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Falta o diálogo

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A despeito da corrupção de seu sentido, produzida, paradoxalmente, pelos próprios atores, a política ainda é o mais eficiente meio de transformação. O problema é diferenciar a boa política das infindáveis mazelas que ora vêm à tona, fruto das investigações do Ministério Público e da Polícia Federal. O sentido se perdeu, mas ainda há esperanças à medida que o investimento na educação e em fóruns de discussão se apresenta. Na edição deste fim de semana, a Tribuna mostra o depoimento de dois jovens – um de 22 e outro de 17 anos – que apostam que ainda há saída, embora reconheçam, e com razão, que se não houver pressão popular as coisas não andam.

Mas, em vez de abraçarem o radicalismo sem causa que perpassa por alguns movimentos, preferem dialogar com os fatos e avaliar sua dimensão. São consensuais em questionar o excesso de leis quando a questão está na sua execução. Entendem a necessidade de mudança, mas usam o exercício sadio da dúvida sobre o que virá pela frente. Na avaliação de ambos, as instâncias de poder adotam o discurso fácil de reformas, mas não medem sua extensão e nem suas consequências. “Parece que a gente só tem esse caminho. E a gente não tem um só caminho a seguir”, observam.

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O modo cartesiano que adotam não tem nada a ver com o ser contra por ser contra, e sim de quem deseja aprofundar a discussão, algo que tem faltado às próprias instituições. As decisões são forjadas na calada da noite, como foi a mudança na lei de combate à corrupção, plenamente mudada pela Câmara dos Deputados. Faltou diálogo.

A crise e os impasses políticos têm exigido ações imediatas, mas o que é possível perceber é que nem todas se adaptam à verdadeira necessidade. A sociedade se envolveu no maniqueísmo nós e eles e tem encontrado dificuldade para dialogar, algo que os dois entrevistados pela TM cobram.

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