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Redação da Tribuna dá oito dicas de livros para o Natal

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Então é quase Natal, e o leitor e a leitora da Tribuna ainda estão na correria dos presentes que precisam estar embaixo do pinheirinho até a noite do dia 24 de dezembro: afinal, o 13º salário acabou de cair na conta e é preciso fazer aquele agrado para os pais, irmãos, tios, primos, namorados e namoradas, maridos e esposas, filhos e filhos, amigas e amigos e até mesmo aquelas pessoas que toleramos, nem que seja nas festas de fim de ano.
Pensando em quem precisa de dicas de presentes bons e práticos e está correndo contra o tempo, a redação da Tribuna preparou uma lista com oito livros que podem quebrar aquele galho para quem está rodando pelas lojas da cidade e ainda tem que preparar a ceia. São publicações de autores e gêneros dos mais variados, e que tanto podem ser a boia de salvação para o Natal quanto uma opção para o leitor ou leitora já começar 2022 com um bom livros em mãos.

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“Pequena coreografia do adeus”, de Aline Bei
(Betta Mazocoli)
“Pequena coreografia do adeus”, da escritora brasileira Aline Bei, é um romance em versos que se debruça sobre a vida, com suas perdas, desencontros e formas de existência. A obra se inicia com Júlia, ainda criança, olhando para o pai com uma mulher que não é sua mãe, e sendo obrigada, a partir disso, a lidar com toda a mágoa que sente e com as novas configurações de família que sua casa passa a tomar. Ela está no meio de um casal ruído e teme a possibilidade de que este abandono se estenda também a ela, ainda pequena demais e sedenta pelo afeto dos dois. Ao longo da obra, vemos como uma dança o seu amadurecimento: ela sofre com a solidão da mãe, passa a ver o pai se tornar um típico recém-solteiro, fica agressiva com quem se aproxima, faz aulas de balé, escreve em seu diário e cresce a cada página, em uma descoberta contínua de quem é e pode ser. Traduzindo sentimentos indizíveis e seguindo um ritmo único que nos conduz do início ao fim, a escritora vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura não nos deixa esquecer as delicadezas e rupturas do dia a dia.

“Café da manhã dos campeões”, de Kurt Vonnegut
(Júlio Black)
Kurt Vonnegut era mestre em usar o bom humor, a sátira e a ironia em suas observações a respeito do ser humano em geral e sua terra natal, os Estados Unidos, em particular. E assim por diante. Lançado em 1973, “Café da manhã dos campeões” tem uma das tradicionais tramas absurdas e geniais do escritor: personagem que já havia aparecido em outros romances (“Matadouro-Cinco”, “As sereias de Titã”), o autor de livros de sci-fi – e alter ego de Vonnegut – Kilgore Trout descobre que um sujeito comum, Dwayne Hoover, está à beira da loucura por levar suas histórias ao pé da letra. O encontro é anunciado no primeiro parágrafo do primeiro capítulo, e o caminho que leva a esse encontro é marcado por personagens tão estranhos quanto os protagonistas e a prosa brilhante de Vonnegut. E assim por diante.

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“Copo vazio”, de Natalia Timerman
(Cecilia Itaborahy)
“Copo vazio”, de Natalia Timerman, foi uma grande e feliz surpresa. Comecei lendo um tanto desinteressada, depois de ter passado por críticas desanimadoras. No entanto, ao contrário do que imaginava, ele tinha exatamente o que gosto e vinha procurando. “Copo vazio” conta sobre Mirela e sua procura por Pedro, homem que ela ama profundamente. A alternância de tempo entre os capítulos, que mesclam entre presente, passado e futuro, é só um detalhe no fluxo totalmente leve e, ao mesmo tempo, sufocante de uma busca desenfreada e, aparentemente, sem fim. É inegável a relação deste livro com um de Clarice Lispector, “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”. Não como cópia, mas fonte de inspiração (principalmente na relação e a ocupação da personagem com a cidade e o entendimento desse “eu”). Para aprofundar no que se passa no processo de luto amoroso e nas consequências de tudo isso na vida de quem teve o coração partido, mas em uma leitura gostosa.

