A literatura complexa e profunda de Guimarães Rosa não intimidou o diretor Vinícius Coimbra, que fez sua estreia no cinema adaptando a obra do mineiro. A hora e a vez de Augusto Matraga abriu o Festival Primeiro Plano, na segunda, trazendo uma nova versão cinematográfica para um dos contos mais célebres do livro Sagarana. Para colocar sua versão da história na tela, o diretor bancou a inevitável comparação com o clássico de Roberto Santos, de 1965. Foi um pouco de irresponsabilidade. Não quis olhar o tamanho desse risco. Decidi seguir o meu desejo, e a obra acabou se mostrando uma facilitadora, pois nos deu uma boa história para contar, comenta Coimbra, que veio a Juiz de Fora para participar da pré-estreia do filme no Espaço Alameda de Cinema.
Um discurso de resistência marcou a noite de abertura do Primeiro Plano. A dificuldade de se encontrar patrocínio para o evento e a falta de apoio do empresariado local, mesmo com projeto de dedução fiscal aprovado pela Lei Rouanet, foram destacados pelo coordenador geral do festival, Aleques Eiterer e também pelo superintendente da Funalfa, Toninho Dutra. Cenas de guerrilha foram utilizadas como metáfora da difícil luta do evento para viabilizar sua décima edição, assim como depoimentos gravados em um banheiro.
Diretor do curta Bomba, financiado pelo prêmio Incentivo Primeiro Plano 3, Francisco Franco levou quase um terço da plateia para a frente da tela, como reconhecimento ao grande número de pessoas que colaboraram na realização do filme. O tom de comemoração entre amigos prosseguiu durante toda a exibição do filme, que narra, entre o cômico e o dramático, as agruras de um adolescente diante da impossibilidade de comunicação com os pais, com a escola e com a garota que deseja namorar.
O curta argentino Luminaris (Juan Pablo Zaramella), vencedor do festival Tandil Cortos em 2011, abriu a programação da noite, merecendo aplausos entusiasmados da plateia. Exibindo um tipo de animação a partir de fotografias, o filme impressionou pela qualidade técnica e também pelo roteiro, que cria uma divertida fábula com surpreendente final lírico.
