Foram cerca de 45 dias para a produção da mostra "Paralela" ser concluída e menos de 24 horas para ser destruída pela metade. Seis das 11 fotografias adesivadas, na última sexta, em 11 pontos de ônibus espalhados pela Rua Professor José Lourenço Kelmer e pela Avenida Presidente Costa e Silva, no Bairro São Pedro, foram danificadas. A finalidade dos 11 fotógrafos participantes era reproduzir, em via pública, o que vem sendo demonstrado em galerias locais através do projeto "Foto 11" na mostra cujo tema é "estranhamento".
A proposta contou com a coordenação da fotógrafa Nina Mello, que apostou na interação com público, mas não esperava uma reação tão rápida. "O pior é que não se trata de contestação ao tema, mas puro vandalismo", disse Nina, que notou a ação no sábado pela manhã.
Na tarde de ontem, a Tribuna percorreu o trecho da Presidente Costa e Silva compreendido entre o portão da UFJF e a UPA São Pedro, onde cinco pontos da esquerda e um da direita estavam sem as imagens. Em um deles, alguns pedaços retirados foram embolados e deixados no chão. Esse trabalho, que trazia um bode solto numa vila de pescadores próxima a Jericoacoara, no Ceará, é de autoria da fotógrafa Paula Rivello, da Tribuna, que também se indignou com o fato. "A proposta era trabalhar com os estranhamentos vividos por cada profissional. Minha intenção, aliás, era registrar a reação que as pessoas estabeleceriam com as obras, mas, diante das imagens depredadas, não será mais possível", comentou.
Além de Paula e Nina, as fotógrafas Tainá Novellino, Valéria Faria, Marina Costa e Rizza tiveram a reprodução de seus trabalhos danificada. Em um ponto mais povoado, onde uma parte da foto foi arremessada sobre o teto da estrutura, a professora africana Cecile Kapinga estava assustada, pois teria visto os trabalhos, intactos na sexta. "Estava tão lindo, incrível como pode acontecer uma coisa dessas em frente à universidade", arrematou.
Finalizado com recursos da Funalfa, o projeto contou com verba de aproximadamente R$ 400 para cada uma das 11 fotografias selecionadas para a mostra. Em menos de 24 horas, cerca de R$ 2.400 foram, literalmente, para o lixo.
