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Arte da luta

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Num país sem tradição visual como o Brasil, a gravura foi e é de extrema importância: ela aproxima a literatura das artes plásticas, ela recusa essa espécie de pedantismo pseudointelectualizado que faz da arte prisioneira das teorias filosóficas e a recoloca na vida diária e cotidiana das pessoas, disparou o crítico de arte e curador independente Marcus de Lontra Costa, no texto A gravura no Brasil no século XX, publicado no portal voltado especificamente à técnica O papel da arte. No intuito de abarcar a produção artística brasileira do presente em uma amostra representativa, o Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) exibe a exposição Gravura contemporânea.

O Mamm foi escolhido pela Sociedade Os Amigos da Gravura para receber alguns dos trabalhos editados pela instituição, que agora compõem o acervo de arte contemporânea do museu. Iniciada pelo industrial e empresário Raymundo Ottoni de Castro Maya, em 1952, e retomada pelos Museus Castro Maya, do Rio de Janeiro, em 1992, a sociedade edita, anualmente, 50 exemplares de gravuras produzidas por artistas plásticos brasileiros, como forma de incentivar o colecionismo e estimular novas criações.

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A mostra, em cartaz na Galeria Poliedro, apresenta nomes como Antônio Manuel, Eduardo Sued, Eliseu Visconti, Lena Bergstein, Mônica Barki, Nelson Leirner, entre outros. A gravura fala da gravura, fala da arte, mas não se envergonha de falar sobre o seu país, sobre o homem, sobre a realidade. A gravura é a arte da luta, completa Costa.

Português radicado no Rio de Janeiro, Antônio Manuel assina um trabalho que retoma sua produção abstrata-geométrica da década de 1980, bastante diferente dos trabalhos altamente políticos que caracterizam sua trajetória artística. Já Mônica Barki, cuja dicção é marcada pelo feminismo, reúne outros suportes artísticos comuns em seu percurso profissional. Na serigrafia Berlinda, da série Ana C., a artista reproduz diferentes ângulos de um personagem envolto em uma faixa impressa pela técnica da flexografia e cuja mensagem se restringe a um excesso de imagens desconexas.

Nelson Leirner, um dos mais atuantes artistas contemporâneos do país, mantém seu caráter vanguardista na gravura Variações, na qual insere diferentes personagens infantis, como Hello Kitty, Garfield, Mickey Mouse, Gasparzinho, em uma clara crítica à cultura de massa e às ideologias capitalistas.

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GRAVURAS CONTEMPORÂNEAS

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De terça a sexta, das 10h às 18h, sábados e domingos, das 13h às 18h

Galeria Poliedro, do Museu de Arte Murilo Mendes

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(Rua Benjamin Constant 790 – Centro)

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