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ex escravo louvando aos ceus pela sua libertacao e releitura de obra do parque do museu mariano procopio
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“Ex-escravo louvando aos céus pela sua libertação” é releitura de obra do parque do Museu Mariano Procópio

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Aos olhares dos espectadores desatentos, o escravo se libertando dos grilhões da escravidão em relevo logo abaixo do busto em homenagem à Princesa Isabel, no parque do Museu Mariano Procópio, pode passar despercebido. Contudo, não fugirá aos olhos sua gigantesca releitura, fixada na rotatória em frente ao Parque da Lajinha, no Bairro Teixeiras. “Ex-escravo louvando aos céus pela sua libertação” é a última escultura que o artista visual Adauto Venturi expõe em espaços públicos, através do projeto “Desnudamento de ícones”, financiado pela Lei Murilo Mendes.

“Ela faz uma referência a todas as pessoas que conseguem se libertar desse sistema que escraviza, fazendo-as perder a própria vida em função de um cotidiano urgente”, discursa o artista, que buscou um paralelo com a contemporaneidade para atualizar todas as suas releituras, dando um sentido humano e urgente às esculturas. Realizadas em aço e fibra de vidro, as peças jogam luz para a necessidade de implantação de uma política pública de esculturas na cidade, já que os novos trabalhos, exibidos temporariamente, chamam a atenção dos transeuntes e enobrecem praças e ruas.

Após as releituras de “Tiradentes supliciado”, numa praça do Jardim Glória, “Abaporu”, no canteiro entre a Praça Antônio Carlos e o canhão do Exército, “Atlas”, na Praça Jarbas de Lery, em São Mateus, “Homem Vitruviano”, na rotatória de acesso ao Bairro Estrela Sul, e “Vitória de Samotrácia”, na praça entre a Avenida Rio Branco e a Rua Morais e Castro, a nova obra é muito mais monumental que as outras cinco peças. “Esse trabalho testou minha capacidade e habilidade de trabalhar em grandes formatos”, pontua Adauto.

Galeria no meio da rua

Ao longo da feitura das seis esculturas, tornaram-se visíveis o amadurecimento e a sofisticação apreendidos ao longo do tempo. Da primeira peça à última, o artista reelaborou sua presença na urbe, confirmando a relevância de se ter grandiosidade em lugares de passagens e tormentas cotidianas. “Encontrei muitas dificuldades com essa escala da rua. Minha escala sempre foi a dos quintais ou ateliês. O saldo foi totalmente positivo”, destaca. A própria iniciativa pública se voltou para o trabalho ao zelar e incrementar as obras. “A iluminação não estava no projeto, e consegui um apoio com a Pró-Energia (equipe da Secretaria de Obras) para iluminar durante a noite”, ressalta.

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Segundo o artista, duas das esculturas farão parte da paisagem visual de Juiz de Fora, já que serão doadas à Prefeitura, mas ainda não foram decidas quais delas serão. A primeira a ser implantada, no primeiro semestre de 2014, na rotária de acesso ao Estrela Sul, encontra-se no ateliê de Adauto, após ter sido vítima de vandalismo. “Agora começo a restauração, não havia condições naquele momento (há cerca de dois meses). Encontrei-a em uma madrugada, jogada no chão. Foi a única que sofreu uma reação negativa”, conta, certo de que o trabalho retornará ainda maior e mais forte. O que Adauto percebeu – e a cidade também – é que uma obra no meio da rua propõe reações e estabelece relações.

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