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Pato Fu faz manifesto otimista para dias cinzentos em novo álbum

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Divulgação

O Pato Fu está de volta, mesmo que jamais tenha dito “até logo”. Sete anos após lançar “Daqui pro futuro”, seu último álbum autoral, o grupo lança seu nono álbum de inéditas, “Não pare pra pensar”, um “quase manifesto otimista” para dias cinzentos que, entretanto, passa a milhas e milhas de distância da autoajuda rasteira, seja ela musical ou literária. O disco traz ainda mais uma cover que ganhou as tintas sonoras do quinteto (“Mesmo que seja eu”, de Erasmo e Roberto Carlos) e a participação especial de Ritchie, que empresta sua voz para “Pra qualquer bicho”.

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Tanto tempo sem material inédito não significa que Fernanda Takai, John Ulhoa, Lulu Camargo, Ricardo Koctus e o novo integrante, Glauco Miranda andaram longe dos palcos e estúdios: um exemplo é o álbum “Música de brinquedo”, de 2010, de releituras de hits alheios com instrumentos de brinquedo, que até hoje rende dividendos. “Nestes sete anos, tivemos outros projetos. Foi o ‘Música de brinquedo’, que está em turnê até hoje, os meus discos solo, outros projetos pessoais que ocupavam nosso tempo livre. Quando entreguei o meu mais novo disco solo (‘Na medida do impossível’), em janeiro, o John pôde escrever as letras, e aí gravamos o álbum”, conta Fernanda Takai.

Dos grupos surgidos nos anos 90, o Pato Fu sempre foi o mais hábil em manter a pegada pop com os elementos do rock e outros sons que fazem a cabeça de seus integrantes, mesclando isso a letras que tanto podem ser bem-humoradas, otimistas, engraçadas, irônicas, românticas e sérias, atingindo um espectro que vai de “O processo de criação vai de dez a cem mil”, “Made in Japan”, “Canção para você viver mais” e “Rotomusic de liquidificapum”. Em “Não pare pra pensar”, os sentimentos de otimismo (“Cego para as cores”), carma involuntário (“Crédito ou débito”) e de paciência (“Siga mesmo no escuro”), entre outras questões (a pressão para levar uma vida “normal”, na irônica “You have to outgrow rock’n’roll”) convivem bem com guitarras, violões, teclados e batidas eletrônicas, resultando em canções animadas, solares e dançantes, num clima de anos 80 que remete a artistas como Adam and The Ants e The Cure – em suas melodias mais alegres, claro.

“O John olhou bastante para todos nós (quando escreveu as letras). Todo mundo aqui passou pela sua crise dos 40 anos. Eu tenho 43, o John, 49, o Lulu, 50 anos. Nessa fase, a gente realiza um balanço do que fez quando mais novo, questionamos as decisões que tomamos. Ele (o disco) reflete a nossa tranquilidade no dia a dia, saber que você não vai ficar bem ou mal o tempo todo, que é preciso esperar para que as coisas sejam realizadas”, explica, antes de acrescentar. “As bandas que a gente mais ouviu na vida foram as dos anos 80. O John gosta de The Clash, eu, de Duran Duran, todos nós, de Talking Heads. Somos da geração dos anos 90, que cresceu ouvindo os grupos da década anterior. Tanto que o Ritchie, de quem sou muito fã, está no álbum. Nós gravamos ‘Pelo interfone’ para o ‘Música de brinquedo’, ele cantou conosco em um show em Belo Horizonte e aceitou na hora o convite para participar de ‘Pra qualquer bicho'”. Já a regravação de “Mesmo que seja eu” foi feita há três anos, ainda com Xande Tamietti na bateria, para um projeto para a internet, com viés ecológico, que não rolou. Como a sonoridade era próxima da “alma” do novo trabalho, ela acabou incluída.

Trabalhando em casa – literalmente

A tranquilidade de que fala a vocalista pode também ser explicada pelo modo “família” de o grupo trabalhar. Desde 2004, o Pato Fu grava suas músicas na casa de John e Fernanda, em Belo Horizonte. “A gente tem uma autonomia muito grande, não depende de horário ou verba, podemos gravar em horários normais. Na verdade, a gente nunca trabalhou de madrugada, exceto nos shows. Saímos para pegar a Nina, nossa filha, na escola, podemos almoçar em casa. Montamos um cotidiano que pode ser muito eficiente, sempre procuramos ter uma agenda organizada e tranquila para fazer nossas coisas.”

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Em matéria de “coisas”, trabalho continua a sobrar para o Pato Fu. Mesmo lançado em 2010, “Música de brinquedo” (que rendeu um Grammy Latino de melhor álbum infantil para o quinteto), segue na ordem do dia. “Você não sabe o tamanho da demanda do ‘Música de brinquedo’. Quando a gente pensa em parar, alguém nos convida para shows, é uma prefeitura que vai realizar um evento direcionado às crianças e que resolve nos procurar. Mas vamos investir mais em fazer o novo show, em março vai começar a nova turnê, e o ‘Música de brinquedo’ vai ser feito eventualmente. Atualmente, é quase meio a meio”, lembra ela. “Além disso, em 2015 vou fazer a turnê do meu disco solo com a do ‘Não pare pra pensar’. Mas é tranquilo, fazemos isso há pelo menos sete anos.”

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