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Mosaico de reflexões

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Toda obra é eterna, à medida que as pessoas a compartilham. Quando resgatamos um poema e o compartilhamos, multiplicamos essa obra, plantamos uma semente. Mais pessoas verão com outros olhos essa manifestação, acredita Robson Papandrea. O poeta é o organizador do último encontro do ano do projeto Café com poesia (e arte), aberto ao público, que acontece hoje, às 15h, no Museu de Arte Murilo Mendes.

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As palavras – verso e prosa na cultura popular brasileira é a temática proposta para a iniciativa, que nasceu em 2009, a partir das reflexões levantadas nas conversas de escritores e poetas da cidade em sua degustação do café e das palavras. O desejo de trocar ideias com interessados em poesia e literatura foi tomando corpo. Passamos a eleger temas para abordar em cada conversa, escritores para homenagear, como Clarice Lispector, Saramago, Manoel de Barros, conta a escritora Maria Helena Sleutjes, idealizadora da proposta ao lado de Ana Másala. Além dos 15 integrantes permanentes do grupo, que trocam conhecimentos com o público interessado da comunidade, visitantes de outras cidades fazem parte das discussões de tempos em tempos.

A partir das palavras, o encontro pretende levar o público à reflexão e, sobretudo, resgatar um tipo de cultura que está caindo no esquecimento ou, muitas vezes, é deixada de lado pelas camadas eruditas: a cultura oral. A nossa identidade está na tradição. As manifestações populares, a oralidade, a declamação de poesia, algo que era tão comum no país em um passado recente, estão se perdendo, alerta Papandrea, que há 40 anos se viu arrebatado pela arte quando presenciou a declamação de um poema.

Neste sentido, além de trazer à tona obras de artistas consagrados, o encontro resgatará versos e histórias tradicionais do interior do país, seja no sertão nordestino ou nos pampas sulinos. O foco estará sempre no autor, muitos dos quais são anônimos, como Chico Pedrosa, que tem uma trabalho fantástico no interior da Paraíba, ressalta o organizador. Além de Pedrosa, serão homenageados Antônio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré), Luiz Gonzaga do Nascimento (o Rei do Baião), Jessier Quirino, Luiz Fernando Veríssimo, Aldemar de Paiva, Teddy Vieira, Ochelsis Aguiar Laureano e Odilon Ramos.

Que palavra você deseja? A poesia mora exatamente onde? A partir de questionamentos como esses, o encontro pretende suscitar reflexões e mexer com os sentimentos evocados pelas memórias de cada participante. Para isso, serão levantadas relações que envolvam diversos sentidos. Trilhas sonoras específicas serão pano de fundo à escrita de trovadores e contadores, além de depoimentos e imagens dos autores lembrados, a exemplo da dança e do canto de Luiz Gonzaga, em participação em filme da década de 1950. As melodias de Tom Jobim, Franz Peter Schubert, Dilermano Reis, Valdir Azevedo, Ludwig Van Beethoven, Edgar dos Oito Baixos, Waldir Calmon e Johann Sebastian Bach embalam as peças.

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A primeira parte do Café será de humor e descontração. Entre os motes abordados estão o bem-humorado conflito que se passa em uma procissão de Sexta-Feira da Paixão em uma cidadezinha do interior, um casamento narrado como uma partida de futebol e, ainda, a divertida ida de um matuto ao cinema. Já na segunda etapa, os participantes são convidados à reflexão e ao resgate das emoções a partir do fio que conduz a força das palavras. A arte é esse fio, que nos entrelaça, que nos conduz, constata Papandrea.

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CAFÉ COM POESIA (E ARTE)

As palavras – verso e prosa na cultura popular brasileira

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Hoje, às 15h

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Museu de Arte Murilo Mendes

(Rua Benjamin Constant 790)

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