
Orquestra Barroca do Amazonas fará a apresentação de abertura do festival em 1º de novembro
Após os diversos problemas que impediram a sua realização no mês de julho, como ocorria tradicionalmente, o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga divulgou os nomes das principais atrações que estarão no evento, que este ano será excepcionalmente realizado entre os dias 1º e 8 de novembro e terá apresentações no Cine-Theatro Central e Teatro Pró-Música. A 26ª edição do tradicional festival não terá a apresentação da Orquestra Barroca do Festival, substituída pela Orquestra Barroca do Amazonas (OBA), que se apresentará na abertura do evento. Com os valores de patrocínio reduzidos drasticamente (apenas R$ 370 mil), o total de artistas convidados diminuiu consideravelmente, e o único nome a vir do exterior será o cravista juiz-forano Bruno Procópio, que atualmente reside na França e fará o show de encerramento.
Segundo o coordenador do Centro Cultural Pró-Música e um dos organizadores do festival, Marcus Medeiros, faltam apenas dois nomes a serem confirmados para a divulgação da programação completa do evento, que contará com o aporte financeiro da UFJF, Funalfa e Petrobras. “Ainda temos pequenos detalhes a confirmar com a Petrobras antes de fecharmos o contato, mas eles estão dispostos a manter o apoio, que será feito de forma direta, uma vez que houve cortes na lei estadual de incentivo à cultura. E foram eles mesmos que sugeriram a Orquestra Barroca do Amazonas, juntando assim um projeto e um evento que costumam apoiar”, disse ele.
Com menos dinheiro para bancar o Festival de Música Antiga, Marcus explica que a organização preferiu compactar o evento em uma semana e dar ênfase à música colonial brasileira e antiga, com os concertos voltados para essa temática, assim como a maioria das oficinas. “Pensamos em reduzir o período de realização não só pelos problemas financeiros, mas também porque é melhor condensar as oficinas em apenas uma semana, em horários que não se sobreponham para que todos possam comparecer no maior número possível delas. Estamos tentando ainda atrair o interesse do pessoal do ensino superior em música, que pode pedir liberação das aulas para vir nesses eventos, uma vez que eles contam para o currículo. E esperamos que o público juiz-forano, que sempre incentivou o festival, compareça. Sei que não teremos o público de antes este ano, mas estamos otimistas.”
Shows e oficinas
O festival vai aproveitar a presença dos amazonenses na cidade. Os solistas da orquestra farão um apresentação especial em data a ser confirmada, além de acompanharem outros artistas. Marcus confirmou os concertos da Academia dos Renascidos com Alberto Pacheco (que também se apresentará outro dia com o cravista Mário Trilha), Davi Castelo (flauta doce) e Ana Cecília Tavares (cravo), Fausto Borém (contrabaixo) e Guida Borghoff (piano).
Quanto às oficinas, o festival não poderá utilizar as dependências do Instituto Metodista Granbery, que ainda estará no período de aulas. Com isso, elas serão ministradas no Instituto de Artes e Design (IAD) por integrantes da Orquestra Barroca do Amazonas e professores de universidades brasileiras que pesquisam na área da música colonial brasileira e antiga. Alberto Pacheco e Veruschka Mainhard (ambos da UFRJ) darão uma oficina de canto, enquanto que Bruno Procópio fará uma de cravo, e Cecília Cavalieri França vai ministrar a oficina de educação musical. Outras oficinas que poderão ser assistidas são as de música de câmara (Mário Trilha), traverso (Márcio Páscoa), violino barroco (Gustavo Medina), violoncelo barroco (Edoardo Sbaffi) – todos integrantes da OBA -, flauta doce (David Castelo, da UFG) e instrumentos históricos de cordas dedilhadas (Nicolas de Souza, da Unirio).
O festival terá, ainda, palestras sobre “História dos instrumentos de tecla”, com Mayra Pereira; “Prática vocal na Itália e no Brasil”, com Alberto Pacheco; “Musicologia histórica tradicional e retórica musical”, com Mário Trilha e Márcio Páscoa; e “Obras para contrabaixo de Lino José”, com Fausto Borém.
Quanto ao festival de 2016, Marcus Medeiros diz que a organização do evento já está pensando em alternativas, inclusive pelo fato de a Petrobras ainda não saber como será seu apoio para projetos culturais. “Há rumores de que a lei estadual de incentivo à cultura não será aberta ano que vem, então já estamos analisando o que pode ser feito para o festival ser realizado”, conclui Marcus.

