
"Muitos preparos culinários ao longo da historia sul-americana receberam o nome de Charquicán, mas registros antigos dão conta de que o prato surgiu no período do Império Espanhol (séculos XVI e XVII), associado ao trânsito de comerciantes de prata entre as minas de Potosí e a antiga rota inca de Cápac Ñan (no Chile), também utilizada por conquistadores espanhóis e transportadores locais." Quem conta a história, por e-mail, é o chef chileno Ramón González, atualmente à frente do Restaurante El Cid do Hotel Sheraton Santiago, no Chile.
Medalha de prata na Achiga (Asociación Chilena Gastronomica) pela categoria menu completo, González é um dos destaques do festival gastronômico chileno que acontece no Sheraton Rio Hotel & Resort, no Rio, de 25 a 30 outubro. Um dos pratos escolhidos para o evento é o Charquicán, cujo preparo ele ensina hoje aos leitores. "Naquela época, era comum encontrar diversos alimentos como o o charque (carne-seca), misturados a outros produtos que os viajantes adquiriam ou colhiam no meio do caminho", comenta o chef.
Segundo ele, é da heterogeneidade e da simplicidade que se caracterizam os alimentos consumidos pelos antigos viajantes. "A palavra charquicán era utilizada para descrever a gastronomia mestiça e humilde. Uma das primeiras preparações que levaram esse nome foi uma pasta de pimenta fresca moída e sem semente, à qual se adicionavam carne-seca e outros ingredientes encontrados na fronteira entre o Peru e o Chile, como batatas, abóbora, batata-doce e mandioquinha", conta.
Rude, porém de alto teor nutricional, o prato é consumido em vários países da América Latina e conta com diferentes versões e ingredientes.

