
O cantor canadense Joe Roberts volta a Juiz de Fora, onde se apresenta nesta sexta-feira com sua banda, a Joe Roberts and Friends, no palco do Cine-Theatro Central, após ausência de cinco anos. O show, beneficente, terá renda revertida para o Abrigo Santa Helena e será gravado para ser lançado, posteriormente, em DVD – o segundo do artista -, com parte das vendas também repassada para a instituição. Joe será acompanhado pelos parceiros André Repetto (bateria e vocal), Edson Benatti (contrabaixo e vocal) e Sillians Fredo (guitarra e voz). O repertório vai incluir clássicos do rock como “Wish you were here” (Pink Floyd), “Goodbye yellow brick road” (Elton John), “Sultans of swing” (Dire Straits) e “Love of my life” (Queen), além de canções dos Beatles, U2, The Doors, Eric Clapton, entre outros.
“Se alguém tiver uma oportunidade de gravar um DVD num local tão bonito como o Central, com tanta história para contar, não pode se recusar. É um prazer estar aqui”, diz Joe Roberts. “A recepção que tivemos aqui em 2010 foi muito boa.” Edson Benatti, que está na banda de Joe há oito anos, é outro animado em regressar ao Central e reencontrar o público juiz-forano. “Foi muito legal, o público estava caloroso, e esperamos repetir essa emoção.”
Nascido no Canadá, Joe Roberts é filho de portugueses dos Açores que imigraram para o Norte da América, mas só foi aprender a língua de Camões há quase 20 anos, quando veio em definitivo para o Brasil, depois de ser um dos integrantes da banda Men Without Hats, que teve como sucesso o single “Safety dance”. A única ligação que tinha com a música brasileira se deu em 1978, quando foi um dos músicos contratados para a turnê do cantor Nelson Ned na América do Norte – inclusive no Carneggie Hall, em Nova York.
“Os três primeiros meses foram difíceis, devido à língua, e da música brasileira só conhecia basicamente bossa nova, Tom Jobim. Se me perguntassem sobre música brasileira, eu diria que era rumba”, reconhece. Apesar dos percalços, ele foi conseguindo shows devido ao domínio do inglês. “Facilitou interagir com a comunidade musical, marcar shows”, conta o artista, que com o tempo passou a conhecer e admirar os artistas locais, de Legião Urbana e Fagner a João Bosco, compositor nacional que mais admira. Da terra natal, destaca sua preferência por bandas como Steppenwolf e Fleetwood Mac, além do jazz que ouvia em casa por influência do pai, também músico.
Do Canadá, diz ele, o que mais sente falta é o respeito ao músico, muito maior que o observado aqui. “O músico é tratado como uma pessoa diferente no Canadá, que vai te trazer alegria, emoção, com o que faz. Quem te contrata te trata com dignidade. Eles reconhecem que é preciso trabalhar muito para ser músico. Aqui é diferente, muitas vezes você é tratado como mendigo, e isso deveria mudar”, critica. Mas, apesar de ser difícil ser músico no país, ele demonstra muito carinho pelo país e seu povo. “Gosto muito da sinceridade do brasileiro. Ele te abraça, te beija, se gosta de você, não esconde isso, e também não esconde se não gostar, te manda ‘praquele lugar’, mas não para o resto da vida. O brasileiro sabe perdoar na hora certa, o que povos de outras culturas não sabem fazer.”
JOE ROBERTS AND FRIENDS
Nesta sexta-feira, às 20h
Cine-Theatro Central
(3215-1400)

