Ao mesmo tempo em que é possível encontrar algo de original em Hollywood, a Meca do cinema continua a se esmerar em repetir as mesmas fórmulas, que ainda ficam mais desgastadas com as ondas dos remakes – ainda que não faltam exemplos de ideias mal sucedidas, como o fracasso recente de “Ben-Hur” e, num passado não tão distante, da dupla “O vingador do futuro” e “Robocop”. Desta vez, a aposta da suflê requentada invade as praias áridas e ensolaradas do faroeste, com o lançamento nesta quinta-feira da nova versão de “Sete homens e um destino”.
O longa-metragem dirigido por Antoine Fuqua é inspirado não apenas em um, mas em dois clássicos da sétima arte. A primeira comparação se dá com o “Sete homens e um destino” original, de 1960, dirigido por John Sturges e até hoje uma das grandes produções do gênero. Além da marcante trilha sonora de Elmer Bernstein, o longa tinha no elenco nomes como Yul Brynner, Steve McQueen, Robert Vaughn, James Coburn e Charles Bronson, todos futuros astros de Hollywood. O western americano, por sua vez, já era o remake de outro clássico: “Os sete samurais”, longa de Akira Kurosawa.
Lançado em 1954, o filme tem Toshiro Mifune no elenco e venceu no mesmo ano o Leão de Prata no Festival de Veneza, e é considerado por muitos como a produção que inspirou outros longas a criarem tramas em que um grupo de pessoas sem ligação alguma precisa se unir diante de uma ameaça em comum. São os casos dos dois faroestes – o de 1960 e 2016 – e também de produções que, a princípio, nada têm a ver com o original japonês, “Três amigos!”, estrelado por Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short, e a animação “Vida de inseto”.
Elenco estelar
‘Os sete samurais’ de Akira Kurosawa venceu o Leão de Prata do Festival de Veneza e gerou diversas adaptações
Para a versão de 2016, Antoine Fuqua recrutou o seu elenco estelar, que conta com Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Lee Byung-hun, Manuel Garcia-Rulfo e Martin Sensmeier. O objetivo era criar um grupo de pistoleiros multiétnico, em que se observam desde o clássico herói americano até o caçador de recompensas negro, o guerreiro indígena desgarrado, o fugitivo mexicano, o chinês especialista em facas e um confederado traumatizado pela Guerra Civil americana.
O roteiro ficou a cargo de Nick Pizzolato, da série “True detective”, que além de tornar o grupo de anti-heróis mais diversificado etnicamente também muda o local da ação. “Os sete samurais” se passa no Japão feudal do século XVI e mostra um grupo de fazendeiros explorados por bandidos, que saqueiam os mantimentos, levam as mulheres e matam os que tentam lutar. Já o longa de 1960 mostrava um vilarejo mexicano do século XIX constantemente saqueado e aterrorizado por bandidos. O filme de Fuqua leva a ação para o Oeste americano, em que um minerador inescrupuloso (Peter Sarsgaard) toma posse de uma pequena comunidade.
Revoltada com a situação, a jovem Emma Bullen (Haley Bennett) arruma um jeito para que a justiça – ou a vingança, o que vier primeiro – seja feita. Ela, então, procura o caçador de recompensas Sam Chisolm (Denzel Washington), que recruta uma meia dúzia de pessoas sem nada a perder e que estão dispostas a colocar suas vidas em risco por dinheiro. O longa mostra o desafio dos sete pistoleiros para defenderem a cidadezinha do grupo de capangas do milionário. Este novo “Sete homens e um destino” é marcado por boas cenas de ação que agradaram à crítica, que torceu o nariz para a falta de profundidade e ousadia da história, que se abstém de burilar as diferenças de origens entre os personagens principais. Se o longa será inesquecível como o anterior, apenas o tempo e a bilheteria poderão dizer.
Sete homens e um destino
UCI 2 (dub): 13h45 e 19h15. UCI 2: 16h30 e 22h. Cinemais Alameda 5 (dub): 14h e 19h20. Cinemais Alameda 5: 16h40 e 22h. Cinemais Jardim Norte 2 (dub): 14h e 19h20. Cinemais Jardim Norte 2: 16h40 e 22h.
Classificação: 14 anos
