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horus nikolaj coster waldau a esquerda e procurado por bek brenton thwaites para salvar o egito da tirania e crueldade de set

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Hórus (Nikolaj Coster-Waldau, à esquerda) é procurado por Bek (Brenton Thwaites) para salvar o Egito da tirania e crueldade de Set

Hórus (Nikolaj Coster-Waldau, à esquerda) é procurado por Bek (Brenton Thwaites) para salvar o Egito da tirania e crueldade de Set

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“Deuses do Egito” chega aos cinemas nesta quinta-feira e é mais um exemplo de que Hollywood sofre não apenas de falta de criatividade, mas de coerência, bom-senso e seres humanos que batam na mesa e digam: “isso não vai dar certo, parem de jogar dinheiro fora e dêem uma surra no sujeito que escreveu essa porcaria”. Apesar de serem tão preocupados em não sofrerem prejuízos – e por isso mesmo torcerem os narizes para projetos que costumam primar pela originalidade -, os engravatados da Meca do Cinema adoram apostar em fórmulas que quase nunca dão certo, em que um dos exemplos é a transposição para a tela grande de histórias inspiradas em mitologias ou na Bíblia. Basta lembrar, recentemente, de “Hércules”, “Êxodo: Deuses e reis”, “Imortais”, os dois “Fúria de Titãs” e até mesmo “Príncipe da Pérsia”, que é a adaptação de um videogame mas tem a Antiguidade como pano de fundo.

Mesmo com todos os exemplos citados acima, a Lionsgate e outras produtoras deram moral para o roteiro de Matt Sazama e Burk Sharpless e cerca de US$ 140 milhões para Alex Proyas (de “O corvo” e “Eu, robô”) dirigir o longa-metragem passado no Antigo Egito, recriado com pompa, circunstância e aquele ar kitsch já visto no cômico “Os dez mandamentos” da Record.

O Egito vive uma era de paz, tranqulidade e bonança sob o comando do deus Osíris, que decide passar o posto de governante da nação para seu filho Hórus (Nikolaj Coster-Waldau, o maneta Jamie Lanister da série de TV “Game of Thrones”). Quem não gosta muito da história é o irmão do rei, o maligno Set (Gerard Butler, o casca-grossa Leônidas de “300”), que resolve que chegou a hora de ser ele – e não seu sobrinho – o mandachuva do pedaço.

O “golpe de estado”, por assim dizer, é cometido durante a cerimônia de coroação, diante de todas as divindades que, inexplicavelmente, deixam o pau comer solto. Set não apenas usurpa o poder, como aproveita sua vitória sobre o sobrinho para arrancar-lhe os olhos, botá-lo para correr e instaurar uma era de caos, tirania e todas aquelas coisas que os vilões gostam de fazer quando podem mandar na galera. São poucos os que ousam desafiar o poder do novo governante, e cabe para um zé-ninguém, Bek (Brenton Thwaites), a missão de recuperar os olhos de Hórus e convencê-lo a participar da turminha revolucionária. Mesmo vivendo no ostracismo e marcado pela vergonha, Hórus não parece muito disposto a largar sua vidinha pacata (talvez pelo fato de só terem recuperado um de seus olhos), mas acaba partindo na empreitada.

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Ainda que tenha uma história rasa e interpretações massacradas pela crítica, “Deuses do Egito” pode chamar a atenção do público graças à grande muleta cinematográfica dos dias atuais: os efeitos especiais, ainda mais no formato 3D. É um festival de criaturas gigantescas, monstruosas, pirâmides que viram farelo, explosões, bem ao feitio da geração que adora a ação megalomaníaca de Michael Bay em “Transformers”. Tudo isso, ao final, deve fazer o público mais velho perguntar: o que Geoffrey Rush (Oscar de melhor ator por “Shine-Brilhante” em 1996) está fazendo ali?

Um Egito branquelo

Desde que anunciou o seu elenco, a produção de “Deuses do Egito” começou a ser criticada pelas escolhas, com atores e atrizes brancos para personagens negros e morenos que viviam no Norte da África – exceto Chadwick Boseman, que interpretou o deus Thoth. As críticas só aumentaram à medida que a data de lançamento foi se aproximando, com artistas como Bette Midler expressando seu descontentamento pela internet. Até o próprio Chadwick Boseman declarou em entrevista à revista “GQ” que apoiava a repercussão gerada pela polêmica.

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Com todo o auê criado, sobrou para o diretor Alex Proyas, que, num momento de rara sinceridade em Hollywood, pediu desculpas ao público pela escolha do elenco e àqueles que se sentiram ofendidos com as decisões tomadas. A Lionsgate seguiu a onda e também se pronunciou, divulgando nota em que reconhece ter fracassado na tentativa de promover uma maior diversidade entre os protagonistas, tendo em mente o período histórico retratado.

Esse tipo de polêmica já havia atingido recentemente o diretor Ridley Scott, devido às suas escolhas para os protagonistas de “Êxodo: Deuses e reis”, Christian Bale como Moisés e Joel Edgerton como Ramsés. O cineasta americano, porém, colocou mais lenha na fogueira ao dizer que não conseguiria o orçamento necessário se escolhesse um “Mohammed disso ou daquilo” para estrelar o longa.

Polêmicas sobre atores/atrizes etnicamente inadequados para determinados papéis não são raridade no cinema, vêm desde a época do cinema mudo. Um dos casos mais notórios é a versão de Orson Welles para “Othelo”, produzido, dirigido e estrelado por ele em 1952. Afinal, o cineasta não se intimidou e carregou na maquiagem para poder interpretar o personagem-título, o mouro que morria de ciúmes da esposa Desdêmona.

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DEUSES DO EGITO

UCI 2 (3D/dub): 13h20, 16h, 18h40, 21h20 (todos os dias) e meia-noite (sexta-feira e sábado). UCI 3 (3D): 14h20, 17h, 19h40 e 22h20. Cinemais 5 (3D/dub): 14h20 e 19h20. Cinemais 5 (3D): 16h50 e 21h50

Classificação: 12 anos

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