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Jorge Vercillo defende carreira baseada em ‘fazer o mais bonito possível’

Em entrevista, Jorge Vercillo reflete sobre 30 anos de MPB, parceria com filho e qualidade acima das tendências; se apresenta no Cine-Theatro neste sábado.
Jorge Vercillo em Juiz de Fora - show no Cine-Theatro Central
Jorge Vercillo se apresenta neste sábado no Cine-Theatro Central (Foto: Divulgação)
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Compositor e intérprete de uma das carreiras mais consistentes da MPB, Jorge Vercillo completou 30 anos de estrada em 2025 com o mesmo compromisso que o lançou: fazer música bonita, não música vendável. Formado em jornalismo, escolheu o palco antes mesmo de usar a carteira de repórter, e desde então construiu um repertório de canções que atravessam gerações sem perder a profundidade – de “Avesso” a “Final feliz”, de “Verdade oculta” a “Homem-Aranha”.

Além de intérprete, Vercillo é reconhecido pela sofisticação melódica e harmônica de suas composições, marca que ele atribui à própria maneira de criar: para ele, é a melodia quem narra a história primeiro, e a letra vem depois para traduzi-la. No Dia da Terra, na última quarta-feira (22), lançou “Mãe Terra”, parceria com o filho Vini Vercillo ao violão.

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É em Juiz de Fora que o cantor apresenta o show “JV30 Parte II – Mais um final feliz”, neste sábado (25), às 19h, no Cine-Theatro Central – um roteiro que transita por bossa nova, ijexá, samba, R&B, reggae e jazz. Em entrevista à Tribuna, ele falou sobre a relação entre jornalismo e música, o lugar da MPB no tempo do algoritmo, o significado de criar com o filho e o que não abre mão depois de três décadas de carreira.

Tribuna: Você se formou em jornalismo, mas escolheu a música. Ainda assim, a escrita está no centro do que você faz – letras que viram marcos afetivos na vida das pessoas. Como você enxerga essa relação entre as duas profissões que convivem em você, mesmo que uma nunca tenha saído do papel?

Jorge Vercillo: Na escrita como uma redação sempre foi algo natural para mim, mas o grande diferencial das minhas letras é que elas se formam a partir das melodias que buscam sempre trazer surpresas nos intervalos melódicos e harmônicos na métrica, costumo dizer que a melodia é que me torna um músico melhor, as minhas músicas são melodias que contam uma história, e as letras tentam traduzir essa história que a melodia vem narrando.

O streaming nivelou tudo na mesma prateleira: funk, sertanejo, MPB, pop internacional – um clique de distância um do outro. Nesse cenário em que o algoritmo dita o que toca, onde você enxerga a MPB? Ela ainda briga por espaço ou encontrou um lugar próprio fora dessa disputa?

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O mercado da MPB é o mercado dito de “cauda longa”: essas músicas ficam nas programações de rádio e nas playlists ganhando uma execução por um tempo bem mais longo dentro da nossa cultura musical. Diferentemente de estilos que buscam composições mais apelativas ou repetitivas, eu me atraio muito pela melodia e pela letra que não se repete, se existe uma repetição é porque o coração da música pede para ficar mais bonito. A gente sempre busca fazer o mais bonito possível, não o mais vendável possível.

“Mãe Terra”, lançada nesta quarta no Dia da Terra, tem Vini Vercillo no violão. O que significa criar com um filho – e lançar uma música sobre gratidão à vida justamente agora, aos 30 anos de carreira?

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Eu me identifico muito com o Vinicius em cima do palco e nos estúdios, ele sempre tem de uma forma intuitiva excelentes ideias e frases para um arranjo. Já a música “Mãe Terra” é um canto de reconhecimento e comunicação com esse ser divino que juntou todos os seus elementos para formar nossos corpos nessa dimensão física. Assim como os índios e os africanos, percebemos que a mãe natureza tem uma consciência muito mais evoluída e abrangente que a nossa. Quando emanamos vibrações de gratidão e carinho com esse planeta, ele com certeza entende e responde em mais acolhimento ainda, pois tudo que eu peço é um pouco mais de tempo para nossos filhos e netos conseguirmos evoluir por dentro, como seres humanos, para no futuro entrarmos numa fase de “civilização Star Trek”, onde conheceremos outros planetas e outros mundos, mas não para explorar financeiramente nem escravizar nenhuma outra espécie alienígena. Sairemos pelo espaço como uma nave de exploração científica para continuar a aprender e virarmos gente de bem para conviver com outras formas de vida, outras formas de pensar e de ser. Para mim isso também é o amor.

Trinta anos de carreira é tempo suficiente para ver muita coisa mudar – gravadoras, rádio, streaming, comportamento do público. O que você precisou abrir mão para chegar até aqui, e o que você não abriria mão de jeito nenhum?

Eu não abro mão da qualidade da minha música, eu preciso estar apaixonado por tudo aquilo que lanço. No ponto em que eu cheguei, quero continuar cada vez mais fazendo as pessoas pensarem e se questionarem nesse mundo louco em que vivemos. É um planeta maravilhoso, mas penso que nossa humanidade precisa se libertar de muitos dogmas ainda, e se depender de mim a minha música é instrumento pra isso, como sempre foi em “Avesso” , “Verdade oculta”, “Oração Yoshua”, “Final feliz”, “Homem-Aranha” etc…

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O show “JV30 Parte II – Mais um final feliz” no Cine-Theatro Central propõe uma experiência que transita por bossa nova, ijexá, samba, R&B, reggae e jazz.  Com toda essa diversidade num só espetáculo, o que o público de Juiz de Fora pode esperar como fio condutor dessa noite – o que amarra tudo isso? 

O fio condutor é esse roteiro desenvolvido e testado várias vezes, onde a cada momento acontece alguma coisa nova no show. Os grandes sucessos estão presentes com muitos arranjos novos sem perder a natureza das músicas. Esse roteiro guarda um espaço também para o lado B que são músicas que conquistaram o coração do meu público, mas que não necessariamente foram desgastadas nas rádios ou na mídia. Essas músicas alicerçam a minha carreira já há 30 anos em diálogo com esse público fiel.

*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy

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Serviço

“JV30 Parte II – Mais um final feliz”

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