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Nas rodas da memória

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"O mais bonito de um carro de boi é o canto", afirma, com a chancela da experiência própria, o produtor rural João Batista Rodrigues. O encanto dele e de vários cujos olhos brilham ao ouvir o som contínuo do eixo das rodas apertadas pelo peso da carga do veículo é contado no documentário "Carro de boi", gravado em Ibertioga, pequena cidade mineira, da região de Campo das Vertentes, com pouco mais de cinco mil habitantes. Com equipe técnica juiz-forana, o filme tem direção de Marcus Martins, imagens de Lucas Mendonça e direção de fotografia de Maurício Mazzei, e foi produzido com recursos do Canal Futura, que o exibe hoje no programa "Sala de notícias".

Segundo Marcus, a ideia foi mostrar a importância do veículo na cultura local, a partir de depoimentos de ibertioganos. "O uso destes carros se dá por uma relação muito mais afetiva que econômica. Foi isso que constatamos quando fomos à cidade e achamos que seria um recorte muito interessante para se explorar", diz Marcus.

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De fato, como João, muitos fazendeiros locais utilizam até hoje os carros de boi, mantendo viva uma tradição do século passado, ainda que tenham que arcar com prejuízos em nome da memória. "O carro de boi tem uma manutenção cara, ao contrário do que se possa pensar,. Para usá-lo é preciso pagar a mão de obra do carroceiro, e o veículo não suporta muita carga. Mas tudo vale a pena para os bois estarem preparados para o festival", pondera João.

O evento em questão é o Festival de Carros de Boi de Ibertioga, pioneiro do gênero no país, realizado há 36 anos e fundado por Dr. José Fontana, hoje em seus 90 e tantos anos. Na época, a festa foi criada para arrecadar fundos para a construção e manutenção de um hospital, já que os ibertioganos precisavam buscar atendimento em cidades vizinhas até então.

Ainda hoje, parte da verba arrecadada com vendas e leilões é destinada ao hospital, mas a festa cumpre um papel ainda maior: a preservação da história local. "É lindo ver o desfile passando na praça principal e indo até o parque de exposições. Resgata essa tradição que não queremos que morra, e vem gente das cidades vizinhas para ver e participar. É muito bom porque vemos que nosso esforço para manter a memória não é em vão. Além disso, a festa dá uma força para o hospital", conta, com entusiasmo, João Batista.

 

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O filme mostra não apenas os preparativos para o festival, como o evento no dia em que ele acontece, além da inserção do carro de boi no cotidiano da pequena cidade. Segundo o diretor Marcus Martins, o documentário foi viabilizado por meio de um "pitching"- espécie de edital – aberto pelo Canal Futura. "Com isso, eles liberam uma verba fixa, e temos que produzir a partir dela."

Ele acrescenta que, por conta do orçamento reduzido, a equipe teve que se desdobrar em diversas funções, algo que acabou influenciando na linguagem do documentário. "Eu, por exemplo, acumulei a função de produtor, indo a campo, conversando com as pessoas, além da de roteirista. O olhar do filme é muito mais deles para a gente, resultado de um roteiro adaptado a partir do trabalho de produção." Ele conta, ainda, que o formato de documentário ajuda a imprimir o olhar pessoal à produção. "Optamos por dispensar apresentadores e locutores, intercalando os depoimentos de personagens importantes à história do carro de boi e à do festival às imagens relacionadas ao tema. O assunto é tratado sem intermediários, diretamente por quem mantém viva a tradição."

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"CARRO DE BOI"

 

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Hoje, às 14h30 (reprise 21h)

 

Programa "Sala de notícias", Canal Futura

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