Os Coopers vão entender da pior maneira o que é ter um dia longe de ser perfeito
Para Alexandre (Ed Oxenbould), a vida é uma infinita sucessão de dias ruins. E ninguém parece se dar conta disso, seja na escola ou em casa. São fotos constrangedoras distribuídas no celular, o trabalho escolar que pega fogo, os pais que esquecem de pegá-lo ao final da aula. Por outro lado, tudo corre bem na família, eternamente otimista. De saco cheio de ser o único a encarar as bad trips do cotidiano, ele aproveita o aniversário para fazer um pedido: que seus pais e irmãos saibam o que é ter um dia de cão, daqueles em que tudo dá errado. Mas tudo mesmo.
E é daí que “Alexandre e o dia terrível, horrível, espantoso e horroroso”, a nova produção da Disney, tenta tirar sua graça, seguindo a linha já vista em comédias ótimas (“Quero ser grande”, um dos melhores momentos de Tom Hanks), boas (“O mentiroso”, com Jim Carrey) e outras muito longe disso (“De repente 30” e os dois “Se eu fosse você”), quando alguém faz um desejo e, sem nenhuma explicação plausível, o pedido se torna realidade: trocas de corpos, gente que cresce do nada, maré de azar, sinceridade suprema etc. O dia seguinte da família Cooper se torna um tormento, exceto para o aniversariante, que assiste aos entes queridos sentindo na pele o que é ter um dia terrível, horrível e horroroso.
Cada um tem seu inferno particular. O patriarca, Ben (interpretado pelo excepcional Steve Carell), desempregado há meses, está com uma entrevista agendada em uma empresa de videogames e é obrigado a levar o bebê da família, que chora sem parar; a mãe, Kelly (Jennifer Garner), que trabalha como editora, está próxima de uma promoção daquelas, mas terá de correr contra o tempo para impedir que um livro com erro de grafia chegue à gráfica; Emily (Kerris Dorsey), a irmã, fica gripada e sem voz no dia da apresentação de “Peter Pan” – em que faria o papel principal – no colégio; e o irmão mais velho, Anthony (Dylan Minnette), amanhece com uma espinha gigantesca no dia da festa de formatura – e ainda é reprovado no teste de direção, ficando sem a tão sonhada carteira de motorista. Ah, ainda há espaço para um canguru boxeador e fugitivo e um jacaré penetra, entre outras mazelas.
Como se trata de um filme da Disney, é de se esperar que todos esqueçam as brigas, as crises e diferenças e se abracem no final, felizes por estarem juntos e amarem um ao outro. Afinal, como diz o Alexandre num dos momentos de quase ruptura da família, “é preciso ter dias ruins para gostar ainda mais dos bons”. Mais Disney que isso, impossível.
ALEXANDRE E O DIA TERRÍVEL, HORRÍVEL, ESPANTOSO E HORROROSO
UCI 2 (dub): 18h20. UCI 2: 20h15 e 22h10. Alameda 5 (dub): 14h40, 16h50, 19h e 21h10
Classificação: livre

