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‘Breakhaos’: arte, caos e breaking conduzem videodança produzido em Juiz de Fora

'Breakhaos': arte, caos e breaking conduzem videodança produzido em Juiz de Fora

(Foto: Alice Ruffo)

'Breakhaos': arte, caos e breaking conduzem videodança produzido em Juiz de Fora
Projeto aborda como viver de arte em uma sociedade marcada por um ritmo acelerado (Foto: Alice Ruffo/ Divulgação)
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Neste domingo (24), acontece a pré-estreia de “Breakhaos”, o primeiro videodança de breaking – um dos elementos do hip hop – gravado em Juiz de Fora, produzido pelo Exo Laboratório Criativo. Baseado nas vivências de Ghusta, artista e professor, a obra fala sobre a trajetória de um jovem negro periférico em sua busca para viver da e pela arte.

“É preciso ter caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante.” A frase de Friedrich Nietzsche, junto com a trajetória de Ghusta, foram o ponto de partida para a idealização de “Breakhaos”, que será exibido no Exo, que fica na Avenida Getúlio Vargas 540, no Centro, às 16h, seguido de uma roda de conversa sobre arte e saúde mental com o psicólogo Zell Haider.

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“Somos um casal de multi-artistas, e numa crise de ansiedade que eu tive em uma madrugada, entramos nessa conversa sobre as dificuldades e incertezas de ser artista dentro do capitalismo, só que ao mesmo tempo o tanto que já havíamos construído e conquistado”, explica Maria Fernanda, diretora do vídeodança, produtora e tatuadora, sobre a conversa inicial com Ghusta.

Maria relata que, ao ler “Assim falou Zaratustra”, de Nietzsche, percebeu que poderia escrever a proposta para um vídeo baseado nisso e na vida de Ghusta, que já precisou vender bala no semáforo para ter dinheiro.

“Aproveitei que estava na fase de escrita de editais, e enviei a proposta do vídeo, pois ao mesmo tempo que se baseia na vivência do Ghusta, representa o que vários de nós artistas independentes no Brasil passamos, viver entre o sonho de ser artista e a realidade de pagar contas.”

(Foto: Alice Ruffo/ Divulgação)

‘A arte nos trás afago’

“Achamos pertinente abordar o tema, porque temos a clássica frase ‘ a arte salva’, e salva mesmo. Acreditamos que uma sociedade sem arte é uma sociedade doente. A arte nos trás afago, e alívio, leveza, gera conexões e reflexões perante a realidade. Mas, ao mesmo tempo, para pessoa que é artista e criativa, e vem de uma realidade que é necessário pensar sobre como ter dinheiro e pagar as contas o tempo todo, ter ousadia para sonhar, para sair do que o sistema reserva como caminho de vida, é preciso ter muita resiliência e força mental.”

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A artista reforça que, além da pressão do sistema, para se viver de arte também é necessário vencer suas batalhas mentais e sombras internas. “A trajetória do Ghusta como homem negro, periférico, exemplifica isso. Já trabalhou como atendente de telemarketing, vendedor em lojas diversas, vendeu bala nos semáforos e seguiu acreditando na arte e no hip hop. Cultura que vive a mais de 20 anos, e hoje consegue viver exclusivamente de arte, sendo professor de dança, alfaiate e produtor cultural”, finaliza.

Para a equipe, “Breakhaos” reforça e demonstra artisticamente a potência criativa do breaking e da arte e dos artistas de periferia de Juiz de Fora. O vídeo também trata sobre equilíbrio entre luz e sombra na vida, lidando com medos e ansiedades ao mesmo tempo em que é possível descobrir como continuar dançando.

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“O processo foi também uma dança entre nós dois, nós equipe, e principalmente sobre aprender a dançar com o caos que é viver, se manter criativo e em movimento, e não deixar os problemas, medos e inseguranças nos pararem, nos fazer desistir”, afirma Maria Fernanda.

(Foto: Alice Ruffo/ Divulgação)

E completa: “Foi uma produção intensa para nós, pois apesar de fazermos várias artes – inclusive nós dois quem fizemos o figurino do filme, pois costuramos também -, nunca tínhamos feito um filme, e isso nos desafiou, e por mais que hoje nós vivamos exclusivamente de arte, e já estamos num lugar de ter realizado e viver muitas coisas que a anos atrás eram sonhos”.

Maria Fernanda afirma estar com “mil sentimentos” pelo lançamento do vídeo. Ao mesmo tempo, reforça que está ansiosa, assim como Ghusta, sobre como “Breakhaos” vai chegar até as pessoas e suas percepções. E isso vai ser possível por meio da roda de conversa com o psicólogo que acontece após a exibição.

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Sobre o Exo Laboratório Criativo

Criado em 2023, quando seis artistas se reuniram no pós-pandemia como uma forma de se reerguerem, o espaço colaborativo realiza diversas atividades de diferentes vertentes artísticas.

No Exo Laboratório Criativo há o ateliê de costura da marca Me Ghusta Salve Maria, studio de tatuagem, um ateliê de pintura, aulas de DJ e as aulas de breaking do projeto Central Breaking com o Ghusta.

O Exo também realiza eventos abertos ao público, como o mesão de desenho que ocorre uma vez por mês, e também um evento ao mês com atividades como sets de DJs, exibições de filmes, rodas de conversa, feira de moda e artesanato e flash de tattoo.

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Serviço

Pré-estreia “Breakhaos”
Exo Laboratório Criativo (Avenida Getúlio Vargas, 540 – Centro)
Domingo (24), às 16h
Entrada gratuita

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecília Itaborahy

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