
‘Divertida mente’, o retorno da Pixar à sua boa forma, foi a melhor animação lançada este ano
No ano de 2015, os estúdios jogaram para vencer de goleada independentemente do material que seria entregue. O negócio é apostar no marketing e no gosto médio do público. Isso não quer dizer, porém, que as boas ideias tenham sido colocadas de lado, ou que os blockbusters sejam todos ruins. Muita coisa boa – ou pelo menos legal – chegou à sala escura este ano. Dentre as ideias originais, o público brasileiro pôde conferir o vencedor do Oscar, “Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância)”; o belo trabalho do diretor Wes Anderson em “O Grande Hotel Budapeste”; o desempenho doloroso de Juliane Moore em “Para sempre Alice”; a excepcional atuação de Benedict Cumberbatch em “O jogo da imitação”; e a emocionante e cativante animação “Divertida mente”, a melhor produção da Pixar nos últimos anos.
Tradicionais franquias do cinema retornaram com excelentes filmes: “Mad Max: Estrada da fúria”, de George Miller, está na lista de melhores do ano de muitos críticos, e “Missão: Impossível – Nação Secreta” é muito mais que a cena em que Tom Cruise se agarra à fuselagem de um avião durante a decolagem. “Star Wars – O despertar da Força” chegou aos cinemas para alegria dos fãs da saga espacial, com o trabalho do diretor J. J. Abrams sendo considerado superior ao de George Lucas. E as três melhores adaptações de histórias em quadrinhos de 2015 foram grandes e belas surpresas: o distópico e cruel “Expresso do amanhã”, o violento e satírico “Kingsman – Serviço Secreto” e o mais que divertido “Homem-Formiga”, da Marvel.
Seguindo a fórmula
E as franquias/adaptações são definitivamente o ganha-pão dos engravatados de Hollywood. Além das produções já citadas, boa parte das produções de 2015 é formada por adaptações de livros, HQs, séries e jogos de videogames, entre outras, mas nem todas faturando o suficiente para justificarem sua existência. Entre os fracassos, podem ser citados “Tomorrowland”, “O exterminador do futuro: Gênesis”, “Pixels” e o pavoroso reboot do Quarteto Fantástico. Ao mesmo tempo, outros blockbusters arrebentaram as bilheterias durante o período de exibição, independente ou não da qualidade. “Jurassic World”, “Velozes & furiosos 7” e “Vingadores: Era de Ultron” passaram fácil da casa do bilhão de dólares, e filmes como “Busca implacável 3”, “007 contra Spectre” e “Jogos Vorazes: A esperança – O final” tiveram bom desempenho na boca do caixa. “Maze Runner” e “A saga divergente” também arrastaram adolescentes aos montes para as bilheterias.
E a lista de adaptações não para: “No coração do mar”, “Aliança do crime”, “Perdido em Marte”, “O Agente da U.N.C.L.E.”, “Cidades de papel”, “Cinderela”, “A teoria de tudo” e o insípido “Cinquenta tons de cinza”, entre outros, também marcaram presença na sala escura em 2015. Ainda houve espaço para os remakes/reboots de “Poltergeist – O fenômeno” e “Férias frustradas”, mesmo que ninguém estivesse pedindo por isso.
Faturando com os pequenos
O cinema direcionado para as crianças também teve seu espaço no ano que termina. Além do excepcional “Divertida mente”, os pequenos puderam conferir pérolas como a animação “O Pequeno Príncipe” e os aguardados filmes com os Minions, os pinguins de Madagascar e Bob Esponja, além das continuações de “Hotel Transilvânia”, “Alvin e os Esquilos” e “O reino gelado”. Entre animações e filmes com atores de carne e osso, chegaram às salas brasileiras “Tinker Bell e o monstro da Terra do Nunca”, “Peter Pan”, “Goosebumps: monstros e arrepios” e o brasileiro “Carrossel – O filme”.
