
Rodney trabalhou com Chris Claremont em ‘X-Men forever’, um dos títulos dos mutantes da Marvel
Nem toda exposição precisa encerrar com aquele clima de Quarta-feira de Cinzas, com o melancólico apagar das luzes indicando que chegou o fim. Nadando contra a corrente da saída à francesa, a mostra “Quadrinistas, Mangakás e Fanfics do Brasil” termina neste sábado, no CCBM, com a presença dos artistas que tiveram suas obras expostas no evento, com direito a palestra de alguns deles. Também marca presença no fechamento da mostra o desenhista Rodney Buchemi, conhecido pelos seus trabalhos para duas das gigantes das histórias em quadrinhos, a Marvel e a DC. A exposição pode ser conferida das 10h às 18h, enquanto que as palestras terão início às 14h.
De acordo com uma das responsáveis pela exposição, Priscila Ribeiro Montini, cinco dos artistas participantes vão falar durante a palestra, apresentando um resumo das suas atividades e respondendo a perguntas do público. Depois, cada um deles terá uma área reservada para conversar e também vender desenhos, sketchbooks e revistas autorais. Entre os artistas locais, estão Rebeka Kitsune, professora de manhgá, ilustradora e cosplayer, com trabalhos autorais em desenvolvimento; o estudante de design gráfico Rafael Paulo Lino, que também é ilustrador freelancer; Rael Mochizuki, professor de quadrinhos e ilustrador, que vai levar para o CCBM seu mangá autoral “Ameto”; e Davi Severiano, ilustrador freelancer que também vai colocar à venda alguns sketchbooks.
De Belo Horizonte para Juiz de Fora, Rodney Buchemi volta à cidade depois de ter participado, ano passado, do 1º encontro de Histórias em Quadrinhos da cidade. Atualmente, o ilustrador dedica-se a uma produção autoral que planeja lançar em novembro. Sua jornada pela nona arte começou aos 17, publicando pelo fanzine “Hermética” – uma parceria com a Compendium, loja de quadrinhos e RPG que existia em Juiz de Fora. “Foi uma experiência muito gratificante, que me fez querer aprender mais sobre a produção de quadrinhos”, diz ele.
Com a ideia em mente, Buchemi passou a trabalhar como ilustrador e quadrinista no Big Jack Studio, em Belo Horizonte, a partir de 1998, desenvolvendo os macetes e técnicas da profissão. Em 2001, ele foi à San Diego ComicCon (uma das maiores convenções de quadrinhos mundo), nos Estados Unidos, e voltou a se encontrar com Joe Prado, um dos principais artistas brasileiros a trabalhar para fora do país e que se tornou, tempos depois, um dos principais agenciadores dos ilustradores brasileiros para o exterior, ao montar com Ivan Reis a Chiaroscuro.
“Eu me juntei ao time deles em 2008, e a partir daí ilustrei para a Marvel Comics por quatro anos em títulos como ‘Vingadores’, ‘X-Men’, ‘Homem-Aranha’, ‘Hulk’, ‘Thor’ e o mais importante da minha carreira, ‘Hércules’. Na DC Comics, fiz ‘Superman’, ‘Lanterna Verde’, ‘Batman’ e outros. Também passei pela Dabel Brothers/Marvel, participando do título ‘Red Profet’, e pela editora independente Zoolook Entertainment, nos títulos ‘Dread and alive’ e ‘Hitless'”, conta, acrescentando que seu trabalho mais recente no exterior foi a edição 37 de “Green Lantern: New Guardians”.
O tempo em que desenhou para as duas editoras americanas fez com que Rodney tivesse a oportunidade de conhecer diversos roteiristas. “O mais gente fina e que se tornou um grande amigo foi o Fred Van Lent, co-roterista do ‘Hércules’. Ele me ajudou e me ensinou muito. Mas já tive a honra de trabalhar com os grandes nomes dos quadrinhos, como Chris Claremont em ‘X-Men forever’ e a lenda Stan ‘The Man’ Lee na edição de número 600 do Incrível Hulk!”, destaca o artista.
Nos quadrinhos, o artista é influenciado por nomes como o do juiz-forano Mozart Couto, consagrado no meio. “Juiz de Fora ainda está caminhando lentamente na área de quadrinhos. Acredito que o público jovem esteja aprendendo a ler mais o ‘comics’, saindo um pouco da linha mangá. Eventos como este são de extrema importância para que o público tenha acesso a este produto e ao grande leque de editoras lá fora. E também o aproxima do artista, já que nossa profissão é um pouco solitária e às vezes ficamos escondidos, sem mostrar nossos rostos, porque o que o público vê é somente nossa arte”, finaliza Rodney Buchemi.
QUADRINISTAS, MANGAKÁS E FANFICS DO BRASIL
Neste sábado,
das 10h às 18h
CCBM
(Rua Getúlio
Vargas 200)

