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O novo caminho do ouro

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Sol, calor e um copinho da "estupidamente" gelada. Foi-se o tempo em que os cervejeiros buscavam somente esses conceitos ao pedir a bebida mais consumida no happy hour brasileiro. Com o interesse crescente do público nos tipos artesanais, as cervejarias têm investido cada vez mais na qualidade e na expansão da produção.

Pensando nisso, o turismólogo Rodrigo Miranda elaborou um roteiro que visita diferentes fábricas juiz-foranas em um dia. "Sempre quis fazer esse tour, e é uma boa pedida para os apreciadores da bebida, principalmente em tempos de lei seca. Além das degustações, é uma oportunidade para saber mais sobre cerveja, conhecer pratos para harmonização."

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A tradição cervejeira de Juiz de Fora remete à colonização alemã, em bairros da Cidade Alta. Foi no São Pedro, em 1860, que surgiu a primeira fábrica juiz-forana, a Barbante, uma das paradas.

A Tribuna embarcou na trilha das cervejas, conhecendo um pouco mais sobre o passado, o presente e as perspectivas da produção artesanal em Juiz de Fora.

Em funcionamento até hoje, a Barbante foi aberta pelo tetravô de Pedro Peters, atual proprietário, que retomou a produção com a mesma paixão e dedicação de seus ancestrais. "Fazemos questão que os clientes possam conhecer essa história também, temos muitos registros e imagens do início de tudo. Fazer cerveja é mais que um negócio, é uma tradição familiar."

 

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Combinações harmônicas

Atualmente, a Barbante produz cinco cervejas, todas feitas com puro malte e em processo de alta fermentação: Red ale (avermelhada com espuma branca), Pale ale (dourada de médio amargor), Weiss (trigo), Stout (amargor acentuado) e a Indian pale ale (sabor amargo e frutado), que, segundo Pedro, harmonizam-se muito com a gastronomia da casa.

"Com as temperaturas mais baixas, uma boa pedida é a Indian Pale Ale, bem forte e amarga, e combina com carnes em geral, como uma boa picanha ou iscas de peito de frango", indica Pedro. Além do copo, o pão alemão leva a cerveja também ao prato, sendo produzido à base do malte proveniente do processo de fabricação artesanal, com uma textura suave e sabor marcante.

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Quebrando o tabu de que a dobradinha pizza e cerveja não caem bem, a Artezannale, uma tradicional cantina italiana situada no Bandeirantes, produz três variedades da Artêz desde 2006: Sarha (de trigo, com aroma de rosas), Salomé (escura com especiarias) e Sabá (vermelha, encorpada e cremosa). Uma das novidades da casa, ainda não amplamente comercializada, é a Belgium Dark Strong Ale, de cor, aroma e "retrogosto" (sabor que permanece na boca após a degustação) fortes, remetendo ao café, e uma sensação gustativa um tanto seca, como a de espumantes e vinhos.

"Isso vem da alta fermentação, sem açúcar, que dá esse efeito. Ela combina com carnes de porco e doces", sugere Antero Fernandes, pizzaiolo e mestre cervejeiro à moda antiga, que faz questão de preparar as massas em frente aos clientes, em uma cozinha de vidro, além de visitar cada mesa. Uma boa dica é harmonizá-la com o calzone de creme de avelãs, mistura ideal entre o sal e o açúcar.

Também apostando na harmonização com massas, a Mr. Tugas fabrica, atualmente, nove variedades de cerveja e cinco de chope, todos especiais. "Abracei essa missão de resgatar a cultura das artesanais em Juiz de Fora, praticamente destruída com a dominação das grandes cervejarias industriais", justifica Hugo Siqueira, que acompanha desde a moagem dos grãos até o envasamento da bebida.

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Na pizzaria, uma dupla que cai bem é a escura Stout, servida com a audaciosa pizza de lâminas de picanha maturada com lascas de gorgonzola.

Para Cristiam Nazareno, que cuida de todo o processo de fabricação da Profana, cerveja do Boi na Curva, há variedades da bebida para qualquer momento. "Em países como a Alemanha, ela é tomada até no café da manhã. Esse mito de que ‘cerveja boa é cerveja leve’ é uma jogada de marketing, porque as cervejas industriais são mais ‘vazias’ mesmo, com menos sabor e consistência."

No bar, conhecido pelos seus caldos, são fabricados cerca de dez tipos, desde a tradicional Pilsen à Viena Lager, com grãos torrados e aroma que oscila entre o café e o chocolate, harmonia perfeita com caldos suaves, como o homônimo ao estabelecimento, de mandioca com carne picada de boi.

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No happy hour, a Churrasqueira é o lugar ideal para quem quiser desbravar os sabores artesanais. Com produção mensal de 15 mil litros, a Antuérpia é fabricada em cinco variedades, entre elas, a Tripel, lançamento que ainda não possui versão engarrafada, mas pode ser consumido como chope.

"Ela tem esse nome porque leva aproximadamente três vezes mais malte do que a Pilsen tradicional", explica o mestre cervejeiro Petrônio Pereira. Apesar do teor alcoólico elevado, oscilando entre 8% e 12%, e da consistência encorpada, a Tripel é extremamente apetecível e fácil de beber, com sabor marcante de grãos e aroma suave, combinando bem com a sugestão gastronômica de Petrônio, o bolinho de bacalhau.

Se a ideia é emendar a cervejinha com uma noitada, vale apostar no Brauhaus, restaurante e bar alemão, que remete aos "brew pubs" (estabelecimentos entre os pubs e as cervejarias), e fica aberto até mais tarde.

Na casa, o processo de produção da Pedro’s Bier é tão artesanal que até mesmo os tanques foram desenhados pelo proprietário, Pedro Scarlatelli, que ministra cursos periódicos de fabricação da bebida. "Existem estilos que se repetem, mas cada cervejeiro dá seu toque, com ingredientes e processos diferenciados. Aqui, eu invento o que vai para os copos."

A novidade do Brauhaus é a Vit Bier, clara, leve e feita com coentro belga e raspas de laranja, tabelinha perfeita com o cardápio majoritariamente germânico, com pães, salsichas e carnes.

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