Desde os idos de 1999, quando Hérmanes e Dudu Lima bateram ponto no Festival International de Jazz de Montreal, um dos maiores do mundo, toda última semana de julho é reservada para esse encontro lá nas alturas. “Saí de lá com a filosofia de trazer os melhores compositores do meio do jazz para um lugar com uma beleza natural”, ressalta o músico, acreditando que o contato com a natureza faz a diferença nas apresentações. “Primeiro, os artistas chegam e ficam em Simão Pereira, onde moro, e daqui vão para Ibitipoca. Essa energia faz mudar a qualidade da música.”
Se em time que está ganhando não se deve mexer, por que não contar com os nomes já conhecidos nas montanhas? Dudu Lima Trio tem presença garantida no segundo dia de shows. Com ele, sobe ao palco o flautista, saxofonista, arranjador e compositor Eduardo Neves. Referência na cena carioca, o músico mescla samba, choro, jongo maxixe e funk à linguagem contemporânea do jazz. Pela primeira vez no evento, Eduardo traz no currículo a participação em concertos e gravações com grandes nomes da MPB e da música internacional, como Maria Schneider, Omara Portuondo, Maria Bethânia, Tim Maia, Joyce, Frank Sinatra Jr., Zeca Pagodinho e Paulinho da Viola. Em 1993, além de ter sido solista convidado do grupo de choro Época de Ouro, em tour pelo Japão, ele obteve destaque ao lado de Hermeto Pascoal em apresentações nos principais Festivais de Jazz e Clubes da Europa. Ele é fundador do grupo Pagode Jazz Sardinha’s Club, que recebeu, em 2004, o Prêmio da Música Brasileira.
Raízes mineiras e samba de doido
Jakaré e seus Kalangos aportam na serra na sexta com a proposta de mostrar aos mineiros um repertório de ritmos já quase esquecidos. Com Marcos Nimrichter (acordeom e teclado), Mazinho Ventura (baixo), Zé Canuto (sax e flauta) e Flávio Santos (bateria), Jakaré Garcia mistura calango, coco, caxambu, mineiro pau, folia de reis, entre outros. Emílio Santiago, Gal Costa, Pepeu Gomes, Pery Ribeiro, Leo Gandelman, Zé da Velha, Silvério Pontes, Leny Andrade e Marvio Ciribelli são apenas alguns dos artistas com os quais esse multi-instrumentista nascido em Laje do Muriaé/RJ já se apresentou. “Vou tocar composições minhas do CD ‘Aviso de um brasileiro’ e outras instrumentais com participação dos músicos da banda. É um show mix com os meus amigos. São músicas que falam da nossa cultura e que não são ouvidas na grande mídia. A minha verdade é essa música de raiz, foi isso que aprendi no interior do Rio. Vou também tocar duas inéditas”, adianta Jakaré.
“O festival também é uma forma de mostrar os músicos que, geralmente, têm um trabalho grande com artistas renomados, mas que, às vezes, não aparecem tanto no cenário da música brasileira”, diz Hérmanes, comemorando o retorno, no mesmo dia, do Amandla Quartet, formado por Dudu Lima, Alexandre Scio, Ricardo Itaboray e Leandro Scio. “Essa formação tocou no festival em 2005, ficou um tempo sem se apresentar e voltou há uns dois anos. Trazê-la é uma forma de resgatar grupos que acontecem em Juiz de Fora e que são de altíssimo nível”, avalia Hérmanes.
O som do Azymuth fecha com chave de ouro os dois dias de jazz em Ibitipoca. Formada na década de 1970 por José Roberto Bertrami (já falecido), Alex Malheiros e Ivan Conti, a banda chega com o seu “Samba de doido”, uma combinação de soul, funk jazz e samba que arrasta plateias não só no Montreux Jazz Festival, mas também no Ronnie Scott’s, em Londres, e em outros pontos do globo. Na lista de maiores sucessos estão “Linha do horizonte”, “Melô da cuíca”, “Voo sobre o horizonte” e “Jazz carnival.” O grupo tem 45 anos de atuação e comemora os 40 anos do primeiro álbum lançado. “Vamos apresentar uma coletânea com os nossos maiores sucessos daqui e do exterior. Será um prazer voltar ao lugar em que comemorei meus 50 anos de carreira”, diz Ivan Conti.
Ibitipoca Jazz Festival
24 e 25 de julho
Serra do Ibitipoca Hotel de Lazer

