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Meio século de iê-iê-iê

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Coordenando o Fab fifty, Rodrigo Andrade faz tributo aos Beatles, sua maior influência musical
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Coordenando o Fab fifty, Rodrigo Andrade faz tributo aos Beatles, sua maior influência musical

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"A arte nos faz sentir vivos e conscientes, mas raramente ela nos faz sentir felizes. Cinquenta anos depois, a música dos Beatles ainda sobrevive porque eles nos dão um dos sentimentos mais incríveis: o de que a felicidade é algo que cabe na nossa mão." Foi assim que o escritor e ensaísta americano Adam Gopnik, em texto para a rede de notícias BBC, definiu o porquê da duração e da adoração aos quatro rapazes de Liverpool, que mudaram para sempre o que se sabe sobre música. Ao redor do mundo, eventos e edições especiais de gravações marcam os 50 anos daquele que foi o primeiro registro fonográfico dos Beatles, o single "Love me do", de 1962. Na cidade, um projeto recém-saído do forno também presta sua homenagem. Coordenado pelo músico Rodrigo Andrade, da banda local Operação Tequila, o "Fab fifty" reúne músicos de Juiz de Fora interessados em criar suas versões para músicas dos Beatles.

Com ideia de lançar toda a discografia da banda inglesa, o "Fab fifty" já colocou na internet, por meio do endereço http://soundcloud.com/the-fab-fifty, o primeiro álbum "Please please me", em que já podem ser ouvidas as 14 faixas, a exemplo de "Love me do", na versão da banda Neurótica, e a que dá nome ao álbum com Fernanda Vianna e Mauro Borges. Além destas, outros três singles podem ser curtidos: "From me to you", clássica do estilo que marcou o início dos Beatles, com Monique Leitão e Guilherme Veroneze, "She loves you", com Luis Felga, e "Thank you girl", com Martiataka. "Nos empolgamos com o projeto e fizemos uma verdadeira mistura na música, mas sem abrir mão da nossa característica, até para valorizar também nosso trabalho autoral", diz o baixista do Martiataka, Thiago Salomão.

 

Apesar de os Beatles terem revolucionado o rock’n’roll, o "Fab fifty" traz outros gêneros e versões diferenciadas para as canções. A dançante "Twist and shout" ganha ritmo pop e balanceado com Ricardo Oliveira. "Misery" é apresentada de forma instrumental por Guilherme Soldati, e a faixa que abre o álbum, "I saw her standing there", tem seu ritmo diminuído na versão do Trio Neurótico. "Tive a ideia de fazer o projeto como forma de homenagear os Beatles, que são a minha maior influência musical", explica Rodrigo. "A preocupação não foi chamar pessoas por serem de estilos diferentes. Convidei amigos, e cada um gravou, como podia, sua versão no seu estilo. A pluralidade foi uma consequência", acrescenta. Responsável pela versão de "A taste of honey", a banda Radioleft optou pela canção pelo desafio de trabalhar em uma faixa mais desconhecida. "Mudamos toda a estrutura. Fizemos em um estúdio com bastante guitarra. É muito bacana participar de algo para os Beatles", destaca o vocalista e guitarrista da Radioleft, Luis Gustavo Mandarano.

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Como as canções foram gravadas separadamente, cada uma tem um padrão de gravação. Algumas, inclusive, foram feitas nas casas dos músicos, somente com um computador. Outras foram trabalhadas em estúdios. Para completar a discografia, os participantes ainda não estão totalmente definidos.

A escolha por lançar o material somente na internet, pelo menos por enquanto, segundo Rodrigo, foi para democratizar o acesso e também facilitar para os músicos, que participaram de forma individual. "Digo que a internet é uma ‘praga do bem’. Ela encurta caminhos e retira a burocracia." O plano, porém, é, futuramente, preparar um CD com o conteúdo, além de fazer shows especiais. "O bacana da ideia é que, ao final, cada banda que participar do projeto todo terá praticamente um álbum inteiro somente com suas versões para os Beatles."

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Também estão disponíveis no site as versões de "Anna (Go to him)" (João Brando e Luciano Fernandes), "Chains" (Rodrigo Andrade), "Boys" (Alexandre Tomate e Luciano Fernandes), "Ask me why" (Serrote), "PS I love you" (Rodrigo Rebouças e Guilherme Gravina), "Baby it’s you" (Operação Tequila), "Do you want to know a secret" (Igor Simas) e "There’s a place" (Blend 87).

 

Há 30 anos à frente da Beatles Forever, Francisco Bustamante, vocalista e baixista da banda cover dos ingleses, ressalta que o vazio deixado na música mundial com o fim dos Beatles não foi nem nunca será preenchido. "É como no futebol. Tivemos o Pelé, hoje o Neymar, mas não é a mesma coisa", compara. Para Bustamante, tudo nos Beatles funcionava, mesmo com a pouca idade com a qual todos eles começaram. "Eles entraram de cabeça com tudo. Era uma novidade que caminhou por uma praia nunca antes transitada."

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Para Adam Gopnik, em texto para a BBC, "a música dos Beatles é duradoura, sobretudo por causa do poder da colaboração entre opostos". O escritor diz que os Beatles refletiram o seu tempo. "Eram um espelho para uma década que todos ainda reverenciam – os anos 60. Mas quanto mais eu os escuto e mais o tempo deles vai ficando no passado, mais fundamental o som deles se torna."

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