
O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) recebe, a partir deste sábado (28), a exposição “MEME: no Br@sil da memeficação”, que explora o fenômeno do meme no Brasil. Em cartaz até junho, a mostra reúne cerca de 800 itens produzidos por 200 criadores do universo digital e artistas. Os ingressos, que são gratuitos, podem ser retirados no site ou na bilheteria do CCBB BH.
A proposta da mostra busca ir contra o que é comumente visto como “alta” e “baixa” cultura, reunindo nomes consagrados da arte contemporânea brasileira, como Anna Maria Maiolino, Claudio Tozzi e outros, ao lado de criadores de conteúdo como Blogueirinha, Porta dos Fundos, Alessandra Araújo, Melted Vídeos, John Drops e Greengo Dictionary.
Com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, e colaboração do perfil de Instagram @newmemeseum, a mostra convida o público a explorar a memeficação como um dos modos de se narrar o Brasil contemporâneo. “É impossível compreender o Brasil de hoje sem entender seus memes”, diz Ismael Monticelli, um dos curadores a exposição. “Eles não apenas refletem a realidade, mas atuam sobre ela: produzem memória, disputam narrativa, geram pertencimento. Enquanto fazemos memes, os memes refazem o Brasil.”
E Clarissa Diniz, também curadora, continua, afirmando que “memes não são só piadas”. Ela explica: “Eles são ferramentas políticas, culturais e afetivas. São como o Brasil elabora, disputa e contorna suas diferenças – sociais, raciais, de gênero, estéticas – em tempo real. A exposição parte do humor para provocar: como estamos refazendo o país através de suas imagens mais debochadas?”.
Com produção da Patuá Produções, com patrocínio do Banco do Brasil e da BB Asset e com datas marcadas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro – de agosto a novembro-, a mostra possui cenografia imersiva e uma ampla diversidade de linguagens: vídeos, neons, esculturas, roupas, quadrinhos, pinturas, objetos, backlights, instalações sonoras e experiências interativas.
“A exposição não tem a ambição de ser um inventário do humor nacional, mas investigar os memes como uma linguagem viva, que transborda a internet e afeta diretamente nossas formas de pensar, sentir e agir”, afirma Ismael.
“Queremos provocar o público a pensar: será que essa vocação memética do Brasil começou mesmo com os memes digitais?”, questiona Clarissa Diniz. “Ou será que ela já se anunciava no carnaval, nos bordões da TV, nas pichações e nos outdoors?”
Percurso da mostra
“MEME: no Br@sil da memeficação” possui como prólogo um espaço tátil intitulado “Alisa meu pelo” e o epílogo “Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?”. Além disso, a exposição também conta com cinco núcleos temáticos que abordam diferentes aspectos dos memes e suas linguagens.
A começar pelo prólogo, no Pátio do CCBB BH, “Alisa meu pelo” – meme de 2017 que surgiu a partir da onça-pintada na nota de R$ 50 acompanhada da legenda “alisa meu pelo (onça carente)” -, a mostra busca compreender o meme como uma produção simbólica popular e participativa. Na exposição, onças em diferentes materiais, criadas por José Francisco Afrânio, Jorge Gomes e Vinicius Vaitsmann, convidam o público ao toque e à interação, ampliando esse gesto coletivo de humor e reflexão.
O primeiro núcleo, “Ao pé da letra” , lança luz sobre os jogos semânticos e os descompassos entre texto e imagens, que tornam os memes ferramentas eficazes em gerar o riso. Localizado no terceiro andar do CCBB BH, o núcleo aborda o uso de emojis, narrações e dublagens cômicas, além de línguas digitais como o tiopês e o pajubá. Entre os criadores presentes estão Greengo Dictionary, Rafael Portugal, Frimes e outros.
Já o núcleo 2, explora como as redes sociais e a internet permitiu que “pessoas comuns” ganhassem fama quase que instantaneamente. Inspirado pela célebre capa da revista Time de 2006, que elegeu “você” como a personalidade do ano, o núcleo “A hora dos amadores” explora como os memes se tornaram uma maneira de ilustrar narrativas insurgentes, muito presentes em um país desigual como o Brasil. Alguns dos criadores presentes são O Brasil Que Deu Certo, Alessandra Araújo e Valdisnei.
Com os criadores A Vida de Tina, Alexandre Mury, Festa da Firma, Porta dos Fundos e outros, o núcleo 3, “Da versão à inversão”, explora a imitação como gesto crítico e criativo nos memes. A partir do humor, surgem a paródia e o comentário social, que culminam na risada.
No núcleo 4, “O eu proliferado”, se volta a forma como a vida privada se tornou um espetáculo e a construção de si se tornou um eterno momento de auto performance. Ao mesmo tempo em que a afirmação de identidades historicamente apagadas acontece, a autoestima também se transforma em mercadoria. Entre os nomes presentes estão Blogueirinha, Coach de Fracassos e Panmela Castro.
Por fim, o núcleo 5 aborda a polarização política. Com nome “Combater ficção com ficção”, o núcleo aborda o papel ambíguo do meme, que pode servir como ferramenta de enfrentamento e, às vezes, veículo de desinformação. História no Paint, Saquinho de Lixo e Marcelo Tas participam da mostra.
O epílogo que encerra o percurso, “Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?” explora a impossibilidade de encontrar uma única definição ou regra para os memes. Ao final da mostra, a curadoria convida o público a responder a provocação: como cada pessoa compreende o que é um meme?
Serviço
‘MEME: no Br@sil da memeficação’
Pátio e Galerias do 3º Andar – Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH), (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, Belo Horizonte – MG)
De 28 de março a 22 de junho de 2026
De quarta a segunda, das 10h às 22h
Ingressos gratuitos, disponíveis no site e na bilheteria do CCBB BH
Classificação indicativa: Livre

