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Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga atravessa os séculos em homenagem a Joaquina Lapinha

Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga

(Foto: Fernando Priamo/Arquivo TM)

Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga
Orquestra da USP está na programação do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga (Foto: Divulgação)
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A programação do 37º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga homenageia a primeira grande cantora lírica brasileira, Joaquina Lapinha, cujo falecimento completa 200 anos em 2026. O festival reúne, de forma gratuita, de sexta-feira (24) a 1º de agosto, nomes de destaque da cena instrumental brasileira em diversos espaços culturais de Juiz de Fora.

Joaquina Lapinha foi a primeira grande cantora lírica brasileira a se apresentar profissionalmente na Europa e a primeira mulher negra a subir ao palco do Teatro de São Carlos de Lisboa, ainda no século 18. Natural de Minas Gerais, Lapinha construiu uma carreira relevante em um mundo profundamente marcado pela escravidão, pelo racismo e pelas severas restrições impostas às mulheres. A artista é homenageada na programação, contando com tributo especial à sua trajetória.

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O Festival conta ainda com um concerto com música medieval, ilustrando um tempo em que os portugueses nem haviam chegado ainda ao Brasil: “Quattrocento”, com o Conjunto Atempo, que, para dar conta de apresentar como era o ambiente musical das cortes do século 15, conta atualmente com um dos mais numerosos e ricos instrumentários do Brasil.

A programação conta também com a Camerata Lieto, com um concerto com um arco dramático de três atos que busca responder “como se traduziam as paixões humanas na corte do Rei Sol?”; o Trio Madeira Brasil, consagrado internacionalmente; além da música sul-mato-grossense de Maria Claudia Mendes e Marcos Mendes, cuja sonoridade vai do Pantanal à metrópole.

Para o encerramento, a Orquestra USP Filarmônica celebra a riqueza da música popular brasileira, representada por Sivuca, Chico Buarque e Vicente de Paula Medeiros, com a música antiga, dos mestres Johann Christian Bach, Joseph Haydn, e árias de óperas de Händel, Stölzel e Pergolesi.

Confira a programação do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga

Concerto de abertura – sexta-feira (24), às 19h

Em parceria com os chefes de naipes da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, o pianista Miguel Rossellini, que vem atuando ao lado de instrumentistas de sopro da Orquestra, instituiu o Quinteto Macam, que, neste recital, apresenta os quintetos de Mozart e Beethoven que inauguram a programação no Teatro Paschoal Carlos Magno.

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Tributo à Joaquina Lapinha no bicentenário de seu falecimento – sábado (25), às 19h

No palco do Cine-Theatro Central, a soprano mineira Núbia Eunice se junta à Metamorphosis Cia. de Arte Barroca para homenagear a trajetória de Joaquina Lapinha. No programa, óperas de Giovanni Paisiello, Marcos Portugal e de José Maurício Nunes Garcia, padre e compositor do Brasil colônia, que enfrentou o racismo e as barreiras legais por ser negro e filho de escravos alforriados até ser nomeado como mestre de capela da Igreja de Nossa Senhora do Carmo da antiga Sé do Rio de Janeiro, elevada à categoria de Capela Real por Dom João VI.

Figura central da vida musical do Rio de Janeiro no final do período colonial e no início do Império, Joaquina Lapinha destacou-se não apenas por seu talento vocal e prestígio artístico, mas também por suas escolhas pessoais e políticas. Diferentemente de muitos artistas de seu tempo, Lapinha nunca escondeu sua etnia, recusando o uso da maquiagem branca então comum nos palcos e afirmando publicamente sua identidade afrodescendente.

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Lapinha cantou na Ópera Nova, localizada ao lado do Paço, na atual Praça XV, e também no Real Teatro de São João, inaugurado em 1813, que ocupava o espaço onde hoje se encontra o Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes. Em Lisboa, foi uma das três primeiras mulheres contratadas pelo Real Teatro de São Carlos, recém-inaugurado. As outras duas eram italianas.

Piano Duo Casara-Lemos propõe diálogo entre as tradições europeias e a rítmica brasileira – domingo (26), às 19h

A parceria artística de Gabriel Casara e Rosiane Lemos se apoia em uma curiosa trajetória de reencontros. Há 20 anos, Rosiane foi a primeira mentora na música de câmara da trajetória acadêmica de Gabriel, e, hoje, ancora-se na materialização da parceria musical celebrada na partilha do piano.

Neste recital, apresentado no Teatro Paschoal Carlos Magno, é proposto um diálogo entre as tradições europeias e a rítmica brasileira por meio de danças e retratos sonoros concebidos para o piano a quatro mãos.

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Emmanuele Baldini e André Mehmari conversam com Bach – segunda-feira (27), às 19h

O cruzamento entre o rigor barroco e a liberdade da música brasileira estará neste festival no concerto “Conversas com Bach”. No palco do Cine-Theatro Central, o violinista italiano Emmanuele Baldini e o pianista brasileiro André Mehmari passeiam pelas obras do compositor alemão e pelas composições contemporâneas de Mehmari que dialogam com o barroco.

“Quattrocento” – terça-feira (28), às 19h

O Conjunto Atempo, no Cine-Theatro, transporta o público para o século 15, em que a arte europeia passava por grandes transformações estéticas, especialmente na Itália. O público poderá conhecer o som de instrumentos criados naquela época, como órgão portativo, flauta transversal, flauta doce, galubé e tambor, carrilhão, gaita de foles, clavicímbalo medieval e sino de mão, além do canto.

Trio Madeira Brasil – Quarta-feira (29), às 19h

Com quase três décadas de trajetória, o Trio Madeira Brasil chega ao palco do Cine-Theatro Central para apresentar um concerto que reúne algumas das mais refinadas expressões da música instrumental brasileira.

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Camerata Lieto e os “Afetos barrocos”, a música na corte do Rei Sol – quinta-feira (30), às 19h

A Capela Sagrada Família, no Colégio Academia, recebe a Camerata Lieto e os “Afetos barrocos”. Como se traduziriam as paixões humanas na corte do Rei Sol? Por meio de um repertório cuidadosamente selecionado, o recital “Afetos barrocos – a música na corte do Rei Sol” desenha um arco dramático que reflete as contradições da alma humana, dividido em três atos temáticos.

Maria Claudia e Marcos Mendes – sexta-feira (31), às 19h

A programação do 37º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga abre espaço para a música popular. Em formato Palco Central, no Cine-Theatro, Maria Claudia e Marcos Mendes se apresentam pela primeira vez em Juiz de Fora para “cantar aquilo que emociona, que interioriza, que faz relembrar”.

Embora seja identificada com a música sul-mato-grossense, a dupla não nasceu em Campo Grande, mas construiu ali carreira e vida pessoal. O encontro profissional aconteceu quando os dois participaram juntos de um show de Alzira Espíndola (hoje Alzira E) no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro.

Concerto de encerramento – Sábado (1º), às 19h

O 37º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga fecha sua edição com um concerto da USP Filarmônica, no dia 1º de agosto (sábado), às 19h, no Cine-Theatro Central. Os solistas Marcus Medeiros (piano), Maria Claudia Mendes (canto) e Tamara Pereira (soprano) se revezam no palco acompanhados pelos 40 músicos que compõem a orquestra, regida pelo maestro Lucas Galon.

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy

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