Para o bem e para o mal, era do Brasil
O cinema nacional, infelizmente, parece sofrer do mesmo mal hollywoodiano. Ainda há muita produção original sendo criada por aqui, mas a maioria dos filmes que aportam nas grandes salas é formado pelas comédias descartáveis que ora adaptam programas de TV, ora apostam exclusivamente nos artistas globais para chamar público. E o mesmo vale para os filmes de ação produzidos. A lista de filmes completamente esquecíveis é grande: “Loucas pra casar”, “Até que a morte nos separe 3”, “Bem casados”, “Superpai”, “Qualquer gato vira-lata 2”, “Meu passado me condena 2”, “Linda de morrer”, “S.O.S. Mulheres ao mar 2”, “Operações Especiais” e “Vai que cola – O filme”.
Nem tudo, porém, é lata no cinema nacional. “Que horas ela volta?” conquistou prêmios em festivais internacionais com sua reflexão sobre o abismo ainda existente entre as classes sociais brasileiras, e Lázaro Ramos esteve presente em duas boas tentativas de se fazer algo fora do lugar-comum local, “O vendedor de passados” (adaptação do livro de José Eduardo Agualusa) e “Tudo que aprendemos juntos”. A participação do Brasil na Segunda Guerra mundial foi lembrada em “A Estrada 47”, e enfim Guilherme Fontes conseguiu lançar nos cinemas o mais que enrolado – em termos de produção – “Chatô – O Rei do Brasil”, que demorou mais de 15 anos para ser finalizado.
Em Juiz de Fora, a produção local continuou intensa, com direito à participação de um dos curtas-metragens locais (“Azul”) no Festival de Cannes, na França. A cidade também teve a oportunidade de conhecer os curtas e longas produzidos por aqui em eventos como o Festival Primeiro plano, Cinema na Praça, Filmes da Estação e o Festival do Minuto, entre outros, além de eventos como o Cineclube Bordel Sem Paredes e o Ciclo de cinema Francês.
A volta de Tarantino
As maiores bilheterias de 2015 ficaram nas mãos de blockbusters como o novo “Star Wars”, “Jurassic World” e a continuação de “Vingadores”, e em 2016 não deve ser diferente, com uma enxurrada de novas adaptações e continuações já agendadas pelos estúdios. Dentro do “clubinho dos bilhões”, nenhuma produção é mais aguardada que aquela que vai reunir os dois icônicos personagens da DC: “Batman vs Superman – A origem da Justiça” chega aos cinemas em 24 de março com direção de Zack Snyder; além do Morcegão e do Homem de Aço, o longa ainda terá as participações da Mulher Maravilha, Aquaman, Lex Luthor e o monstruoso Apocalypse, servindo de aquecimento para o futuro filme da Liga da Justiça. A Warner vai lançar, ainda, “Esquadrão Suicida”, com direito ao Coringa de Jared Leto e mais um pouco de Batman. Outra produção igualmente aguardada é “Capitão América: Guerra civil’, em que o Sentinela da Liberdade e o Homem de Ferro irão entrar em confronto após um acordo internacional obrigando os super seres a se registrarem. Os quadrinho também servem de inspiração para filmes como o insano “Deadpool”, “X-Men: Apocalipse”, “Doutor Estranho”, “Gambit” e o novo “Tartarugas Ninja”.
Quem não tem paciência para os arrasa-quarteirões terá motivos para comemorar já no início do ano. “Os oito odiados”, primeiro filme de Quentin Tarantino desde “Django Livre” (2013), estreia dia 7 de janeiro. Na sequência, a expectativa é por mais uma cinebiografia do genial e genioso Steve Jobs, desta vez dirigida por Danny Boyle, e Michael Fassbender no papel principal. Charlie Kaufman, mais conhecido pelos roteiros de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” e “Quero ser John Malkovich”, faz sua segunda incursão como diretor em “Anomalisa”, enquanto que Tom Hooper conta a história do primeiro homem a mudar de sexo em “A garota dinamarquesa”, com o oscarizado Eddie Redmayne no papel principal.
Outro vencedor do Oscar com novo projeto é o cineasta Alejandro Gonzáles Iñarrítu, que contou com os talentos de Leonardo DiCaprio (principal favorito à estatueta de melhor ator este ano) e Tom Hardy no vingativo e violento “O regresso”. Bryan Cranston, de “Braking Bad”, vem sendo elogiado pela sua atuação em “Trumbo: Lista Negra”, e os irmãos Coen voltam a trabalhar com George Clooney e Josh Brolin no farsesco e aguardado “Ave, César!”.
