
O jogo entre o dito e o vivido
Seguindo a tendência dos grandes estúdios em realizar remakes, em um período de vacas magras da indústria cinematográfica, um bom exemplo é a produção americana "Confiar" ("Trust"), com estreia nacional marcada para amanhã na cidade. A produção faz referência ao original, de mesmo nome, rodado em 1990, dirigido por Hal Hartley. O longa faz um mergulho nas relações interpessoais e na confiança do ser humano em seu semelhante. Na versão atual, contextualizada na era da informação online, tudo que é dito nos sites de relacionamentos é levado ao pé da letra, algo com que Hartley não poderia sonhar 20 anos atrás. Nem sempre a pessoa que está do outro lado da linha é quem se apresenta. Isso é o que descobre a garota Annie (Liana Liberato), 14 anos, que pensa ter encontrado seu primeiro namorado num bate-papo virtual. Após meses de conversa pelo computador, resolve encontrar-se pessoalmente. Em um primeiro momento, a confiança traída da menina atinge menos a ela do que a seus pais, Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener).
O filme dirigido por Schwimmer apresenta, de maneira pouco convencional, o tema tabu da pedofilia. Nesta trama perigosa em que se inserem os personagens, "Confiar" joga com certa ambiguidade para tratar do conflito entre o que é dito e o que é vivido, tanto da parte da menina quanto do sedutor. Nenhum dos personagens é unidimensional por completo.
CONFIAR
Alameda 2: 14h30, 16h50, 19h e 21h20
Classificação: 14 anos
Bom humor nacional
"Elvis e Madona" tinha todos os ingredientes para ser uma comédia romântica, bem ao estilo blockbuster. Trata-se de um homem que perdeu uma importante quantia em dinheiro e pensa em uma maneira de conseguir recuperá-la. No meio do desespero, ele conhece uma mulher, se apaixonam e passam a viver um grande amor. Seria só mais um filme se não fosse por um pequeno detalhe, que acaba se tornando o grande mote da história: o homem, no caso, é um travesti cabeleireiro que atende pela alcunha de Madona, e a mulher é uma entregadora de pizza, um tanto masculinizada, chamada Elvis. Deste encontro inusitado, entre uma lésbica e um travesti, nasce uma história de amor nada convencional. "Elvis e Madona" estreia amanhã nas salas de cinema de todo o Brasil.
Ambientado em Copacabana, o bairro mais cosmopolita do Rio de Janeiro, o roteiro ágil e divertido segue os sonhos e a trajetória amorosa das protagonistas, traçando um painel atualizado da evolução dos costumes e da família.
ELVIS & MADONA
Alameda 3: 14h40, 17h, 19h20 e 21h40
Classificação: 14 anos

