A estilista Michelly X, que hoje conta com um ateliê próprio em São Paulo e veste artistas como Anitta, Ivete e Xuxa, venceu o Miss Gay Brasil em 2000, em uma vitória acirrada que causou polêmica em uma parcela do público. Para a Tribuna, ela relembrou sua participação e memórias do concurso, com o qual continua envolvida com a produção de figurinos.
Michelly iniciou sua trajetória no Miss Gay Brasil em 1995. O título de vencedora veio após diferentes posições no pódio. No ano em que venceu, em 2000, ela enfrentou o julgamento de uma parcela do público, que preferia que a candidata do Rio Grande do Sul tivesse levado a coroa.
De acordo com a cobertura da Tribuna na época, “a paulista Michelly X levou o título, mas foi impedida de fazer o desfile da vitória, devido à exaltada reação do público, que torcia pela gaúcha Kate Spyer (terceiro lugar), cabendo à Miss Tocantins a segunda posição”.
A matéria narra o momento com tensão, relatando que, enquanto Michelly era coroada, o público vaiava e atirava latas de cerveja na passarela, impossibilitando o seu desfile final, enquanto vibrava “gaúcha! gaúcha!”. Apesar do episódio, a estilista relembra com carinho a sua participação: “Foi uma loucura, era aquela coisa do esporte, mas foi muito legal”.
Na época, a torcida se dividiu entre aqueles que apoiavam Michelly e aqueles que discordavam do resultado do concurso, que contou com Hans Donner, Valéria Valenssa e Isabelita dos Patins, considerada a drag queen mais famosa do Brasil na época, como jurados.
Sobre o resultado, Kate Spyer declarou à Tribuna na época que “a voz do povo é a voz de Deus”. Mesmo com a polêmica, a decisão do júri foi respeitada e o pódio se manteve.
Um aprendizado para a vida
Após ser coroada com o título, a paulistana manteve uma relação duradoura com o concurso, que se estende até os dias atuais. No último sábado (22), ela esteve presente no Miss Gay Brasil – e seus figurinos também. “É muito legal estar participando dessa festa, construindo também um pouco da história do concurso, é muito maravilhoso”, afirma.
Michelly destaca que participar do concurso também teve um impacto enorme em sua vida. “Ele me trouxe novas portas. Eu fiz tantas roupas para candidatas, meninas que desfilaram, então foi um aprendizado. E foi uma descoberta de trabalho que trouxe um impacto muito grande na minha vida.”
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy

