
A Semana da Cerveja Mineira tem início nesta segunda-feira (24) em Juiz de Fora, com uma programação que se estende até domingo (30) e envolve diferentes frentes da cultura cervejeira. Para o público geral, é ainda uma possibilidade de aproveitar para conhecer dezenas de cervejarias da região com rótulos diferenciados e uma programação musical especial.
Para o setor cervejeiro, o encontro funciona como uma oportunidade de negócios, desenvolvimento econômico e de reconhecimento do trabalho, a partir do Concurso Mineiro de Cervejas. Além disso, a edição deste ano também terá o 1º Seminário Internacional das Cervejarias Mineiras e o lançamento da Rota Turística Caminhos e Cervejas.
O fortalecimento do setor cervejeiro na região é visto de forma sistêmica pelo Sebrae. Desde 2010, o analista Gustavo Magalhães explica que tem sido tomadas iniciativas para fortalecimento do segmento e apresentação de produtos ao mercado. E a segunda edição da Semana da Cerveja é uma forma de consolidar esse trabalho, porque além das atividades tradicionais, com feira e a apresentação de produtos para consumo, existe ainda o concurso, em que as cervejarias colocam seus produtos para serem avaliados por um júri técnico.
“As cervejarias que saem como vencedoras ganham reconhecimento técnico da produção de alto padrão. Os produtores deixam de ter aquela percepção pessoal de que se está fazendo um bom produto e passam a ter a análise de um júri que avalia, de acordo com a escola cervejeira, o que aquele produto se propõe”, diz.
Parte do evento é voltado justamente para o público que vai conhecer as máquinas mais refinadas do mercado, os equipamentos que podem ser utilizados no processo de produção e os fornecedores — além de criar conexões que podem ajudar nos negócios. “Mas o projeto também viabiliza a participação do público geral, com uma festa que tem lazer e entretenimento, para ter a condição de provar uma quantidade enorme de rótulos e cervejas aqui na região”, diz Gustavo.
Para ele, provocar esse encontro cria conexões. “Através de eventos como esse, aquela pessoa que consome a cerveja tem a oportunidade de experimentar a cerveja local, rótulos diferentes, produtores diferentes e estilos. A partir do momento da experimentação e da aprovação do produto, certamente esse cliente tem condição de consumir outras vezes. É um fortalecimento de marca muito interessante”, conta.
Ele percebe, inclusive, que em Juiz de Fora há uma apreciação especial pela cerveja red. “O que é muito interessante, porque geralmente é uma cerveja mais intensa e de paladar mais apurado. Ela é bastante aceita e mais procurada nos festivais e nas cervejarias. Isso demonstra que o público de Juiz de Fora busca entender de cerveja e procura as que têm características bem específicas”, diz.
Já a pilsen, mais tradicional e o carro chefe da maioria das cervejarias, também chama a atenção. “Temos muitos produtos de excelente padrão, que devem ser experimentados pelos apreciadores”, conta. O evento também terá atrações como Sandra Sá, Camila Brasil, Sideral e Samba de Colher no sábado (29) e domingo (30), no estacionamento do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio.
Trocas e reconhecimento
Um dos diferenciais da edição deste ano é a presença dos palestrantes internacionais Luc de Raedemaeker e Henri Reuchlin durante o Seminário Internacional das Cervejarias Mineiras. Essas presenças vão auxiliar a conectar a realidade brasileira com experiências de mercados estrangeiros mais maduros, como Holanda e Bélgica, que podem servir como referências para a cultura cervejeira e o posicionamento no mercado. A troca sobre o comportamento dos consumidores e os novos formatos de venda das cervejas artesanais é destacada por Magalhães, que entende a oportunidade como única para a região.
Para ele, se trata de um momento que também reconhece a história que a região da Zona da Mata e Juiz de Fora vem construindo. “Os cervejeiros da região tem uma oportunidade ímpar de aprender sobre o mercado cervejeiro mundial e as escolas cervejeiras internacionais. É um momento muito significativo para a cidade e o mercado cervejeiro”, diz.
Rota cervejeira
A divulgação da rota cervejeira “Caminhos e cervejas”, que conecta Petrópolis a Juiz de Fora, é um produto que está em construção, mas que surgiu para reforçar o laço histórico existente entre os dois municípios. Como Magalhães identifica, as cidades partilham em comum as referências da imigração alemã e a passagem de várias figuras históricas pelas cidades, principalmente no período imperial e durante a construção da Estrada União Industrial.
“Estamos fazendo todo um resgate histórico sobre o desenvolvimento e o nascimento dessas cidades. Como grande plano de fundo, temos as cervejas que hoje figuram no mercado quase como um resgate histórico dessa imigração do período imperial.”
Durante essa construção, foi identificada uma singularidade muito grande nesse território, tratando dos aspectos históricos e culturais. “A cerveja aparece desde o início como um fator cultural muito forte da presença imigrante nessa região, e isso se torna atrativo para muitos públicos, não só para o apreciador da cerveja, mas para aquele que quer conhecer mais sobre a história do país e aqueles que querem conhecer mais sobre seu território”, finaliza.

