
Amor é amor em qualquer lugar; seja aqui em Juiz de Fora ou lá em Lima, no Peru. Amor é amor em qualquer idade; seja vivido por um escritor peruano de 79 anos ou por um garoto de pouca idade. O amor faz a perna bambear, a mão suar, o coração acelerar. A descoberta do sentimento mais nobre do ser humano é o ponto de partida para uma história que promete agradar crianças e adultos juiz-foranos. Baseada no primeiro livro infantil do autor peruano e vencedor do Nobel de literatura Mario Vargas Llosa, a peça “Fonchito e a Lua” chega à cidade neste sábado e domingo. O espetáculo, idealizado pelo juiz-forano Pablo Sanábio e por Felipe Lima, promete trazer ao público do Espaço Cultural Diversão e Arte uma trama infantil que foge ao padrão Disney de contar histórias.
“Sempre que penso em um projeto, fico tentando imaginar se eu iria gostar do tema da peça se eu fosse criança. Tento colocar essa criança interior que existe em mim para responder a essa pergunta”, revela Sanábio. Como tema universal, o amor foi escolhido para o novo projeto dos amigos Pablo e Felipe, que se conheceram há dez anos na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e já trabalharam juntos em “O menino que vendia palavras”, “Mas por quê? – A história de Elvis” e “R&J de Shakespeare – Juventude interrompida”.
Em “Fonchito e a Lua”, eles recriam a história imaginada por Mario Vargas Llosa. O protagonista da trama morre de vontade de dar um beijinho no rosto de Nereida, a menina mais bonita da escola. Mas ela só aceita o carinho se Fonchito lhe trouxer, nada mais nada menos, do que a Lua. A narrativa se torna ainda mais interessante por se passar em Lima, capital peruana onde a Lua aparece muito pouco, uma vez que o céu quase sempre está nublado. Mas como nada é impossível, no terraço de sua própria casa, numa noite de sorte, Fonchito descobre uma maneira de conseguir o que tanto queria.
“É um universo maravilhoso. O grande trunfo da peça é reunir esse texto e uma equipe de pessoas com as quais gostamos de trabalhar”, explica Felipe Lima. A peça tem a direção de arte, figurinos e adereços pensados e executados pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga, que utiliza elementos regionais da cultura peruana, como a palha, em contraste com o figurino em preto e branco do elenco. Daniel Herz assina a direção do espetáculo.
“Existe uma carência de projetos infantis que não sejam franquias de desenho ou contos da Disney. E existe ainda a visão de que peça infantil é menor. Levantar recurso está cada vez mais complicado. Mas precisamos continuar batalhando por projetos de qualidade; uma hora ou outra, a coisa entra no eixo”, avalia Felipe.
O espetáculo que estreou no Rio em 2014 começa em Juiz de Fora sua viagem por Minas Gerais e São Paulo. A turnê é fruto do Prêmio Myriam Muniz de Teatro, da Funarte, conquistado no último ano. Com a verba, o elenco faz apresentações em Juiz de Fora, Americana (SP), Campinas (SP) e Ipatinga (MG). Na sessão deste final de semana, por conta das gravações da nova novela das sete – “Totalmente demais” -, Pablo Sanábio será substituído pelo ator Alexandre Barros. “Sou muito grato a Juiz de Fora e a tudo o que vivi aí. Sempre tento levar os projetos para a cidade. É quase como um agradecimento por tudo o que a cidade me ofereceu. E o público é muito caloroso. É sempre um momento de felicidade”, diz Pablo.
FONCHITO E A LUA
Neste sábado e domingo, às 15h e às 17h
Espaço Cultural Diversão e Arte
(Rua Halfeld 1.322 – Centro)