Franquias para todos os gostos
As várias facções de trekkers terão mais motivos para debates com o lançamento, em julho, de “Star trek: Sem fronteiras”, que celebra os 50 anos da estreia da Série Clássica na TV dos Estados Unidos. Já os fãs de “Star Wars” terão em dezembro o primeiro derivado da franquia, “Rogue one”. A ficção científica terá, ainda, o “Independence Day: O ressurgimento”, que se passa 20 anos após aqueles alienígenas maus devastarem nosso planeta. Ao mesmo tempo em que buscava reconstruir o mundo, a humanidade tratou de se preparar para uma nova invasão – no que fez muito bem, como pode-se ver pelo trailer.
Outras franquias voltam à tela grande este ano. Uma delas é o elogiado “Creed: Nascido para lutar”, que dá sequência ao universo do lutador Rocky Balboa, sendo seguido por “A série divergente: Convergente”. Tom Hanks mais uma vez interpreta o professor e salvador da pátria Robert Langdon em “Inferno”, próximo filme a adaptar para a tela grande a série literária de Dan Brown, e Tom Cruise volta para mais um longa da série “Jack Reacher”. Eddie Murphy, incansável como ele só, tenta voltar a ser relevante em “Um tira da pesada 4″.
Mais remakes, reboots e adaptações
E 2016 também seria completo se Hollywood não preparasse uma sacolada de remakes, reboots e adaptações saindo do forno. Mesmo que ninguém tenha pedido, teremos um novo “Sexta-feira 13″, a versão de “Ben Hur” comandada pelo diretor russo Timur Bekmambetov (com Rodrigo Santoro interpretando Jesus Cristo), o remake de “Caçadores de emoção”, um “Caça-Fantasmas” com elenco feminino, a versão com atores de carne e osso de “Mogli – O Menino Lobo”, “A lenda de Tarzan” e “Alice através do espelho”, que mantém o elenco do filme de 2010, mas sem Tim Burton na direção.
O universo de “Harry Potter” volta a ser explorado na adaptação do livro “Animais fantásticos e onde habitam”, enquanto que “A 5ª Onda” leva para a sala escura o apocalíptico livro de ficção científica que mostra a humanidade sendo dizimada por alienígenas que cortam nossa luz, provocam tsunamis, criam vírus sem cura e ainda se misturam entre a gente. Os mortos-vivos têm sua vez em “Orgulho e preconceito e zumbis”, baseado no livro que imaginou o universo de Jane Austen como uma espécie de “The walking dead” do século XIX.
Para fechar o ciclo de continuações, adaptações e afins, o público poderá conferir no ano que se aproxima “O bebê de Bridget Jones”, o deliciosamente apalermado “Zoolander 2″, “Casamento grego 2″ e “Vizinhos 2″.
Opções para crianças e adultos
Outro filão em que os estúdios carregam nas fichas na hora de apostar é o das animações. Franquias como “Kung Fu Panda”, “A Era do Gelo”, “Como treinar seu dragão” retornam à sala escura, e até joguinhos de celular darão o ar da graça com “Angry Birds – O filme”. Outros lançamentos previstos são “Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, o filme”, “O bom dinossauro”, da Pixar, “Zootopia: Essa cidade é o bicho”, “Cegonhas – A história que não te contaram” e “Trolls”. A versão brasileira da novela mexicana “Carrossel” vai ganhar uma continuação, que chega aos cinemas nas férias de julho.
O Brasil em 2016
O cinema nacional é promessa de mais do mesmo em 2016, com a Record levando para o cinema a versão pocket da novela “Os dez mandamentos”, e mais uma lista de comédias pasteurizadas estreladas por atores globais: “Vai que dá certo 2″, “Minha mãe é uma peça 2″ e “Penetras 2″ são exemplos do que virá, sem se esquecer da onipresença do galã Cauã Reymond em “Reza a lenda”, com seu visual de “Mad Max do Agreste”. A esperança de dias melhores fica por conta de “Mundo cão” filme de vingança com Lázaro Ramos, “Em nome da lei”, de Sérgio Rezende, e “Um homem só”. Quem pode surpreender é a galera do Porta dos Fundos, que vai fazer sua estreia na sétima arte.

