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Silêncio, ponta e nariz

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Há um ano e meio, Fabrício Sereno e Melissa Travagini disseram sim diante do altar. Ou melhor, em cima do palco. O casal – ele vestido de palhaço e ela de bailarina – levou para a cerimônia de casamento figuras que habitam o universo artístico. Nesta sexta, nariz vermelho e sapatilha de ponta voltam a se encontrar, revelando seus contrastes no espetáculo O palhaço e a bailarina: dois mundos, uma história de amor, da P&B Arte e Movimento, que abre as cortinas do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). Apoiada pela Lei Murilo Mendes, a apresentação mistura teatro e dança, na busca por uma linguagem que valoriza semelhanças e diferenças. Segundo Sereno, a princípio, somente ele e a esposa atuariam na montagem, sem palavras faladas. Pensávamos em algo mais intimista. Depois, porém, optamos por aumentar o elenco para tratar da história dos personagens. Doze atores participam da proposta.

O palhaço conhece a bailarina. Ela fica em suas lembranças, mesmo fazendo parte de um mundo tão distinto. Mas esse desajuste de interesses é a ponte entre as duas vidas. Para estabelecer uma relação entre a trajetória dos dois conhecidos papéis, Sereno, diretor do espetáculo, resolveu trabalhar com tipos. Entre os clowns, há uma hierarquia clara que posiciona no topo o chamado Messiê: dono do circo, uma figura paterna de humor leve. Em seguida, surge Branco, um idiota que não gosta de mostrar os erros e que possui como companheiro Augusto, o palhaço anárquico, com pensamento infantil. Já o Anão, por seu tamanho, é visto como menos favorecido. Seu humor é sarcástico. Por último, há o Vagabundo, melancólico e sonhador. Este apareceu após a Revolução Industrial, quando os artesãos perderam os empregos. Fala sobre as ausências trazidas pela modernidade, explica Fabrício, afirmando optar por cenas da palhaçaria clássica, como a famosa briga entre pugilistas de luvas gigantes.

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Para cada dono de sorriso pintado, a montagem apresenta uma parceira de repertórios clássicos do balé. Assim, a bailarina Russa, por sua tradição, interage com o dono do circo. A Escocesa – da burguesia, mas não tão opressora – cria vínculo com Branco, enquanto a sensual Espanhola é adequada para Augusto. Já a alegria da Camponesa se liga à ironia do Anão. E, por fim, a bailarina Romântica (Melissa) é par perfeito para o Vagabundo feito de sonhos. Essa relação funciona muito em cena, opina Sereno, que encarna tal figura.

O diretor também procurou pontos de encontro entre os processos criativos da dança e da arte teatral. Descobriu que a ideia de continuidade e circularidade se ajusta aos dois territórios. Dessa forma, não há pausas entre as situações, costuradas por duas assistentes na troca de cenários e adereços. Elas também possuem seus momentos cênicos, adianta Fabrício Sereno, acrescentando que recorreu à biomecânica do russo Meyerhold para se aproximar dos movimentos leves e ininterruptos do balé. Trabalhamos com o teatro físico. Não o da virtuosidade, mas o do corpo que não para.

A montagem foi coreografada por Melissa Travagini, em ensaios que duraram cinco meses. Dessa maneira, a música se mostra elemento importante, embora o silêncio faça suas aparições e realce as preocupações estéticas e a ausência de texto. Natan Santos, Luis Gustavo Mandarano e Diegho Salles assinam a trilha original. No sábado e no domingo, O palhaço e a bailarina participa da programação do Corredor Cultural, com sessões gratuitas às 20h, no CCBM.

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O PALHAÇO E A BAILARINA: DOIS MUNDOS, UMA HISTÓRIA DE AMOR

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Sextas, sábados e domingos, às 20h

Até 10 de junho

(exceto dia 8)

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CCBM

(Av. Getúlio Vargas 200)

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