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Repertório fundamental

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"Meu interesse é música antiga e instrumentos antigos", define o traversista Marc Hantai, que desde criança vive mergulhado no universo da música barroca. Aos 14 anos, conheceu a flauta doce, ensinada a ele com um repertório de música barroca. "É um instrumento antigo, mais primitivo, com uma sonoridade mais suave. Ele é instável, atingindo notas mais altas e mais baixas", explica, comparando-o à flauta transversa, produzida em metal – o traverso, ou mais comumente flauta transversal barroca, é feito de madeira e possui uma única chave. Pela segunda vez no Brasil – ele já esteve na década de 1990, também a convite do festival -, o parisiense Hantai se apresenta nesta terça-feira (23), às 20h30, na Igreja do Rosário, como um dos maiores destaques do 24º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.

No repertório do traversista, composições originalmente criadas para solos de flauta: "L’autre jour ma Cloris" e "Rochers, je ne veux point que votre écho fidèle", de J. M.Hotteterre; duas fantasias de G. P.Telemann; quatro movimentos de "Partita em la menor para flauta solo BWV 1013", de Johann Sebastian Bach; e três movimentos de "Sonata em la menor para flauta solo", de Carl Philipp Emanuel Bach. "Esse repertório é especial porque a flauta geralmente não é tocada sozinha", comenta o músico, apontando que a linha de base está na composição, permitindo, assim, o solo.

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Pupilo do famoso flautista belga Barthold Kuijken, no Conservatório Real de Música de Bruxelas, Marc Hantai atuou como flautista em orquestras conceituadas como The Amsterdam Baroque Orchestra, Les Arts Florissants Collegium Vocale Gent, Ricercar Consort, Le Concert Français, La Chambre Philharmonique e Le Concert des Nations. Na orquestra belga La Petite Bande, o traversista conheceu o violinista Luís Otávio Santos, diretor artístico do festival.

Iniciado nessa segunda-feira, um masterclass com Hantai serve, também, para aproximar os muitos estudantes que participam do festival do universo barroco do músico europeu. Professor na Academia de Música de Barcelona, na Catalunha e na Schola Cantorum Basiliensis, na Suíça, o traversista mostra-se bastante à vontade ao redor de aprendizes. "Na Europa, a música antiga é muito comum, as pessoas conhecem bastante. Os estudos são fundamentais", aponta ele, que do repertório barroco brasileiro diz conhecer o padre José Maurício Nunes Garcia.

Sempre na ponte aérea, entre Europa, Japão, Coréia do Sul e Estados Unidos, Hantai já lançou álbuns considerados fundamentais, assim como seu repertório, entre eles, "Suite em Si menor de J. S. Bach", com Jordi Savall e "Sonatas para Flauta", de Bach, gravado com seus irmãos Jérôme e Pierre.

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MARC HANTAI

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Terça-feira, às 20h30

 

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Igreja do Rosário

(Rua Santos Dumont 215 – Granbery)

 

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