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“O filho de mil homens”, de Valter Hugo Mãe
(Nayara Zanetti)
Aqui a solidão é um fio que entrelaça diferentes histórias. O ponto de partida é o personagem Crisóstomo, um pescador de 40 anos que sonha em ser pai e carrega consigo um grande vazio. Mais tarde, ao adotar o jovem Camilo, ele encontra respostas, que se completam quando conhece Isaura, e por aí vai. Há momentos de identificação com cada personagem, e aos poucos cada um se une por sentimentos em comum. É como uma teia: as histórias vão se conectando, e aqueles que antes estavam sozinhos vão se aproximando até se tornarem uma família. “O filho de mil homens”, do escritor português Valter Hugo Mãe, é uma prova de que os verdadeiros laços exigem sensibilidade e despertam a esperança do amor. Uma leitura que te conduz para dentro do universo do vilarejo litorâneo em que vive Crisóstomo e sua família, e te transporta para todos os cantos.

“A uruguaia” de Pedro Mairal
(Renan Ribeiro)
A maioria dos livros que chegam às minhas mãos vem por indicações de outras pessoas. “A uruguaia’, romance do argentino Pedro Mairal, não foi diferente. Surpreendeu-me o fato de trazer um relato sincero sobre os conflitos, as contradições e, principalmente, os sentimentos de um homem a respeito de suas relações. Sem muitos spoilers, o livro é como uma carta de confissão: escancara as dificuldades, esmiúça as culpas, traz à tona o que costuma se esconder no silêncio, sem meias palavras. É interessante, íntimo, tem um ritmo que te faz querer ir até o fim em pouco tempo. Fiquei pensando por algum tempo na narrativa e, quando terminei, queria que tivesse mais.

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“As cem melhores crônicas brasileiras”, vários autores
(Wendell Guiducci)
“As cem melhores crônicas brasileiras” é uma compilação de textos escritos por dezenas de autores desde as primeiras décadas do século XX até o início do século XXI no país. Organizado por Joaquim Ferreira dos Santos – ele mesmo cronista de mão cheia -, o livro passeia por estilos diversos de crônicas, umas vezes mais introspectivas, em outras mais arejadas, sempre com um olho na realidade mais cotidiana. Nomes como Rubem Braga, Clarice Lispector, João do Rio, Cecília Meireles, Millôr Fernandes e muitos outros se revezam em textos essenciais para entendermos a literatura de jornal no Brasil. É daqueles livros que nunca terminamos, pois a ele sempre retornamos. Um presentão de Natal.

“Travessuras da menina má” de Mario Vargas Llosa
(Marcos Araújo)
Há algum tempo, o livro “Travessuras da menina má”, do peruano Mario Vargas Llosa, repousava na minha estante sem despertar o meu interesse. Um dia, sem nenhuma indicação, resolvi pegá-lo. Para minha surpresa, logo nas primeiras páginas, fui fisgado pela história. A obra é uma ficção, levemente autobiográfica, que acompanha a desventura de um casal em meio a acontecimentos que marcaram o mundo durante a segunda metade do século XX. Trata-se de um belo romance para quem se interessa por história, jornalismo e narrativas sobre desencontros. Sem falar que o autor, expoente da literatura latino-americana, foi laureado com o prêmio Nobel de Literatura, em 2010.

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“Como as democracias morrem” de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt
(Renato Salles)
Qual livro eu indico? Para mim, esse tipo de pergunta é sempre difícil. Não me pergunte, por exemplo, qual é o meu filme favorito. Nem quem foi o melhor jogador da história do meu Corinthians. Eu não sei responder esse tipo de coisa. Tipo um bug mesmo. Contudo, não vou fugir da missão que me foi dada. Não tenho lido grandes romances. Ou best-sellers. Por recorrentes vezes, os ossos do ofício me levam a leituras sobre o atual cenário político nacional e global. Assim, nos últimos anos, para mim, um livro de referência tem sido o clássico recente “Como as democracias morrem”, dos americanos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, de 2018. Eles falam da política americana recente e também de autocracias do passado. A despeito disso, o conteúdo não pode ser considerado datado, pois é muito fácil identificar semelhanças com a atual discussão política brasileira. Por vezes, volto e releio um trecho ou outro. Leitura indispensável às vésperas de mais um processo eleitoral que se avizinha.

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