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Após chuvas, setor de eventos tenta retomar agenda em Juiz de Fora

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Após um mês das fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora, deixaram 65 mortos e mais de oito mil pessoas desabrigadas e desalojadas, o setor cultural ainda enfrenta os reflexos da tragédia e tenta retomar o calendário de eventos na cidade. Cancelamentos e adiamentos marcaram as últimas semanas, afetando produções tradicionais e mobilizando organizadores diante do cenário de reconstrução.

 Juiz de Fora foi totalmente afetada pelas chuvas e os eventos foram diretamente impactados (Foto: Leonardo Costa)

Enquanto parte das produtoras optou por suspender atividades em respeito ao momento e às dificuldades operacionais, outras decidiram manter a programação, apostando na retomada econômica e no impacto dos eventos para trabalhadores e fornecedores locais.

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Festa Country fora do calendário

Evento tradicional e já consolidado em Juiz de Fora, a Festa Country foi cancelada no último dia 11, surpreendendo o público. Em nota publicada nas redes sociais, a produção informou que, diante da situação de calamidade pública, optou por suspender todas as ações relacionadas ao evento. A decisão, afirmou a nota, foi tomada em respeito ao momento vivido por Juiz de Fora e às prioridades da comunidade.

Em entrevista à Tribuna, o diretor executivo da Front Produções, Alberto Lavinas, disse que a decisão foi difícil. “A decisão de não realizar um evento nunca é fácil, principalmente uma festa que já está no calendário fixo da cidade há décadas e tem tanta história com Juiz de Fora.”

Lavinas ressaltou que não houve recomendação técnica nem determinação de órgãos como Prefeitura, Defesa Civil, Polícia Militar ou Corpo de Bombeiros para o cancelamento. Segundo ele, porém, a Festa Country é um projeto de grande porte, cuja pré-produção começa bem antes de maio, mês em que tradicionalmente é realizada. O planejamento envolve logística, estrutura, contratação de atrações, estratégia de comunicação, lançamento e abertura das vendas, etapas que precisam ser cumpridas dentro de prazos específicos. “Quando você interrompe algum fluxo desse cronograma, sobretudo nas semanas mais importantes para o lançamento, compromete todas as demais etapas”, afirmou.

O produtor também explicou que as condições climáticas afetam direta e indiretamente o calendário de eventos. Segundo ele, festas ao ar livre exigem uma pré-produção muito diferente da necessária para eventos em espaços fechados, como teatros e auditórios, geralmente de menor porte e duração. “Todo produtor de eventos acompanha a previsão do tempo o tempo inteiro. Isso já faz parte da rotina. No caso de Juiz de Fora e região, com volumes muito altos de chuva registrados no último mês, o impacto não recai apenas sobre a realização do evento, mas também sobre a fase de planejamento.”

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Para o diretor, Juiz de Fora vive um momento de reconstrução e mobilização coletiva. A expectativa, segundo ele, é de que a cidade consiga se reerguer o mais rápido possível, recuperar sua força econômica e retomar plenamente atividades em áreas como educação, saúde, turismo, lazer e cultura. “O setor cultural também vai precisar se refazer, com o apoio de todos os envolvidos”, disse.

Reflexos no calendário

A lista de eventos cancelados ou adiados em Juiz de Fora cresceu nas últimas semanas. No Privilège JF, a roda de pagode “Soul Samba” foi adiada na quinta-feira (19), sem nova data definida, e o Santo Beat, previsto para 13 de março, acabou cancelado por determinação da Prefeitura após as fortes chuvas que atingiram a cidade.

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Já o Samba 360 nas Alturas, previsto para 14 de março, foi adiado por causa das condições climáticas. Vocalista do Grupo Alquimia e sócio do evento, Mateus Marchiote afirma que recebeu a decisão com tristeza. Segundo ele, como artista local, o propósito é levar entretenimento e alegria ao público, mas, diante de uma catástrofe, isso perde o sentido. Ao mesmo tempo, destaca que o momento exige responsabilidade social e mobilização para ajudar as pessoas afetadas, inclusive com o uso da visibilidade dos artistas para arrecadar doações.

Produtores acreditam ainda que realizações pode impactar na retomada da economia em Juiz de Fora (Foto: Felipe Couri)

Marchiote destaca que o adiamento também traz dificuldades práticas, já que a remarcação depende da disponibilidade de fornecedores, equipes e atrações nacionais, o que pode gerar prejuízos e exigir reajustes. Ainda não há nova data para Juiz de Fora. Em Barbacena, porém, a programação segue mantida para 9 de maio, com show do grupo Safadiar.

Retomada da agenda

Apesar de adiamentos e cancelamentos, algumas produtoras de Juiz de Fora decidiram manter a agenda de eventos já planejada. Uma delas é a Feat Produções, responsável pelo Festival de Verão, que acontece neste sábado (28) no Estádio Municipal. Segundo o CEO Fernando Sotrate, a decisão de seguir com a programação foi tomada com responsabilidade e levando em conta o impacto econômico do evento na cidade.

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Ele afirma que quase 100% dos fornecedores contratados são de Juiz de Fora, justamente para gerar renda e fortalecer a economia local. Sotrate destaca ainda que a estrutura do festival envolve dezenas de fornecedores, artistas e um público expressivo – o que tornaria uma eventual remarcação extremamente complexa e, na prática, poderia inviabilizar o projeto.

Na mesma linha, a Page Produções explica que a decisão de manter os eventos também passou, antes de tudo, por quem trabalha diretamente nas produções. Outro ponto considerado, afirmam, foi o comportamento do público: mesmo sem propaganda no ar, as vendas continuaram, o que sinalizou interesse na realização. Além disso, a produtora viu na presença de um artista nacional a possibilidade de ampliar a arrecadação de doações por meio dos ingressos solidários. Um dos shows da produtora acontece neste fim de semana: Bruna Louise se apresenta no Cine-Theatro Central, na sexta-feira (27). 

Sotrate acrescenta que a organização acompanha de perto a situação de Juiz de Fora e faz ajustes operacionais sempre que necessário. Ele afirma ainda que o planejamento logístico e de segurança foi reforçado, especialmente em relação a acessos, mobilidade e estrutura, e que a prioridade continua sendo a contratação de fornecedores locais. “Acreditamos que cultura, entretenimento e economia caminham juntos, e que eventos bem organizados podem contribuir para devolver movimento, renda e confiança para Juiz de Fora.”

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*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy

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