Parque Halfeld em direção à Praça Antônio Carlos, onde estará preparado o "Banquete Literário. Adultos e crianças poderão se entregar à leitura de jornais e revistas enquanto degustam café, chá e biscoitos. A partir das 16h, os filmes "Meu pé de laranja lima" e "Abismo prateado" serão exibidos no CineArte Palace. Os ingressos poderão ser retirados no local. Para quem prefere fugir das badalações e apreciar obras de arte, sete mostras estarão expostas, durante todo o dia, no CCBM e na Biblioteca Municipal Murilo Mendes. A Biblioteca também vai sediar a troca de produtos da Lei Murilo Mendes, às 15h, e apresentação de causos de assombrar com o grupo Encantadores de História, às 22h. A programação completa está no site da Tribuna.

 

Todos se rendem à arte

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