
Vivenci trabalhou no esquema independente para lançar o primeiro EP autoral
Mistura sonora do Sambavesso foi lançado em CD financiado pela Lei Murilo Mendes
As mudanças não poderiam deixar de afetar o cenário local. Com o mercado retraído, a possibilidade de se conseguir uma grande gravadora fica mais difícil, então a solução é partir para a independência total ou ser agraciado com o financiamento de produção pela Lei Murilo Mendes, resultando no lançamento de oito CDs em 2014, de veteranos como Flavinho da Juventude e Estêvão Teixeira a novas apostas, caso do grupo Aguardela e de Thiago Miranda. Na seara da independência total, Luizinho Lopes (que lançou CD e DVD ao vivo), duplodeck e Vivenci são três dos nomes que mantiveram a produção local em atividade. “Muita coisa boa aconteceu este ano, mas a principal delas foi o lançamento do nosso EP. Agora, queremos tocar mais ainda em 2015, divulgar nossa trabalho também em cidades diferentes”, diz Victor Polato, baixista e vocalista do Vivenci. O projeto 4zero4, de música eletrônica experimental, se aproveita do Soundcloud para divulgar suas experimentações sonoras no mundo virtual.
Edson Leão, do Sambavesso, comemora o lançamento do primeiro álbum do grupo ao mesmo tempo que também já pensa no ano que está para começar, em que o quinteto pretende levar o som do grupo para além de Juiz de Fora – sem que Edson se esqueça, entretanto, do retorno do Eminência Parda. “Fomos forçados a sair de cena aguardando o processo de recuperação de um dos integrantes, que interrompeu o início das gravações de um repertório autoral inédito. Para 2015, a meta é retomar a banda e o projeto autoral”, conta o artista, que acredita na estreia fonográfica para o mesmo ano do projeto “Ou Sim”, de música e poesia.
Em busca de espaço – literalmente
Para 2015, a Lei Murilo Mendes vai financiar a produção de vários álbuns, entre eles “A dança das palavras” (Luisinho Lopes) e “Samba fino” (Alessandra Crispim), junto a nomes como La Macchina, DuolhoD’água Caetano Brasil e Danniel Goulart. No total, 20 álbuns foram aprovados no edital. Gravar, porém, não é o fim da estrada, é preciso ter onde mostrar o trabalho. Do clássico ao heavy metal, foram inúmeras as opções para artistas e público este ano, com a expectativa de manter o ritmo em 2015. Além das apresentações esporádicas, locais como o Teatro Pró-Música, Cine-Theatro Central, CCBM, UFJF e até mesmo igrejas, entre outros, abriram seus espaços para festivais de música clássica, antiga, rock, jazz e blues, entre outros estilos.
Edson Leão, entretanto, ainda vê ressalvas nessa questão. “Na minha percepção, em relação a espaços para a produção musical autoral, 2014 foi um misto de retração e de uma possível tomada de fôlego e impulso para novos avanços. Retração, porque sofremos de uma escassez de espaços alternativos frente ao predomínio de uma lógica mercadológica pautada pela ideia da música apenas como entretenimento. Tomada de fôlego, na medida em que veio se esboçando uma renovação no cenário musical (novos grupos e artistas, lançamentos de CDs), o que pode ser sentido em projetos como o Encontro de Compositores, que vem retomando seu vigor, e o Mutirão Digestivo Autoral. Para que um novo período de expansão se consolide precisamos de ampliação de espaço para a criação, e é bom alertar que isso em geral não vem gratuitamente e pode depender de uma melhor articulação dos artistas, seja em projetos individuais, coletivos, ou de articulação política e reivindicação.”

